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CASO BANCO MASTER

Ex-presidente do BRB usou fundos de gestora investigada por elo com o PCC para ocultar propina paga por Daniel Vorcaro, diz PF

O valor total da propina chegaria a R$ 146 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos ao então presidente do banco

Banco Master e Banco de Brasília (BRB)
Banco Master e Banco de Brasília (BRB). - Imagem: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro

A Polícia Federal (PF) está desenrolando o emaranhado que envolve as atividades do banqueiro Daniel Vorcaro e, dessa vez, o fio levou ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

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Após prender o ex-presidente do banco estatal ontem (16), a PF informou que ele teria usado fundos geridos pela Reag Investimentos para viabilizar e ocultar o pagamento de propina feitos por Vorcaro na forma de seis apartamentos de luxo.

De acordo com a investigação, valor total chegaria a R$ 146 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos ao então presidente do banco. A propina tinha como objetivo garantir a compra de carteiras de crédito fraudulentas e inexistentes do Banco Master pelo BRB.

O advogado de Paulo Henrique Costa afirmou que a defesa “continua firme na convicção de que ele não praticou crime algum”.

A prisão do ex-presidente do BRB faz parte da quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes do banqueiro Daniel Vorcaro e do Banco Master.

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Quem é a Reag Investimentos?

Segundo relatórios de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Reag tem “sérios problemas de controles internos e de governança”.

A gestora, que custodiava ativos do Master, realizou uma manobra contábil que permitiu ao banco abater artificialmente cerca de R$ 560 milhões do valor devido ao BRB em compensações por operações fraudulentas.

A Reag Investimentos também foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. A gestora é investigada por estruturar fundos de investimento usados para lavagem de dinheiro bilionária do PCC no setor de combustíveis.

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Os gestores da Reag, liquidada pelo Banco Central em janeiro, negam os atos ilícitos.

O esquema do ex-presidente do BRB e Vorcaro

A estratégia de Vorcaro para garantir a aquisição dos créditos podres pelo BRB consistia no repasse a Paulo Henrique Costa, de forma oculta, de quatro imóveis em São Paulo e dois em Brasília, a título de propina, segundo a PF.

A PF também detectou que Vorcaro suspendeu a transferência dos imóveis em maio de 2025, após receber informações de que os fatos estavam sob apuração do Ministério Público Federal.

Para viabilizar o esquema e esconder a origem dos recursos, Vorcaro e Henrique Costa teriam utilizado fundos ligados à Reag Investimentos e de empresas de fachada.

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De acordo com os investigadores, essas empresas eram “de prateleira”, ou seja, já existiam formalmente e foram adquiridas e adaptadas para a operação de blindagem patrimonial. Em pouco tempo, tiveram nome, atividade, endereço e quadro societário alterados para atuar como intermediárias nas transações relacionadas à propina.

Na prática, segundo a PF, o dinheiro saía de fundos ligados à Reag, passava por essas empresas e era usado na compra dos imóveis.

Esse caminho dificultava o rastreamento dos recursos e escondia quem eram os verdadeiros beneficiários, criando uma aparência de legalidade para valores de origem ilícita.

Ainda segundo a investigação, o diretor indicado para administrar as empresas titulares dos imóveis foi Hamilton Edward Suaki, cunhado do advogado Daniel Monteiro, que também foi preso preventivamente na quinta-feira.

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Monteiro é descrito pelos investigadores como o responsável pela estrutura jurídico-financeira do esquema do dono do Banco Master.

A defesa dele informou que “sua atuação sempre se deu de forma estritamente técnica, na condição de advogado do Banco Master e de diversos outros clientes, sem qualquer participação em atividades alheias ao exercício profissional. Daniel está à disposição da Justiça e confia que os fatos serão integralmente esclarecidos”.

Já a PF afirma, em documento, que "para operacionalizar o pagamento e ocultar a titularidade real dos bens, teriam sido mobilizados fundos de investimento geridos pela Reag, bem como empresas de fachada, atribuídas formalmente a interpostas pessoas, entre elas o cunhado de Daniel Monteiro”.

“A movimentação dos valores ocorre, sobretudo, por meio da utilização de fundos de investimento da Reag e ainda não é de pleno conhecimento todas as transações realizadas pelo grupo criminoso”, diz a decisão do ministro André Mendonça, que autorizou as diligências.

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A atuação do ex-presidente do BRB no esquema

A documentação policial revela também que os imóveis eram tratados como um “cronograma pessoal” de Paulo Henrique Costa.

Segundo a investigação, ele visitava e validava os bens selecionados, cobrava o andamento das aquisições e chegou a demonstrar preocupação com a ausência da papelada formal do arranjo.

Para os investigadores, a apreensão do ex-presidente do BRB indica que ele tinha ciência do “caráter dissimulado da operação”.

No decorrer dos diálogos, Paulo Henrique Costa acerta com Vorcaro a negociação dos imóveis ao mesmo tempo em que atende a demandas do banqueiro relacionadas às tratativas do BRB com o Banco Master.

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*Com informações do Estadão Conteúdo.

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