Nubank (ROXO34): mercado aperta “vender”, XP manda “comprar” — e vê rali de mais de 50% para as ações
Na visão de analistas, preço dos papéis caiu em Wall Street, mas fundamentos não. Veja o que está por trás da recomendação

Poucas ações dividem tanto as opiniões quanto o Nubank (NU; ROXO34). O banco digital sempre foi uma espécie de “ame-o ou deixe-o”. De um lado, os entusiastas do crescimento exponencial; do outro, os céticos com o valuation esticado. Mas, enquanto o mercado apertou o botão de venda, a XP Investimentos decidiu ir na contramão.
Após um tombo de quase 20% das ações em Wall Street desde o início do ano, a corretora decidiu que era hora de abandonar a recomendação neutra e carimbar o papel com um selo de compra.
O novo preço-alvo de US$ 21,00 para as ações NU listadas em Nova York implica um potencial de valorização de 55,4% em relação ao último fechamento.
Para o investidor brasileiro, o alvo para o BDR negociado na B3 sob o ticker ROXO34 foi fixado em R$ 18,60, o que representa um retorno potencial superior a 55%.
Mas o que sustenta essa confiança? Na visão da XP, o recuo recente abriu uma janela rara: a "combinação atraente de oportunidades de crescimento estrutural, melhor visibilidade de lucros e um valuation pouco exigente".
Nubank: XP vê oportunidade no "descompasso"
Para os analistas, o mercado exagerou na dose. Afinal, o que faz uma ação cair 20% sem que os fundamentos ou as perspectivas para lucro tenham mudado? Na leitura da XP Investimentos, isso costuma ser sinônimo de oportunidade.
Leia Também
Isso porque a queda de cerca de 20% das ações não veio acompanhada de revisões relevantes nas estimativas de lucro do Nu. Pelo contrário: os pilares operacionais seguem intactos — e, em alguns casos, até mais evidentes.
Segundo a XP, o movimento recente da fintech diz mais sobre o ambiente macroeconômico do que sobre o banco digital em si.
O resultado é que a ação agora negocia em múltiplos historicamente baixos, de cerca de 12 vezes o lucro projetado para 2027.
"Vemos o nível atual como um ponto de entrada atraente em um negócio que combina múltiplos motores de crescimento com alta rentabilidade estrutural", afirmam os analistas.
- Leia também: O ‘roxinho’ ficou barato? UBS eleva recomendação do Nubank e vê oportunidade de valorização à frente
O vento a favor vindo do bolso do brasileiro
Ainda que o valuation abra a porta, o que sustenta a recomendação é o que vem pela frente. A XP aposta que 2026 será o ano dos catalisadores para o Nubank, tanto do lado macro quanto micro, que podem destravar crescimento e lucros ao mesmo tempo.
Um dos principais gatilhos apontados pela XP está na renda do brasileiro. A proposta de reforma do Imposto de Renda, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil, pode colocar mais dinheiro no bolso de cerca de 16 milhões de pessoas — uma fatia relevante da base de clientes do banco digital.
Na prática, isso pode significar até R$ 300 a mais por mês para essas famílias, segundo a XP — um alívio que tende a melhorar a qualidade do crédito e abrir espaço para expansão mais segura das carteiras.
"Este cenário macro deve apoiar um ambiente de crédito controlado, favorecendo credores com forte exposição a empréstimos pessoais e crédito granular, como o Nubank", diz a XP, em relatório.
Os três pilares de crescimento do Nubank
Para a XP, o Nubank deixou de ser apenas um banco de cartão de crédito há muito tempo. A tese de compra dos analistas se sustenta em três novos motores de crescimento:
- Crédito consignado: O banco está escalando em linhas de crédito mais seguras, como o crédito consignado, incluindo o privado e INSS, que tende a ter inadimplência mais baixa e retornos ainda atrativos, com ROEs na casa dos 30%.
- O "oceano azul" das PMEs: O mercado de pequenas e médias empresas, ainda pouco explorado pelo Nubank, representa um mercado potencial de cerca de R$ 730 bilhões — e, mais importante, que permanece subatendido pelos bancos tradicionais, na visão da XP
- A alavanca internacional: A operação no México está ganhando corpo mais rápido que o esperado e se aproximando do breakeven, com crescimento acelerado da carteira, melhora de margens e inadimplência controlada. Para a XP, o México está no caminho de se tornar um contribuinte relevante de retorno sobre o capital — algo que pode surpreender o mercado nos próximos trimestres.
“Mesmo em um cenário de compressão gradual de spreads, nossa análise indica que os empréstimos para PMEs ainda podem gerar retornos atrativos, reforçando esse segmento como uma frente relevante e rentável de crescimento”, afirmam os analistas.
