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O anúncio da renúncia de Bruno Moretti vem acompanhado de novos impactos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã
O aumento das tensões no Oriente Médio levou a Petrobras (PETR4) a viver um mês de altas emoções, tendo sido impulsionada pela alta do petróleo. Agora, com sinais de que a guerra no Irã pode estar caminhando para o fim, outra disputa também começa a ter efeitos na estatal.
Em meio à preparação para as eleições presidenciais, a companhia informou nesta manhã (1) a renúncia de Bruno Moretti aos cargos de presidente e membro do Conselho de Administração para ocupar a cadeira de ministro do Planejamento e Orçamento do governo.
Moretti substitui Simone Tebet, que deixou a gestão da pasta para disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano. O nome dele já vinha sendo especulado nos bastidores, mas o anúncio veio apenas durante a reunião ministerial convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Vale lembrar que quem for se candidatar para a corrida eleitoral de outubro precisa deixar os cargos no Executivo até este sábado (4) por causa do prazo de descompatibilização exigido pela legislação.
O novo ministro foi indicado para comandar o Conselho de Administração da estatal ainda em agosto de 2025, por decisão do Palácio do Planalto. Moretti foi nomeado após Pietro Mendes renunciar ao cargo para ocupar a diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
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Além de chefe do conselho, Moretti também atuava como secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil, atuando ao lado do ministro Rui Costa nos temas fiscais. Considerado como uma personalidade com conhecimentos técnicos, ele conta também com a confiança do presidente Lula.
Não é para menos: o currículo do novo ministro tem passagens de peso. Ele iniciou carreira já como analista de planejamento e orçamento do Ministério do Planejamento, em 2004. Entre 2009 e 2012, foi diretor da Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos, e de 2013 a 2014, atuou como assessor da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento.
Agora, com a ida para o primeiro escalão do governo Lula, Moretti deixa para trás a Casa Civil e o conselho da Petrobras.
A saída de Moretti ocorre em meio a uma série de recordes da Petrobras em valor de mercado, em reais. Na última segunda-feira (30), a empresa alcançou a marca histórica de R$ 673,22 bilhões em valor de mercado.
Mas o anúncio também vem acompanhado de novos impactos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Embora o presidente norte-americano Donald Trump tenha sinalizado ontem (31) que pretende sair do território iraniano nas próximas semanas, os efeitos do conflito pesam nos combustíveis e, dessa vez, as consequências serão sentidas no setor aéreo brasileiro.
A Petrobras afirmou que vai elevar os preços do querosene de aviação (QAV) em cerca de 55% a partir de hoje, conforme antecipado pelo grupo Abra, holding controladora da Gol.
O QAV é responsável por mais de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas no Brasil, onde a estatal é a maior produtora de petróleo e responsável pela maior parte da atividade de refino.
O aumento é resultado da forte alta do petróleo, impulsionada pela guerra, já que a companhia ajusta os valores do combustível de aviação no início de cada mês com base nas taxas de câmbio e nos preços do petróleo.
O anúncio vem ainda em um momento delicado para o setor aéreo do país: duas de suas maiores empresas, Gol e Azul, se recuperam de processos de reestruturações de dívidas.
Apesar disso, o diretor financeiro da Abra, Manuel Irarrazaval, disse em uma conferência com analistas que o aumento da Petrobras em abril será “moderado” em comparação ao aumento global.
*Com informações do Money Times e Estadão Conteúdo.
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