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Dani Alvarenga

Dani Alvarenga

Repórter de fundos imobiliários e finanças pessoais no Seu Dinheiro. Estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP).

RISCO GRAVE

Refit vai à justiça contra interdição total determinada pela ANP; agência rebate críticas

A refinaria estava parcialmente fechada desde outubro, sob suspeita de crimes contra a ordem econômica e tributária

Dani Alvarenga
Dani Alvarenga
2 de fevereiro de 2026
13:15 - atualizado às 12:26
Imagem: Reprodução Site Refit
Refit - Imagem: Reprodução/Site Refit

Após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) decretar a interdição total da unidade da Refit (ex-Refinaria de Manguinhos) no Rio de Janeiro, o grupo foi à justiça. Já a ANP, por outro lado, não deixou passar batido e respondeu às críticas feitas pela empresa.

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Na sexta-feira (30), a Refit protocolou pedido no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para suspender os efeitos da decisão da agência reguladora e restabelecer as operações.

O grupo afirmou que a interdição total da refinaria era nula, já que desrespeitou uma decisão judicial, que suspendia a paralisação.

A ANP negou ter descumprido decisões judiciais e afirmou que a liminar vigente suspendeu uma deliberação específica, que não foi alterada.

A reposta da ANP

Segundo a agência reguladora, a liminar sobre a qual a Refit se refere foi concedida pelo desembargador federal Newton Pereira Ramos Neto. O documento teria suspendido apenas uma deliberação específica: da 1.174ª reunião de diretoria da autarquia marcada para 18 de dezembro de 2025.

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Por este motivo, a agência afirma não ter tomado nenhuma decisão sobre o processo administrativo desde então.

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Ainda assim, a ANP ressaltou que a decisão judicial não cancelou a interdição cautelar parcial já imposta à Refit nem blindou a empresa contra novas fiscalizações.

Foi justamente nesse contexto que, em 14 de janeiro, técnicos do órgão abriram uma nova ação de fiscalização focada em segurança operacional, afirmou a agência em documento.

A ANP ressaltou que toda a fiscalização foi conduzida por servidores de carreira, sem interferência da diretoria — que só atuará se houver recurso administrativo.

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Além disso, segundo o órgão, a liminar perdeu força quando, em 8 de dezembro de 2025, a diretoria colegiada julgou por unanimidade os pedidos de impedimento de dois diretores envolvidos no caso, e negou o afastamento de ambos.

A ANP lembrou ainda que dispõe de autonomia administrativa e poder de polícia para adotar medidas preventivas voltadas à proteção da vida humana e do meio ambiente, sempre respeitando decisões judiciais, embora se reserve o direito de contestá-las pelos meios legais.

Refit interditada: os motivos por trás da decisão da ANP

A refinaria estava parcialmente fechada desde outubro, sob suspeita de crimes contra a ordem econômica e tributária.

Investigada pela Polícia Federal na Operação Poço de Lobato, o grupo é acusado de fazer parte de um sofisticado esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. As fraudes envolvem criações de empresas de fachada, fundos de investimentooffshores.

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Contudo, na semana passada, a ANP realizou uma vistoria e identificou um risco de incêndio considerado grave e iminente, exigindo a retirada imediata de todo material inflamável para afastar o perigo.

Entre as falhas apontadas nas barreiras de segurança estão deficiências no sistema de combate a incêndio, ausência de estudos de análise de riscos, e problemas no gerenciamento de emergências e em sistemas de detecção de gás e fogo.

Quem é a Refit?

Com núcleo no Rio de Janeiro, o grupo Refit tem atuação em praticamente todo o território nacional.

Segundo o site da própria companhia, a refinaria ocupa aproximadamente 600 mil metros quadrados, abrigando um dos maiores parques de armazenagem de líquidos do Brasil, com uma capacidade que ultrapassa os 200 milhões de litros.

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Criada em 1954, a Refinaria de Manguinhos surgiu na onda da campanha "O Petróleo é Nosso", do presidente Getúlio Vargas. Foi a primeira refinaria privada do Rio de Janeiro, construída em 255 dias. Passou a abastecer a então capital do país.

Em 2005, a Refinaria de Manguinhos paralisou suas operações, foi vendida para o Grupo Andrade Magro, passou por profundas mudanças internas e, em 2010, retomou as operações. Mudou de nome para Refit em 2017.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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