Outro ponto que reforça a tese é o uso mais intensivo de tecnologia. A aquisição da Hyperplane ampliou o uso de inteligência artificial na concessão de crédito. Isso permitiu que o Nubank aumentasse os limites não utilizados de US$ 18 bilhões para US$ 29 bilhões.
Embora isso gere uma pressão temporária no custo de crédito, já que provisões precisam ser feitas antes de a receita entrar, a XP vê isso como um "investimento deliberado" para garantir lucros sustentáveis à frente.
Nem tudo é "roxo": os riscos no radar
A visão otimista não significa ausência de riscos. Para a XP, a qualidade do crédito é vista como o ponto de preocupação número um para o Nubank.
Se a inadimplência disparar acima do esperado devido a uma deterioração macroeconômica, o impacto no lucro seria direto.
Além disso, a concorrência acirrada pressionando spreads e elevação do custo de funding são alguns dos fatores que podem afetar a tese.
Além disso, a expansão internacional — especialmente em mercados ainda em fase inicial — traz incertezas naturais.
CASA NOVA?
Tenda (TEND3) ‘pega as chaves’ da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida; o que a construtora busca no andar de cima
1 de outubro de 2026 - 14:15O QUE AINDA FALTA?
Queridinha do Barsi, Paranapanema (PMAM3) fecha acordo que acaba com boa parte da dívida bilionária, mas recuperação judicial segue
1 de outubro de 2026 - 13:03FUTURO DA 'FILHA DO DIVÓRCIO'
Todo mundo quer a Farm: ações da Azzas 2154 (AZZA3) lideram as altas no Ibovespa com chuva de propostas no radar
1 de outubro de 2026 - 12:38APOSTAS SAÍRAM DO CARRINHO
Com proibição das bets, duas ações do varejo podem ser as mais beneficiadas, mas Eleven faz alerta para a recuperação do setor
1 de outubro de 2026 - 12:12ROXINHO NÃO VAI ÀS COMPRAS?
Nubank (ROXO34) nega compra bilionária de fintech britânica Monzo após tombo em NY; ações sobem forte no pré-mercado
1 de outubro de 2026 - 9:35PANDA BONDS
A operação bilionária da Vale (VALE3) na China: mineradora conta os planos dessa estreia
30 de setembro de 2026 - 19:53BANCOS
Dia cheio no Bradesco (BBDC4): de R$ 3,8 bilhões em JCP a leilão de sobras de ações até o “Pix” internacional
30 de setembro de 2026 - 19:33QUEM SOBE QUANDO OS JUROS CAEM?
JP Morgan aumenta pessimismo com Natura (NATU3) e corta recomendação; veja as varejistas preferidas do banco para surfar o rali eleitoral
30 de setembro de 2026 - 12:10CORTANDO ONDE DÁ
Como o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) quer transformar uma despesa milionária em fonte de receita em meio à recuperação
30 de setembro de 2026 - 10:53REESTRUTURAÇÃO CORPORATIVA
Raízen (RAIZ4) quer trocar o conselho, mexer no capital e entregar até R$ 35 bilhões em novos papéis aos acionistas
30 de setembro de 2026 - 10:33GOVERNANÇA
CEO bumerangue: por que empresas, como Natura e Ri Happy, trazem antigos líderes de volta — e quando isso vira um sinal de alerta
30 de setembro de 2026 - 6:12CHEQUE EM BRANCO
Do sonho de construir um ‘avião de ponta-cabeça’ ao banco do futuro: o que o CEO da Revolut prevê para o seu dinheiro
29 de setembro de 2026 - 19:42GATILHO BILIONÁRIO
IRB (IRBR3): nova lei reduz impostos e pode liberar vantagem bilionária para a resseguradora
29 de setembro de 2026 - 14:11DANÇA DAS CADEIRAS
Copasa (CSMG3) troca liderança e aumenta poderes do governo de MG com a golden share; entenda as mudanças
29 de setembro de 2026 - 10:21MAIS UMA FRONTEIRA
BTG Pactual (BPAC11) conquista licença de banco no Peru e acelera expansão internacional; veja o que muda
29 de setembro de 2026 - 10:00Marketing Digital
R$ 42,7 bilhões em publicidade digital: Por que as marcas estão indo além do anúncio para conquistar a atenção do público
29 de setembro de 2026 - 9:00RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Do Chapter 11 para o 15: o que significa a decisão favorável da Ambipar (AMBP3) nos EUA
28 de setembro de 2026 - 19:34TCHAU OU ATÉ LOGO?
Presidente do conselho da Tupy (TUPY3) renuncia, mas não deve dar adeus à empresa
28 de setembro de 2026 - 19:24REVANCHE EM SOLO INGLÊS
Nubank tomba quase 9% em NY após rumor de compra bilionária no Reino Unido; roxinho prepara revanche contra a Revolut?
28 de setembro de 2026 - 15:51DE OLHO NO FUTURO