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Executivos do Master e do BRB, empresários e ex-dirigentes prestam depoimento à Polícia Federal nesta semana. O que está em jogo?

A Polícia Federal volta a apertar o cerco sobre o Caso Master nesta semana. A partir desta segunda-feira (26), a PF começa a ouvir oito investigados na operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Entre os investigados que vão depor estão diretores do Banco Master e do BRB, além de empresários e ex-executivos das empresas financeiras.
Os depoimentos seguem até terça-feira (27) e serão realizados por videoconferência ou na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), das 8h às 16h.
No centro das investigações está uma engrenagem financeira que, segundo as autoridades, teria sido montada para sustentar artificialmente a aparência de solidez do Banco Master — e viabilizar negócios que se apoiariam em ativos inflados, créditos sem lastro e estruturas consideradas enganosas pelo regulador.
A expectativa é que investigação se concentre em dois grandes blocos de operações.
O primeiro envolve a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas falsas ou sem lastro ao BRB. Essas operações estão no centro da suspeita de que o banco estatal do Distrito Federal teria absorvido ativos que não correspondiam à realidade financeira apresentada.
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O segundo bloco mira uma teia de fundos e ativos que, segundo o Banco Central, teriam sido inflados artificialmente para elevar o patrimônio do Banco Master. Essas operações envolveriam a gestora Reag DTVM e somariam outros R$ 11,5 bilhões.
Segundo as investigações, o conjunto dessas transações teria servido para maquiar o balanço do banco, criando uma imagem de robustez que permitia a continuidade da captação de recursos e a realização de novos negócios.
O pano de fundo da operação Compliance Zero remonta a março de 2025. No dia 28 daquele mês, o Banco de Brasília anunciou uma proposta para adquirir o Banco Master, com o objetivo de formar um novo conglomerado financeiro sob o controle da estatal do Distrito Federal.
Desde o início, porém, a operação levantou questionamentos no mercado e dentro do próprio regulador, especialmente em relação à qualidade dos ativos do Master e à real capacidade do BRB de absorver o negócio.
Após meses de análise, o Banco Central colocou um ponto final na transação. Em 3 de setembro, a autoridade monetária reprovou a compra.
A partir daí, o que era uma negociação frustrada passou a dar lugar a investigações mais profundas sobre a estrutura financeira do Banco Master e a atuação de seus executivos, em especial, o dono Daniel Vorcaro.
Nos anos que antecederam a intervenção, o Banco Master registrou um crescimento exponencial, impulsionado principalmente pela emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração acima da média do mercado.
A estratégia de venda era atrair investidores com retornos elevados, amparados pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo os investigadores, porém, o avanço acelerado da instituição não encontrava respaldo na qualidade de seus ativos.
As apurações avaliam que o balanço do banco apresentava ativos artificialmente inflados — seja por meio de fundos supostamente “turbinados”, seja por carteiras de crédito consignado consideradas frágeis — enquanto os passivos cresciam em ritmo ainda maior.
O objetivo aparente dessas operações, de acordo com a investigação, seria sustentar a narrativa de solidez financeira necessária para manter o fluxo de captação e viabilizar a venda do banco.
Nesta nova fase da operação Compliance Zero, a Polícia Federal vai ouvir executivos, empresários e ex-dirigentes ligados tanto ao Banco Master quanto ao BRB.
Estão entre os convocados:
A primeira etapa da operação chegou a prender o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no dia 17 de novembro de 2025, um dia antes de o BC determinar a liquidação do Master. Ele é acusado de liderar o esquema que vendeu créditos fictícios ao BRB. Vorcaro, porém, acabou solto.
Depois do Banco Master, foram liquidados a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Trust, no último dia 15, e o will bank, na quarta-feira passada (21).
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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