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Ambas as indicações atribuídas ao fundo da Reag constavam na ata da reunião na qual os conselheiros foram eleitos, em março de 2025
Dois membros do conselho fiscal do Banco de Brasília (BRB), apadrinhados pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e por um fundo da Reag Investimentos — investigada por operações fraudulentas com o Banco Master —, renunciaram ao cargo na sexta-feira (13). As renúncias produziram efeitos imediatos.
Em nota, Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa, que deixaram os cargos de membro titular e membro suplente, respectivamente, afirmam que só tomaram ciência da indicação atribuída ao Fundo Borneo, da Reag, no último dia 11, após fato relevante do BRB.
"Declaro que desconheço integralmente tal indicação pelo fundo Borneo. Declaro ainda que não possuo qualquer vínculo, relação ou conhecimento acerca do referido fundo, tampouco conheço seus representantes ou administradores", afirma Sousa em sua manifestação.
Na mesma linha, Vasconcelos diz não possuir "qualquer vínculo, relação ou conhecimento acerca do referido fundo, tampouco conheço seus representantes ou administradores."
A indicação atribuída ao fundo da Reag, no entanto, constava na ata da reunião na qual foram eleitos, em março de 2025. Como revelou o Estadão há uma semana, Ibaneis emplacou sua chefe de gabinete, Juliana Monici Souza Pinheiro, em uma das vagas e indicou os advogados Leonardo Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa como titular e suplente de outra vaga.
Mais tarde, o fundo Borneo, administrado pela Reag, que virou acionista do BRB, assumiu a paternidade da indicação dos dois advogados.
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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a investigar Ibaneis e Juliana e tornou os dois réus em um processo sigiloso, em meio à investigação sobre o caso Master. Após a publicação da reportagem do Estadão, o BRB foi questionado pela CVM sobre as indicações ligadas ao fundo da Reag.
Na nota em que anuncia as renúncias dos dois advogados, divulgada na sexta-feira, o BRB "reafirma que conduz suas atividades com responsabilidade, ética e transparência, e reitera seu compromisso de manter seus acionistas e o mercado devidamente informados sobre atos e fatos relevantes".
O Banco de Brasília começou a comprar carteiras do Banco Master na metade de 2024. A Polícia Federal apontou R$ 12,2 bilhões de créditos inexistentes — que, segundo as investigações, teriam sido adquiridos de janeiro a junho de 2025.
Em março de 2025, o Banco de Brasília tentou comprar o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central em setembro.
A PF investiga uma série de fraudes envolvendo essas operações. O Master foi liquidado, o dono da instituição, Daniel Vorcaro, ficou dez dias preso e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, indicado por Ibaneis, foi afastado do cargo e também é investigado.
O Conselho Fiscal não tem o poder de decidir sobre os negócios do BRB, mas tem o dever de fiscalizar os atos da gestão do banco. Seus membros podem pedir informações e questionar os resultados contábeis da instituição financeira. Os negócios com o Master foram aprovados pela diretoria e não foram questionados pelo Conselho Fiscal.
Procurado pela reportagem à época, Celivaldo Sousa disse não conhecer o fundo Borneo ou qualquer representante do Master. Ibaneis, a Reag, o fundo Borneo e os outros conselheiros não comentaram.
O governador Ibaneis Rocha indicou Juliana Monici, sua chefe de gabinete, para o Conselho Fiscal do BRB no dia 14 de novembro de 2024. Originalmente, sua indicação foi feita como representante dos acionistas preferencialistas, que não fazem parte do grupo controlador — que é o governo distrital.
Juliana foi eleita na ocasião. Mais tarde, o banco alegou um erro material na ata e corrigiu a indicação como representante do controlador.
Na mesma data, o governo indicou os advogados Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa para as vagas de membro efetivo e membro suplente do conselho, respectivamente. Os dois, porém, não foram eleitos nesse dia. O próprio Distrito Federal pediu a suspensão da deliberação de seus nomes até que o Comitê de Elegibilidade do BRB apresentasse parecer favorável.
No dia 12 de março de 2025, a assembleia foi retomada. A indicação de Juliana foi corrigida e ela passou a ser considerada representante do controlador. Foi então que o fundo Borneo FIP Multiestratégia, da Reag, que virou acionista do BRB, indicou Leonardo e Celivaldo para as vagas destinadas aos acionistas preferencialistas.
Os dois advogados disputaram a indicação com outra chapa, composta pelo acionista Leonardo Peixoto Estevão, que apresentou sua candidatura à vaga efetiva, e Cristiane Estevão, que concorreu como suplente.
Duas semanas depois, em 28 de março, o BRB formalizou uma oferta de compra de parte do Banco Master por R$ 2 bilhões.
O histórico revela uma mudança importante na configuração das cadeiras do conselho. Juliana passou de representante dos acionistas preferencialistas para representante do controlador (governo do DF), após a correção da ata. Leonardo e Celivaldo, que eram os nomes do governador, acabaram sendo eleitos por meio do fundo da Reag.
Além das relações fraudulentas com o Master por meio de teias de fundos, que são alvo da Operação Compliance Zero, a Reag também é investigada pela PF na Operação Carbono Oculto, por abrigar fundos usados por suspeitos de sonegação fiscal e envolvimento com o crime organizado no setor de combustíveis.
O fundo Borneo, administrado pela Reag, virou acionista do BRB em 2024, quando o BRB começou a comprar carteiras do Master, junto com Vorcaro. A participação deles no banco estatal foi revelada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo Estadão.
Investigadores suspeitam que a compra de ações do BRB serviu para inflar o banco do DF e, assim, permitir que ele comprasse carteiras do Master. A operação passou a ser investigada pela Polícia Federal por suspeita de fraude.
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