Copasa (CSMG3) entra na reta final da privatização, mas ações caem na B3. O que assustou os investidores?
Ações figuram entre as maiores quedas do Ibovespa após anúncio do follow-on; analistas avaliam que disputa menos acirrada pode reduzir potencial da operação

Depois de meses surfando o entusiasmo com a privatização, a Copasa (CSMG3) finalmente colocou sua megaoferta na rua. A resposta do mercado, porém, veio em tom mais frio do que muitos investidores esperavam.
As ações da Copasa passaram a operar entre as maiores quedas do Ibovespa nesta quinta-feira (21) após a companhia protocolar o pedido de registro da oferta subsequente de ações (follow-on) que deve marcar a venda do controle estatal — uma transação que pode movimentar mais de R$ 9 bilhões na bolsa.
O mercado até reconhece que o avanço do processo de desestatização destrava valor para a companhia mineira. Mas, no curto prazo, investidores começaram a recalibrar as expectativas sobre o tamanho do prêmio que pode surgir nessa transação bilionária.
Por volta das 15h20, os papéis caíam 2,56%, cotados a R$ 51,45, figurando entre as maiores baixas do principal índice de ações da B3. No acumulado do ano, o saldo ainda é positivo: CSMG3 acumula valorização de quase 18% desde janeiro.
Privatização da Copasa (CSMG3) entra na reta final
O anúncio desta manhã representa o início das etapas finais da privatização da estatal mineira.
A Copasa protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido de registro automático da oferta secundária de ações que permitirá ao governo de Minas Gerais reduzir sua participação e deixar o controle da companhia.
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Considerando o preço de fechamento da véspera, de R$ 52,80 por ação, a operação pode movimentar cerca de R$ 9 bilhões — valor que ainda pode escalar para mais de R$ 10 bilhões caso haja exercício de lotes adicionais.
O mercado já vinha precificando boa parte dessa expectativa nos últimos meses. Agora, o foco começa a migrar para uma questão mais delicada: quem efetivamente estará disposto a entrar nessa disputa — e a qual preço.
Mercado teme menos concorrência pela Copasa
Na avaliação do Safra, o avanço do processo é estruturalmente positivo para a companhia, mas existe um ponto que passou a preocupar investidores: a possibilidade de uma concorrência menos acirrada pelo ativo.
“A menor concorrência pelo ativo pode gerar ganhos mais limitados em relação aos preços atuais da ação, dependendo do preço mínimo estabelecido, que ainda não foi divulgado”, afirmaram os analistas, em relatório.
Até então, parte do mercado trabalhava com a expectativa de uma disputa mais intensa envolvendo potenciais interessados estratégicos, o que poderia inflar os preços da operação e gerar um prêmio adicional para as ações na bolsa.
Mas esse cenário começou a perder força, na visão do Safra. Segundo os analistas, um dos fatores que podem ter esfriado o ambiente competitivo envolve a Sabesp (SBSP3).
Os analistas avaliam que a Sabesp pode ter sido afastada da disputa por conta de dois fatores principais:
- O ruído recente envolvendo o incidente durante uma perfuração que afetou um gasoduto no bairro Jaguaré, em São Paulo; e
- O próprio tamanho do plano de investimentos (capex) que a companhia já precisa executar após sua própria privatização.
Com isso, o mercado começou a enxergar um número potencialmente menor de competidores estratégicos na operação da Copasa — algo que ajuda a explicar a realização das ações nesta quinta-feira.
Ainda existe espaço para valorização de CSMG3?
Apesar da reação negativa de curto prazo, o Safra continua enxergando valor relevante na tese de privatização da Copasa.
Os analistas avaliam que a desestatização pode destravar ganhos importantes de eficiência operacional, governança e execução de investimentos ao longo dos próximos anos.
O banco estipulou um preço-alvo de R$ 65 para CSMG3 ao final de 2026, mas trabalha com um cenário mais otimista em que as ações poderiam alcançar R$ 80. Nesse caso, o potencial de valorização ultrapassaria 50% em relação ao fechamento anterior.
Ainda assim, o Safra manteve recomendação neutra para os papéis da companhia mineira de saneamento.
Para o banco, embora o follow-on represente um avanço importante e aumente as chances de o processo ser concluído antes da volatilidade política associada às eleições, parte relevante do otimismo já foi incorporada pelos investidores nos preços recentes da ação.
*Com informações do Money Times.
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