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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

VOANDO PARA FORA DA TURBULÊNCIA

Azul (AZUL54) ganha aval do Cade para avançar em acordo estratégico em meio à recuperação judicial nos EUA

O órgão aprovou, sem restrições, a entrada de um novo acionista na Azul, liberando a aquisição de participação minoritária pela United Airlines. A operação envolve um aporte de US$ 100 milhões, ocorre no âmbito do Chapter 11 nos Estados Unidos

Bia Azevedo
Bia Azevedo
2 de janeiro de 2026
16:00 - atualizado às 14:16
Avião da companhia de aviação Azul decolando, com torre de comando ao fundo
Imagem: Divulgação

A Azul (AZUL54) segue tentando ganhar altitude para sair da zona de turbulência que tem marcado sua trajetória recente. O capítulo mais novo dessa jornada veio nesta semana, com um sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a uma operação estratégica da companhia.

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A Superintendência-Geral do órgão aprovou, sem restrições, ato de concentração entre as empresas aéreas United Airlines e Azul. De acordo com o parecer sobre o negócio, a operação consiste na aquisição, pela norte-americana, de uma participação minoritária do capital social da brasileira.

Na transação, a United Airlines se comprometeu a adquirir aproximadamente US$ 100 milhões em ações ordinárias da Azul, o que representará um acréscimo nos direitos econômicos de 2,02% para aproximadamente 8%.

Mais um passo para a Azul

A aquisição faz parte da reestruturação societária da Azul nos Estados Unidos, sob o denominado Chapter 11 [lei de falências de lá], iniciado pela Azul em maio de 2025. A reestruturação visa reduzir a dívida financiada da empresa e assegurar recursos de liquidez imediata, prevendo ainda a emissão de novas ações, cita o documento.

O negócio faz parte das negociações amplas com credores, reforçando o caixa, melhorando a liquidez e ajudando a reduzir as incertezas.

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O parecer esclarece que a entrada de capital ocorre por duas operações distintas, mas coordenadas: uma oferta pública de ações de até US$ 650 milhões, aberta ao mercado e já aprovada pela Justiça dos EUA; e um aumento de capital separado, direcionado a parceiros estratégicos, como a United Airlines, responsável por um aporte específico de US$ 100 milhões.

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Os últimos capítulos dessa saga

No início de dezembro, a aérea recebeu a aprovação da Justiça norte-americana para o plano de recuperação judicial, que prevê justamente a conversão de grande parte da dívida pré-existente em ações e permite captação de recursos com a venda de novos papéis.

Alguns dias depois, o conselho de administração da Azul convocou uma assembleia geral extraordinária e uma assembleia especial em 12 de janeiro de 2026 para deliberar sobre o fim de suas ações preferenciais e transformar todo o capital da companhia em ações ordinárias, movimento que também faz parte do plano de recuperação judicial.

A proposta da companhia prevê que cada ação preferencial (AZUL4) seja convertida em 75 ações ordinárias (AZUL3). Segundo o comunicado ao mercado, a proporção foi estabelecida pela administração com base na relação econômica existente entre os dois tipos de papel.

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Vale lembrar que a principal diferença é que a ação preferencial concede direito de preferência no recebimento de dividendos, enquanto a ordinária dá direito a voto em assembleias.

Para que se concretize, a proposta precisa da aprovação de dois grupos, que deverão se posicionar nas assembleias marcadas para o mesmo dia. Aqueles que detêm ações preferenciais devem aprovar a conversão, enquanto os acionistas ordinários precisam confirmar a decisão.

Também cabe lembrar que hoje as ações da companhia estão sendo negociadas em lotes de 10 mil papéis, sob o ticker AZUL54, também como parte de uma reestruturação bilionária.

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