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Giovanna Figueredo

Giovanna Figueredo

Repórter do Seu Dinheiro com cobertura focada em mercado imobiliário, pequenas e médias empresas e temas ESG. Formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA‑USP).

BRIGA DE GIGANTES

A ameaça da Shopee: Mercado Livre (MELI34) é rebaixado pelo JP Morgan por preocupações com a concorrência, e ações caem

O banco defende que o Mercado Livre ainda é considerado uma boa tese de longo prazo, mas não deve refletir suas qualidades nos preços da ação em 2026

Giovanna Figueredo
Giovanna Figueredo
12 de março de 2026
12:45 - atualizado às 12:14
mercado livre meli balanço 3t24 queda ações
Imagem: iStock/coffeekai - Montagem: Giovanna Figueredo

Os pacotes amarelos do Mercado Livre (MELI34) têm perdido espaço para uma concorrente nas portarias e portões das casas brasileiras: a Shopee. Essa competição no e-commerce, somada a margens mais fracas, levaram os analistas do JP Morgan a rebaixar as ações do Mercado Livre de recomendação de compra para neutra.

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O novo preço-alvo estabelecido pelo banco é de US$ 2.100 para o papel MELI na Nasdaq, nos Estados Unidos. Em relação à estimativa anterior, de US$ 2.650, houve uma redução de expectativa de 20%, mas ainda há potencial de ganho em cima do preço do fechamento de ontem, de US$ 1.766.

O mercado reagiu com desânimo ao rebaixamento, com a ação em queda de 6% às 11h11, no horário de Brasília. Desde o início do ano, o papel recua mais de 15%.

O peso da concorrência

O Mercado Livre havia recebido recomendação de compra pelo JP Morgan ainda em fevereiro deste ano, que voltou atrás.

O motivo é a “competição dura” que o gigante do e-commerce enfrenta com outras companhias do setor, segundo os analistas. Uma empresa destacada nesse sentido é a Shopee, plataforma da companhia de Singapura Sea Ltd.

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Os analistas explicam que a Shopee demonstra um forte apetite para continuar investindo no e-commerce no Brasil, país considerado “uma região prioritária e uma fonte chave de crescimento”.

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Para 2026, a empresa asiática projeta que o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do e-commerce deve ser de, pelo menos, os mesmos níveis absolutos em dólares de 2025, no valor de US$ 881 milhões. Essa cifra conservadora está 35% abaixo do consenso da Bloomberg.

De acordo com o JP Morgan, isso demonstra que a Shopee está sacrificando margem para crescer — o que pode se tornar uma ameaça na concorrência com o Mercado Livre.

A Shopee também tem se movimentado para expandir as operações logísticas no Brasil. No aluguel de galpões logísticos, a empresa fica atrás somente do Meli, mas parece avançar nesse sentido com o aluguel recente do maior galpão do país.

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Margens menores preocupam o JP Morgan

A pressão sobre as margens do Mercado Livre também se tornou um dos principais pontos de preocupação do JP Morgan ao rebaixar a recomendação para as ações da companhia.

Em relatório, o banco afirma que a empresa de e-commerce parece confortável em operar com níveis menores de lucratividade no curto prazo.

Essa visão foi reforçada após o diretor financeiro (CFO) Martin de los Santos indicar, em um podcast publicado em 2 de março, que “se [a empresa] identificar iniciativas de investimento que a ajudem a aproveitar a grande oportunidade que tem pela frente, vai prosseguir com elas, mesmo que exerçam pressão sobre as margens no curto prazo”.

Com isso no radar, o JP Morgan revisou para baixo suas estimativas. A nova projeção considera margem Ebit de 8,9% em 2026, 14% abaixo do consenso da Bloomberg.  

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O impacto não se limita ao ano cheio. Para os resultados do 1º trimestre de 2026, o banco vê um risco ainda maior: Ebit 24% menor que as expectativas do mercado, reflexo da sazonalidade do trimestre.

“Acreditamos que isso seja preocupante para o desempenho de curto prazo das ações do Mercado Livre”, disse a equipe.

Perspectivas são positivas para o Mercado Livre no longo prazo

Apesar de todos esses desafios, o JP Morgan enxerga a empresa como uma tese forte no longo prazo.

Segundo o banco, a companhia é “muito bem-posicionada nos mercados de e-commerce e fintech na América Latina, tomando decisões que [o JP Morgan] considera corretas para moldar um ambiente favorável no longo prazo”.

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A recomendação neutra, de acordo com os analistas, é pautada na visão de que os investidores não vão precificar essas expectativas de longo prazo durante o ano de 2026.

Entre as possibilidades positivas que podem animar o banco estão:

  • A melhoria no ambiente competitivo brasileiro, permitindo uma maior rentabilidade;
  • Um crescimento rentável mais rápido na divisão de crédito; e
  • A retomada mais rápida da publicidade no negócio de comércio eletrônico.

Do lado das ameaças, o JP Morgan avalia a deterioração adicional na concorrência brasileira e a entrada de um novo player no e-commerce argentino.

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