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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

PRÉVIA DOS RESULTADOS

O duelo dos bancos digitais ficou mais difícil: Inter e Nubank encaram novo teste em 2026; veja o que esperar dos balanços do 1T26

Expansão continua forte, mas avanço do crédito e aumento de provisões colocam qualidade dos resultados em xeque; o que dizem os analistas agora?

Camille Lima
Camille Lima
6 de maio de 2026
13:12 - atualizado às 12:31
Black Friday: Inter disponibiliza mais de R$ 1 bilhão para reforçar o poder de compra em novembro; Nubank Ultravioleta eleva benefícios no Nu Viagens
Black Friday: Inter disponibiliza mais de R$ 1 bilhão para reforçar o poder de compra em novembro; Nubank Ultravioleta eleva benefícios no Nu Viagens. Imagem: IA -

Durante anos, a história dos bancos digitais foi escrita em ritmo acelerado: mais clientes, mais crédito, mais receita. Agora, o roteiro começa a mudar. Na largada de 2026, Nubank Inter entram na temporada de resultados pressionados a mostrar algo além do crescimento. 

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O desafio no primeiro trimestre de 2026 (1T26) é provar que eles conseguem crescer sem perder o controle da qualidade, da rentabilidade e, principalmente, do risco. 

O primeiro a ser testado será o Inter, que divulga seus resultados na quinta (7), antes da abertura do mercado.  

Uma semana depois, no dia 14, é a vez de o Nubank divulgar seus números, após o fechamento.  

Inter versus Nubank: crescimento ainda forte, mas com novas cobranças 

Se antes a corrida era por escala, o foco do mercado agora é a qualidade desse crescimento.  

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Para o Inter, a expectativa dos analistas é de lucro líquido em torno de R$ 401 milhões no 1T26, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 15,3%

Leia Também

Já para o Nubank, o mercado projeta um lucro de US$ 879 milhões ROE próximo de 31%

Mais do que quem ganha mais dinheiro, o que deve ser respondido é de onde vem esse crescimento e quais serão as concessões feitas ao longo do caminho. 

Inter rumo ao 60-30-30, mas com custo no curto prazo 

O Inter chega ao trimestre tentando sustentar sua principal promessa estratégica: o plano 60-30-30A estratégia busca atingir 60 milhões de clientes, operar com eficiência de 30% e alcançar um ROE de 30% até o fim de 2027. 

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Os analistas preveem que o crescimento seguirá forte na largada de 2026, mas não sem custo. 

A expectativa é que a expansão da carteira de crédito avance próxima de 30% ao ano, impulsionada por linhas como imobiliário, home equity e, principalmente, o consignado privado, que ganhou protagonismo dentro do portfólio. 

“O crescimento da carteira deve permanecer robusto, impulsionado pelo consignado privado, mas com impacto direto nas provisões no curto prazo”, resume o UBS BB. 

É justamente nesse produto que se concentram as maiores dúvidas dos analistas. Na prática, o banco antecipa provisões maiores em troca de expansão mais acelerada — um movimento que pressiona o custo de risco e limita a evolução das margens.  

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O JP Morgan também destaca esse efeito colateral. Os analistas projetam um lucro ligeiramente abaixo do consenso, refletindo uma combinação de margem financeira estável e aumento do custo de crédito. 

“O custo de risco deve aumentar conforme o Inter expande o consignado privado, com perdas operacionais pressionadas nesse produto”, dizem os analistas. 

Esse equilíbrio mais delicado aparece nas projeções de margem. Depois de vários trimestres de expansão, a tendência agora é de estabilidade — ou até leve compressão quando ajustada ao risco. 

O Goldman Sachs reforça essa leitura, citando a sazonalidade do custo de funding e sinais iniciais de deterioração na inadimplência de cartões.  

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Ainda assim, o banco segue entregando um dos pilares centrais da tese, segundo os analistas: a eficiência. 

“O lucro deve crescer com apoio da expansão da carteira e ganhos de eficiência, mesmo com provisões mais altas”, diz o Bank of America (BofA). 

Nubank: escala, eficiência — e o peso de investir 

Enquanto o Inter ainda constrói margens, o Nubank entra em 2026 tentando preservar as suas.  

A expectativa é de mais um trimestre forte, com crescimento de lucro sustentado pela expansão do crédito, aumento das receitas de tarifas e um mix mais favorável. Mas o foco do mercado começa a migrar para outro ponto: o custo desse crescimento. 

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“2026 deve ser um ano de investimentos, com eficiência mais lateral”, prevê o JPMorgan. 

A lista de despesas inclui expansão internacional, investimentos em tecnologia — especialmente em inteligência artificial —, marketing para consolidação de marca global e até custos associados ao retorno aos escritórios.  

Ainda assim, o ROE na casa de 30% reforça a percepção de que o banco já atravessou a fase mais sensível do seu ciclo de maturação, segundo o JP Morgan. 

Já o BofA chama atenção para a continuidade de despesas elevadas, impulsionadas principalmente por tecnologia e branding, além da falta de efeitos extraordinários que beneficiaram resultados anteriores.  

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O UBS BB acrescenta um fator adicional: a tributação. Há sinais de que a alíquota efetiva pode se estabilizar em um patamar estruturalmente mais baixo do que o mercado costuma considerar — o que abriria espaço para surpresas positivas recorrentes nos lucros. 

Ainda assim, o mercado espera que o crescimento da carteira continue forte, impulsionado principalmente pelo cartão de crédito, com limites mais altos viabilizados por modelos mais sofisticados de análise de risco. 

Além disso, a operação internacional começa a ganhar tração. No México, por exemplo, os números seguem avançando com inadimplência ainda controlada, segundo os analistas.  

O Nubank já afirmou que o Brasil e México seguem como prioridades estratégicas, e o objetivo da fintech é continuar a avançar com a licença bancária no país.  

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Para o Goldman Sachs, esse conjunto de fatores mantém o Nubank como o “nome preferido” entre os bancos digitais no curto prazo, com receitas acima do consenso e espaço para novas alavancas operacionais, mesmo em um ciclo de investimento mais pesado. 

“Apesar do aumento dos gastos, a companhia ainda colhe ganhos relevantes de eficiência”, afirmam os analistas, que veem crescimento da receita de crédito entre 25% e 43% ao ano nos próximos três anos.

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