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Em meio às especulações, o Banco de Brasília respondeu sobre rumores de aporte bilionário e deu detalhes de sua situação financeira
Desde que a crise no Banco Master veio à tona, o mercado passou a se questionar até onde vai o impacto desse episódio para o Banco de Brasília (BRB). Afinal, foi o BRB que, no ano passado, tentou adquirir a instituição comandada por Daniel Vorcaro — operação barrada pelo Banco Central — e acabou ficando com carteiras de crédito que, mais tarde, foram apontadas como fraudulentas.
Nos últimos dias, relatos da imprensa especializada passaram a levantar a hipótese de que o BRB poderia precisar de uma injeção de capital bilionária para continuar de pé. Segundo a CNN, o banco controlado pelo governo do Distrito Federal precisaria de um aporte de até R$ 4 bilhões para recompor seu balanço.
Diante das especulações, o BRB decidiu vir a público. Na tarde desta segunda-feira (19), a instituição afirmou que “possui plena capacidade de recompor seu capital, caso venham a ser confirmados eventuais prejuízos decorrentes de determinadas operações”.
O banco também destacou que mantém um plano de capital estruturado para cenários de estresse — plano que, segundo a própria instituição, não precisou ser acionado até agora.
Além disso, o BRB negou ter recebido qualquer comunicação formal ou determinação específica do Banco Central ou de outros órgãos reguladores exigindo um aporte de capital.
A reação do banco ocorre após o colunista Lauro Jardim, de O Globo, informar que o BRB teria recebido uma carta do Banco Central alertando para uma suposta insuficiência patrimonial, atribuída às transações financeiras com o Banco Master.
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De acordo com a coluna, o BC também teria exigido uma capitalização por parte do controlador — o governo do Distrito Federal.
Em março do ano passado, o BRB chegou a apresentar uma proposta para a compra do Banco Master. O negócio, no entanto, foi vetado pelo Banco Central.
No entanto, meses depois, investigações abertas contra o Master passaram a apurar a existência de um esquema que pode ter causado prejuízos superiores a R$ 10 bilhões à instituição financeira.
No meio desse processo, vieram à tona as carteiras adquiridas pelo BRB, que continham documentação fora dos padrões exigidos.
É nesse contexto que se desenrola a discussão sobre uma eventual insuficiência patrimonial do Banco de Brasília.
Em novembro, o banco público afirmou ter recuperado a maior parte dos recursos. Segundo comunicado divulgado à época, dos R$ 12,76 bilhões de exposição bruta relacionados a essas carteiras, mais de R$ 10 bilhões já haviam sido “liquidados ou substituídos”, e o saldo remanescente não configuraria exposição direta ao Banco Master.
No entanto, no fim de 2025, em uma acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que cerca de R$ 2 bilhões não puderam ser recuperados antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Na semana passada, o banco voltou à mesa de negociações. O BRB se reuniu com o liquidante do Banco Master em mais uma tentativa de reaver recursos que pertenciam à instituição, em meio às operações da Polícia Federal que investigam o Caso Master.
Em nota, o BRB destacou que a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 14, poderia reforçar esse esforço. Segundo o banco, o bloqueio de bens na operação amplia as chances de devolução de recursos e fortalece as medidas de recuperação.
Ao Estadão, o BRB afirmou que “os possíveis prejuízos ligados à compra de carteiras do Banco Master ainda estão em apuração pelo Banco Central e pela auditoria independente”.
Além das apurações conduzidas pelas autoridades, o caso também é alvo de uma investigação forense independente, liderada pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da consultoria Kroll.
Caso perdas sejam confirmadas, a instituição afirma que “já possui plano de capital que prevê aporte através de vários instrumentos de recomposição de capital”.
“O BRB reafirma que segue sólido, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões, operando normalmente e assegurando todos os serviços financeiros”, disse o banco em nota.
*Com informações da CNN e do Estadão.
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