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O brasileiro chega à empresa holandesa com o desafio de colocar a empresas nos trilhos do crescimento, com um mercado de cerveja em desaceleração

A Heineken, segunda maior cervejaria do mundo, tem uma nova liderança. A companhia anunciou nesta terça-feira (23) o brasileiro Rafael Oliveira como novo presidente-executivo global da empresa.
Com início previsto em 1º de outubro, Oliveira assume a vaga aberta após a renúncia de Dolf van den Brink do cargo em janeiro deste ano, devido a vendas em queda e investidores insatisfeitos.
Para assumir a vaga na cervejaria holandesa, ele deixa o cargo de CEO da JDE Peet’s, maior empresa do mundo exclusivamente dedicada a café e chá, onde atuava como presidente-executivo global desde 2024.
Segundo comunicado, o conselho de supervisão indicará o executivo para um um período de quatro anos, e a decisão deve ser tomada durante uma Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas no dia 5 de agosto.
“Estamos muito satisfeitos em dar as boas-vindas ao Rafa à Heineken. Ele é um líder dinâmico e visionário, com um histórico excepcional de liderança em empresas globais de bens de consumo e de entrega de crescimento transformacional", declarou Peter Wennink, presidente do conselho de supervisão da Heineken.
Ao longo de sua carreira, o executivo "transformou consistentemente desafios complexos em prioridades organizacionais claras, alinhando equipes em torno do que realmente importa e promovendo uma execução disciplinada da estratégia", diz o comunicado.
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“Minha família e eu estamos satisfeitos com o rigoroso processo global de seleção que levou à indicação de Rafa como CEO. Acreditamos que sua comprovada capacidade de transformar estratégia em execução disciplinada, sua forte liderança de pessoas e sua visão estratégica clara são as qualidades necessárias para se tornar um excelente CEO da Heineken”, afirmou Charlene de Carvalho-Heineken, conselheira e herdeira da empresa que leva o nome de sua família.
"Sinto-me honrado e entusiasmado por ingressar na Heineken, uma das empresas e dos portfólios de marcas mais icônicos do mundo", disse o brasileiro.
O brasileiro chega à empresa holandesa com o desafio de colocar a empresas nos trilhos do crescimento em um cenário de surgimento de novos concorrentes, efeitos dos medicamentos para perda de peso e mudanças no consumo de álcool, especialmente entre os jovens.
Em fevereiro, a companhia anunciou um corte de até 6 mil postos de trabalho ao longo dos próximos dois anos, o equivalente a quase 7% da sua força global, hoje estimada em 87 mil funcionários. Parte dos cortes deve se concentrar na Europa e em mercados com menor potencial de expansão.
A medida faz parte de um plano para tornar a operação mais enxuta em um momento em que o consumo dá sinais claros de desaceleração.
No papel, o lucro operacional ajustado avançou 4,4% em 2025, para 4,385 bilhões de euros. Mas o dado que realmente dita o rumo da indústria é o volume — e esse esfriou. No quarto trimestre, os volumes consolidados de cerveja recuaram 1,7%. No acumulado do ano, a queda foi de 1,2%.
O discurso para 2026 também veio mais comedido. A empresa projeta agora crescimento de lucro entre 2% e 6%, abaixo da faixa de 4% a 8% prevista anteriormente no guidance para 2025.
O enfraquecimento do mercado, contudo, não é exclusivo da Heineken. Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o consumo de cerveja no país acumulou queda entre 6,5% e 7% em volume de janeiro a setembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024.
Segundo Oliveira, a estratégia EverGreen 2030 da Heineken oferece uma plataforma poderosa para o futuro. “Estou confiante de que aceleraremos o crescimento, aumentaremos a produtividade e prepararemos a Heineken para o futuro, conquistando consumidores em todo o mundo”, concluiu.
Formado em Economia pela PUC-SP, Rafael Oliveira tem 52 anos e um MBA Internacional pela Universidade de Chicago. Ele começou sua carreira como analista no Banco Icatu e do Banco BBA-Creditanstalt no Brasil, seguindo para um período de 10 anos no Goldman Sachs antes de assumir o cargo de CEO para a Austrália e Nova Zelândia na Kraft.
De acordo com o comunicado ao mercado, Oliveira “é um executivo internacional altamente respeitado no setor de bens de consumo”, com mais de duas décadas de experiência em liderança transformacional em mercados desenvolvidos e emergentes.
“Na JDE Peet’s, Rafa aprimorou a estratégia da companhia, restabeleceu o foco e o crescimento lucrativo, entregando resultados sólidos e significativa geração de valor para os acionistas”, afirma a Heineken no material de anúncio.
Antes da JDE Peet’s, Rafael passou uma década na The Kraft Heinz Company, chegando ao cargo de presidente de mercados internacionais e supervisionando um portfólio superior a US$ 7 bilhões distribuído pela Europa, África, Ásia-Pacífico e América Latina.
Com Money Times
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