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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

CRISE DE LIQUIDEZ

Do CDB turbinado à liquidação: Banco Central põe fim ao Banco Pleno, ligado a ex-sócio do Banco Master

Antigo Banco Voiter, instituição enfrentava deterioração de liquidez; bens dos administradores ficam bloqueados

Camille Lima
Camille Lima
18 de fevereiro de 2026
7:40 - atualizado às 9:20
Escritório do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central.
Escritório do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central. - Imagem: Reprodução site

Pouco depois de assumir a liderança entre os CDBs mais rentáveis do país, o Banco Pleno acaba de ter um desfecho conhecido: a liquidação extrajudicial.

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O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (18), o encerramento das atividades da instituição, que já integrou o conglomerado do Banco Master, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o regulador, o banco apresentava comprometimento de sua situação econômico-financeira, com deterioração da liquidez e descumprimento de normas regulatórias.

A decisão também atinge a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM). Ambas compõem o conglomerado prudencial Pleno. 

Além disso, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição. 

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Banco Pleno: do CDB turbinado à intervenção

Até pouco tempo atrás, o nome do Banco Pleno aparecia em outro tipo de ranking. Após a liquidação do Banco Master, o Pleno passou a liderar, em janeiro, a lista de CDBs mais rentáveis do país.

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Segundo levantamento feito pela plataforma Quantum Finance, o Pleno oferecia papéis com rentabilidade de 108% do CDI em um CDB com vencimento em três meses — uma taxa alta para o mercado. Além disso, o vencimento em 12 meses recebe a mesma taxa, e o vencimento em três anos é só um pouco maior: 110% do CDI.

Lembrando que a taxa paga por um título de renda fixa, seja ele um CDB ou uma LCA, é definida pela relação de risco e retorno atribuído ao emissor e à sua dívida. Via de regra, quanto maior a remuneração, maior o risco do investimento.

O risco pode estar em vários fatores: prazo longo demais, menor liquidez ou, como o caso sugere agora, fragilidade financeira da instituição.

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Em reportagem especial publicada no fim de janeiro, o Seu Dinheiro já havia alertado para sinais de maior risco de crédito no Banco Pleno.

O que levou à liquidação? 

Em nota, o Banco Central afirmou que a liquidação do Pleno foi motivada pelo "comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central”. 

Em outras palavras, a decisão indica que o banco já não apresentava condições de operar de forma regular e segura, tanto sob a ótica financeira quanto regulatória. 

É preciso dizer que não há informações públicas atualizadas sobre a situação financeira do Pleno nos últimos trimestres. Porém, a deterioração de liquidez acabou sendo determinante para a decisão do regulador.

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O último balanço disponível do Banco Pleno remonta a dezembro de 2024, quando a instituição ainda era conhecida como Banco Voiter.

Naquele momento, a carteira de crédito expandida somava R$ 2,1 bilhões. As operações com atraso superior a 90 dias representavam 1,23% do total, e o resultado líquido era um lucro de R$133 milhões.

De todas as formas, o Banco Central informou que seguirá apurando responsabilidades dentro de suas competências legais. 

Segundo o regulador, o resultado dessas investigações poderá levar à aplicação de sanções administrativas e à comunicação do caso às autoridades competentes, conforme previsto na legislação. 

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Do Voiter ao Pleno: a ligação com o Master 

O Banco Pleno nasceu como Banco Voiter, em 2019, e pertencia, até pouco tempo atrás, ao conglomerado Master. 

Em seu site institucional, a instituição afirma ter surgido “a partir do inconformismo ao perceber que o mercado demandava um banco com visão moderna e consultiva”, assumindo o desafio de desenvolver um “novo conceito de banco de atacado”.

No LinkedIn, o Pleno se apresenta como "um Banco com a sua alma"; na descrição do perfil, consta apenas que está "em construção".

Vale dizer que o Pleno era a última "ponta solta" da ofensiva do Banco Central contra o grupo de Daniel Vorcaro, já que havia se desprendido dos negócios do conglomerado ainda no ano passado.

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Antes da liquidação do grupo Master, a instituição foi vendida ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Lima foi preso no mesmo dia que Vorcaro e é investigado no mesmo inquérito relacionado ao conglomerado.

O impacto da liquidação para o sistema e os investidores de CDBs

Do ponto de vista sistêmico, a expectativa é de impacto limitado para a liquidação do Banco Pleno. 

Afinal, o conglomerado Pleno representa apenas 0,04% do total de ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN), segundo dados oficiais.  

De acordo com o BC, trata-se de uma instituição de porte reduzido, sem potencial de contágio relevante para o restante do sistema. 

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Do lado dos investidores, o impacto está na casa dos bilhões. Segundo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o Banco Pleno tem uma base de cerca de 160 mil credores que poderão receber o pagamento da garantia. No total, as restituições devem beirar os R$ 4,9 bilhões.

Lembrando que o FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, em instrumentos como conta-corrente, poupança, CDB, LCI e LCA, considerando cada instituição ou conglomerado prudencial.

Além disso, existe um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, válido em caso de múltiplas quebras de instituições no mesmo período.

Tudo o que ultrapassar esses limites fica fora da proteção. 

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Procurada, a assessoria de imprensa do Banco Pleno não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto. 

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