Credores avaliam cisão na Raízen (RAIZ4) e exigem aporte maior das controladoras Cosan (CSAN3) e Shell, diz jornal
Bancos credores e os detentores de títulos de dívida estão entendendo que segregar os negócios de usinas e os de distribuição de combustíveis pode ter um sentido econômico relevante para todos

Entre as propostas para salvar a Raízen (RAIZ4), em recuperação extrajudicial, estava a cisão da empresa. De um lado, ficariam os ativos voltados à produção de açúcar e etanol e, de outro, as operações de combustíveis.
Essa proposta já havia sido pensada pela Cosan e por fundos do BTG em fevereiro e apresentada à britânica Shell. A Shell e a Cosan hoje detêm 44% do capital da Raízen cada uma, com os 12% restantes nas mãos do mercado.
Agora, os bancos credores e os detentores de títulos de dívida estão entendendo que segregar os negócios de usinas e os de distribuição de combustíveis pode ter um sentido econômico relevante para todos, apurou a Broadcast/Estadão.
A leitura é a de que pode ser mais fácil chegar a alternativas de saída aos credores, como a chegada de outros investidores ou a realização de transações em bolsa.
Além disso, ainda não se desistiu da ideia de buscar algum aporte da Cosan no aumento de capital da Raízen, medida que fontes próximas à companhia dizem não ser possível, exceto com a participação de um terceiro sócio, como havia sido proposto, anteriormente, com o BTG Pactual.
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Com a separação dos negócios, o porcentual de dívida que terá de ser convertido em ações pode diminuir, o que diminuiria a diluição sobre os acionistas minoritários.
O que está sendo proposto pela Shell nas conversas atuais é a conversão em ações de 40% a 50% das dívidas de bancos e investidores que compraram títulos emitidos pela empresa, como bonds, debêntures e certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs), também segundo a apuração do Broadcast.
Com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas envolvidas, o pedido da Raízen se torna o maior processo de recuperação extrajudicial em andamento no Brasil neste momento.
Credores exigem aporte maior na Raízen
As controladoras da Raízen estão travando uma queda de braço a respeito da capitalização da companhia. A fabricante de açúcar e etanol confirmou no início de março que está analisando a proposta de uma contribuição de capital de R$ 4 bilhões.
A maior parte desse valor virá do grupo britânico Shell, que se comprometeu com uma injeção de R$ 3,5 bilhões. Outros R$ 500 milhões virão de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos S.A., ligada à família de Rubens Ometto Silveira de Mello, acionista controlador da Cosan (CSAN3).
No entanto, o Broadcast apurou que os credores, especialmente os bancos, têm insistido em uma capitalização maior dos acionistas, no caso Shell e da Cosan. Agora, a cifra total que acreditam ser necessária varia de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões. Inicialmente, chegaram a exigir R$ 25 bilhões.
Procuradas pelo Broadcast, Shell, Cosan e Raízen não comentaram.
Conteúdo Empiricus
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