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CORRIDA POR LIQUIDEZ

O plano do Pão de Açúcar (PCAR3) para ganhar fôlego: de imóveis como garantia a recebíveis para destravar crédito

Medidas aprovadas pelo conselho miram redução de custos, liberação de limites e reforço de até R$ 200 milhões no caixa

Pão de Açúcar
Pão de Açúcar - Imagem: Jacques Lepine / Estadão Conteúdo

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) avançou em mais uma etapa da sua reestruturação financeira ao aprovar um pacote de medidas para aliviar o caixa, cortar custos e ampliar o acesso a crédito. O movimento inclui a troca de garantias bilionárias, novas frentes para destravar liquidez e ajustes na remuneração em ações.

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No centro dessa estratégia está o chamado Acordo Paulista. A companhia substituiu cartas fiança e seguros-garantia que somavam cerca de R$ 4,76 bilhões por garantias reais — imóveis próprios avaliados em aproximadamente R$ 619,7 milhões — em favor do governo de São Paulo.

O acordo, firmado em 2024, já havia reduzido de forma relevante o passivo tributário.

Segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o GPA conseguiu cortar cerca de R$ 3,64 bilhões em contingências ao negociar o pagamento de aproximadamente R$ 794 milhões, já com desconto, em 120 parcelas corrigidas pela Selic.

Agora, a mudança na estrutura de garantias aprofunda esse ajuste. Ao trocar instrumentos financeiros mais caros por ativos próprios, a empresa reduz despesas recorrentes, pode recuperar parte dos prêmios pagos e ainda abre espaço no balanço para contratar novas garantias.

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Pão de Açúcar: mais liquidez no radar e ações na mesa

O conselho também aprovou uma frente adicional para reforçar o caixa. O GPA vai usar recebíveis de cartão de débito como garantia em operações financeiras que podem somar cerca de R$ 200 milhões, seja por cessão ou alienação fiduciária desses créditos.

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Na prática, é uma forma de antecipar receitas para levantar dinheiro agora. Conforme o comunicado, as operações devem ficar de pé até a homologação do plano de recuperação extrajudicial ou até a liberação de novos limites com instituições parceiras.

No campo da remuneração, a companhia aprovou um aumento de capital simbólico, de pouco mais de R$ 10 mil, com a emissão de cerca de 1 milhão de ações a R$ 0,01 cada, resultado do exercício de opções por executivos.

Com isso, o capital social sobe levemente, para cerca de R$ 2,51 bilhões, dividido em quase 492 milhões de ações.

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Além disso, ainda segundo o fato relevante, o GPA vai transferir cerca de 130 mil ações que estavam em tesouraria para cumprir obrigações do programa de performance shares, sem impacto no capital.

Pão de Açúcar (PCAR3): por que o GPA pediu recuperação extrajudicial?

Alta na bolsa e disputa com o Casino

A decisão do conselho coincidiu com um dia de forte apetite pelos papéis do GPA na bolsa. As ações da companhia dispararam 13,24% nesta segunda-feira (13), figurando entre as maiores altas do Ibovespa, e encerraram o pregão cotadas a R$ 2,48.

Mais cedo, a companhia atualizou o mercado sobre a arbitragem contra o Casino Guichard-Perrachon. O Tribunal Arbitral negou um pedido do GPA para bloquear ações detidas pelo acionista francês, no âmbito de uma medida cautelar.

A disputa foi levada à Câmara de Comércio Internacional em maio de 2025 e envolve divergências sobre recolhimentos de impostos entre 2007 e 2013.

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Na avaliação de Caroline Sanchez, analista da Levante Inside Corp, apesar de a alta das ações parecer, à primeira vista, contraditória com a decisão arbitral, o movimento faz sentido dentro da atual tese da companhia.

“A decisão do tribunal arbitral basicamente libera o Casino (que está em recuperação judicial na França) para vender sua fatia no GPA, que tentou bloquear essa venda e não conseguiu. O mercado, no entanto, pode estar interpretando isso como um evento que acelera uma definição societária, que de certa forma já era esperada”, afirma.

Segundo a analista, o Casino Guichard-Perrachon precisa fazer caixa, e a saída do capital do GPA é vista como praticamente inevitável, assim como a redução de outras posições no Brasil.

Nesse contexto, a decisão ajuda a reduzir a incerteza jurídica sobre o timing dessa saída, o que pode ter sido bem recebido pelos investidores.

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*Com informações do Money Times

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