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Citi cortou preço-alvo, mas manteve a recomendação de compra graças a uma arma que pode potencializar o negócio da companhia de software
O setor de tecnologia viveu, nas últimas semanas, um cenário digno de filme de ficção científica — mas com prejuízos bem reais. O chamado SaaS Armageddon (ou SaaSpocalypse) vaporizou cerca de US$ 2 trilhões em valor de mercado global, impulsionado pelo medo de que a inteligência artificial (IA) torne os softwares tradicionais obsoletos.
No Brasil, a Totvs (TOTS3) não escapou da sangria, chegando a despencar quase 20% nas mínimas do auge do pânico. No entanto, ainda é cedo para decretar a morte da gigante brasileira de software.
Segundo o Citi, a queda acentuada das ações foi exagerada. O banco reiterou nesta quinta-feira (19) a recomendação de compra para os papéis, sinalizando que a Totvs tem as armas necessárias para atravessar o muro de preocupações com a IA.
Apesar do otimismo com a tese, o Citi não ignorou as mudanças no cenário macroeconômico e setorial. O banco atualizou o preço-alvo de TOTS3 de R$ 52 para R$ 47.
Mesmo com o corte, o potencial de valorização é de 22,4% em relação ao fechamento anterior. A revisão reflete:
Por volta de 13h30, as ações da Totvs operavam em alta de 1,07%, cotadas a R$ 38,81. No ano, os papéis acumulam queda de 7,7%. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 1,24%, aos 188.403,81 pontos.
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O grande diferencial que separa a Totvs das empresas fadadas ao esquecimento no pós-Armageddon é a estratégia de IA. O Citi destaca o Lynn, uma plataforma de geração de agentes de IA da Totvs.
Diferente de soluções que exigem infraestrutura pesada, o Lynn foca exclusivamente em software e possui uma abordagem agnóstica.
Isso significa que ele pode usar diferentes modelos de linguagem, garantindo um custo de consumo menor e acelerando a migração dos clientes para a nuvem.
Além disso, para os analistas, os resultados tranquilizadores do quarto trimestre de 2025 e o novo programa de recompra de ações anunciado pela gestão são provas de que a empresa está sólida. Confira os detalhes do desempenho da Totvs no quarto trimestre de 2025.
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O temor que derrubou o setor nasceu com a expansão do Claude Cowork, da Anthropic. Ao contrário de um chatbot comum, esse agente de IA consegue pilotar o computador e executar tarefas autônomas, como revisar contratos jurídicos e analisar relatórios financeiros.
O mercado entrou em pânico com uma pergunta simples: se a IA pode fazer o trabalho sozinha, por que as empresas continuariam pagando licenças caras de softwares como Salesforce ou ferramentas jurídicas especializadas?
Embora o sentimento do investidor tenha atingido o nível mais pessimista desde 2018, grandes bancos como BTG Pactual e JP Morgan concordam com o Citi: a punição foi indiscriminada.
O argumento é que softwares que resolvem problemas complexos e possuem dados proprietários — caso da Totvs — possuem um fosso de proteção.
No curto prazo, segundo esses bancos, a IA deve ser um complemento que aumenta a produtividade, e não um substituto total dos sistemas de gestão que sustentam o dia a dia das empresas.
Para quem olha para o copo meio cheio, o Armageddon pode ter criado um dos melhores pontos de entrada dos últimos anos para o setor de tecnologia na bolsa.
A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 40. “Do ponto de vista de valuation, a Azzas está sendo negociada a cerca de 7x P/L para 2026, um nível significativamente descontado em relação aos pares do setor”, afirma o banco
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