Este jovem da geração Z percebeu uma lacuna no mercado e fundou uma empresa de moda streetwear que faturou R$ 215 milhões
Aos 24 anos, Oscar Rachmansky é fundador do OS Group, negócio que oferece calçados e roupas de marcas consolidadas

A moda streetwear está no centro da trajetória de Oscar Rachmansky, fundador do OS Group, empresa atacadista especializada na distribuição de calçados e roupas de marcas consolidadas do segmento.
Aos 24 anos, o empreendedor da geração Z construiu um negócio de alcance internacional apostando em uma leitura própria do mercado e em decisões pouco convencionais para sua idade.
Com sede em New Jersey, nos Estados Unidos, o OS Group registrou em 2025 uma receita de US$ 40 milhões em vendas — cerca de R$ 215 milhões, na cotação atual — consolidando-se como um dos players relevantes no atacado de moda streetwear.
A inclinação para o empreendedorismo apareceu cedo: aos 4 anos de idade, ele decidiu vender sementes de girassol. Na adolescência, passou a comprar e revender tênis como uma atividade paralela, sem qualquer vínculo com moda ou com o universo do streetwear.
“Eu certamente não tinha nenhum interesse em moda, tênis ou qualquer coisa do tipo”, diz em entrevista ao Business Insider.
Lacuna no mercado de moda virou oportunidade
Durante o ensino médio, ao se aprofundar no funcionamento do mercado de revenda, Rachmansky identificou uma lacuna. Segundo ele, o setor concentrava seus esforços quase exclusivamente no consumidor final, enquanto o segmento B2B da moda streetwear seguia pouco estruturado.
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“Ninguém estava prestando atenção ao lado B2B desse setor. E é isso que impulsiona todo o mercado", afirma.
Segundo o empreendedor, o nível de fragmentação da cadeia de suprimentos fazia com que varejistas enfrentassem dificuldades recorrentes para acessar estoque. Para Rachmansky, essas ineficiências indicavam espaço para crescimento em escala.
Com a chegada da pandemia de Covid-19, porém, o mercado de revenda perdeu força. O empreendedor afirma que o negócio deixou de gerar receita naquele período, o que o levou a considerar abandonar o projeto.
Em 2021, o cenário mudou. As interrupções na cadeia global de suprimentos reduziram a produção de tênis. Ao mesmo tempo, os preços de revenda de marcas como Nike, Jordan e Adidas passaram a superar em duas ou três vezes o valor praticado no varejo.
Diante desse contexto, Rachmansky reinvestiu cerca de US$ 30 mil, acumulados com a revenda de tênis, na expansão da OscarSoles — nome que mais tarde daria lugar ao OS Group.
O que começou em um quarto evoluiu para uma operação com cerca de 30 funcionários, responsável pela distribuição mensal de aproximadamente 25 mil itens a partir de um centro de distribuição em Nova Jersey.
Segundo o fundador, a intenção inicial sempre foi ter um negócio próprio, ainda que o foco em tênis não estivesse nos planos originais.
Crescimento, equipe e ajustes de gestão
A expansão trouxe também desafios de gestão. Nos primeiros anos, o fundador relata jornadas de até 15 horas diárias, guiadas pela ideia de que mais tempo de trabalho resultaria automaticamente em melhores resultados.
“Sempre associei o resultado ao esforço — mais horas equivalem a um resultado melhor”, afirma. Com o tempo, ele reviu essa lógica, priorizando contratações capazes de agregar valor e estruturar a operação.
"Temos sido muito criteriosos nas nossas contratações”, afirma o empreendedor, destacando a busca por profissionais abertos ao aprendizado e com capacidade de adaptação.
Hoje, Rachmansky afirma que o objetivo é ampliar o escopo do OS Group para além do comércio de calçados e do volume de transações. A estratégia envolve posicionar a empresa como um parceiro operacional de longo prazo para o setor, com a oferta de serviços como financiamento, logística e software, a partir da infraestrutura já existente.
“Nós realmente nos vemos como um parceiro operacional de verdade para este setor”, disse, ao mencionar a ambição de construir “todo o ecossistema B2B”.
Com uma rotina menos intensa do que no início da empresa, ele afirma ter alcançado maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. “Um medo que me motiva é o de não conseguir fazer tudo o que quero na vida”, disse.
Ele tem o plano de viajar com mais frequência. “Meu dia dos sonhos daqui a 10 anos provavelmente será acordar em um lugar diferente de onde eu estava na semana anterior.”
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