A redenção da Eneva (ENEV3): após derreter na bolsa, ação lidera ganhos do Ibovespa com novos valores para leilão. Vale comprar agora?
Os papéis da companhia chegaram a subir mais de 8% nesta sexta-feira (13) com a revisão do preço-teto do leilão de reserva

Depois de ver as ações derreterem no início da semana em meio ao pessimismo com o setor elétrico, a Eneva (ENEV3) deu a volta por cima e assumiu o posto de maior alta do Ibovespa nesta sexta-feira (13).
O papel — que registrou a maior queda desde a pandemia na terça-feira (10), com queda de 9,66% — chegou a saltar mais de 8% hoje, impulsionado pela decisão do governo de rasgar os preços-teto anteriores e anunciar uma revisão para o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) de março.
Na visão dos bancos, o ajuste retira a empresa de um cenário de incertezas e abre caminho para uma geração de valor bilionária.
Por volta de 14h30, ENEV3 subiam 6,91%, cotadas a R$ 21,22. No ano, os papeis acumulam alta de mais de 5%. No mesmo horário, o Ibovespa caía 1,18%, aos 185.548,83 pontos.
Segundo Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, a alta de hoje não apenas reflete a melhora das condições do leilão, mas também eventuais lances que garantam retornos atrativos nos vários projetos que a companhia deve tentar emplacar no certame.
“Isso deixa espaço para uma valorização adicional de pelo menos 15%, sem contar com outros projetos relevantes que devem entrar em operação a partir do ano que vem, como Azulão, que contribuirá bastante para o fluxo de caixa da companhia”, afirma.
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O que mudou?
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) atualizou os preços-teto do leilão de reserva de R$ 1,6 milhões por megawatt (MW) ao ano para R$ 2,9 milhões por MW ao ano para as termoelétricas novas.
Já as térmicas existentes viram o preço-teto sair de R$ 1,12 milhões por MW ao ano para R$ 2,25 milhão por MW ao ano.
Para as hidrelétricas, o valor máximo continuou em R$ 1,4 milhão por megawatt-ano.
Confira na tabela abaixo os preços-teto do leilão de reserva de capacidade:
| Primeiro edital de 2026 | Valor novo (R$) | Valor antigo (R$) |
|---|---|---|
| Produto Potência Termelétrica 2026 | 2.250.000 | 1.120.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2027 | 2.250.000 | 1.120.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2028 – novos | 2.900.000 | 1.600.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2028 – existentes | 2.250.000 | 1.120.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2029 – novos | 2.900.000 | 1.600.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2029 – existentes | 2.250.000 | 1.120.000 |
| Produto Potência Hidrelétrica 2030 | 1.400.000 | 1.400.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2030 – novos | 2.900.000 | 1.600.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2030 –existentes | 2.250.000 | 1.120.000 |
| Produto Potência Hidrelétrica 2031 | 1.400.000 | 1.400.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2031 – novos | 2.900.000 | 1.600.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2031 – existentes | 2.250.000 | 1.120.000 |
O primeiro leilão, marcado para 18 de março, vai contratar usinas termelétricas a gás natural, termelétricas a carvão mineral e empreendimentos hidrelétricos.
Dois dias depois, em 20 de março, ocorrerá a sessão para a contratação de termelétricas existentes a óleo combustível, óleo diesel e biodiesel. Os preços-teto variam conforme o tipo de contratação.
| Segundo edital de 2026 | Valor novo | Valor antigo |
|---|---|---|
| Produto Potência Termelétrica 2026 | 920.000 | 1.600.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2027 | 920.000 | 1.600.000 |
| Produto Potência Termelétrica 2030 | 990.000 | 1.750.000 |
Mais cedo, o Ministério de Minas e Energia (MME) apontou que as atualizações consideram de maneira mais precisa os investimentos necessários para que as usinas operem dentro do prazo contratual, evitando riscos operacionais e jurídicos que podem se tornar em custos adicionais futuros ao sistema.
Eneva: parâmetros alinhados
A Eneva classificou a revisão como positiva e afirmou que os novos parâmetros estão agora "alinhados aos indicadores econômicos do setor de energia".
Segundo a companhia, a atualização permitirá que o leilão cumpra seu papel de garantir a segurança do suprimento elétrico do país, além de ampliar a competitividade, o que beneficia a sociedade e o sistema como um todo.
A empresa, que tem no leilão o seu principal gatilho de valor para 2026, reforçou seu compromisso com soluções que unem eficiência e segurança.
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Alívio e surpresa boa
O mercado financeiro recebeu os novos preços-teto do leilão com entusiasmo, destacando que o governo evitou o esvaziamento do certame.
O Citi classificou a amplitude do ajuste como uma “surpresa boa”. Segundo o analista João Pimentel, embora os investidores esperassem uma melhora, poucos acreditavam em um aumento dessa magnitude.
O Citi estima que, com esses valores, a Eneva consiga recontratar seus projetos existentes (Itaqui, Pecém II, P1 e P3) e ainda contratar a Celse II a um preço uniforme de R$ 2,19 milhões por MW ao ano.
O banco norte-americano mantém recomendação de compra para ENEV3 com preço-alvo de R$ 25,00.
A Empiricus Research também tem recomendação de compra para a Eneva e você pode entender os motivos na coluna desta sexta-feira (13) do analista Ruy Hungria.
Já o time de utilities do Itaú BBA avalia que os novos tetos permitem que a Eneva não apenas renove os ativos atuais, mas também desenvolva o pipeline de projetos greenfield (novos projetos) com uma geração de valor presente líquido (NPV, na sigla em inglês) robusta.
O Itaú BBA reitera a Eneva como sua principal aposta para 2026 no setor, com preço-alvo de R$ 23,80.
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