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Money Times

FORA DO CONSENSO

Santander diz que o mercado minimiza os riscos do Banco do Brasil (BBAS3) e ignora outras boas ações; veja quais

Relatório do Santander destaca ações fora do consenso e aponta onde o mercado pode estar errando na precificação

Money Times
25 de janeiro de 2026
12:52 - atualizado às 12:53
Ações do Banco do Brasil (BBAS3) caem forte na B3 dividendos
Banco do Brasil (BBAS3) - Imagem: Canva Pro / Shutterstock / Montagem Seu Dinheiro

O Santander revisitou suas principais teses de investimento na bolsa brasileira e selecionou ações que, na avaliação do banco, estão fora do consenso do mercado, tanto para posições compradas quanto vendidas. O objetivo era identificar empresas cujo potencial — positivo ou negativo — estaria sendo subestimado ou superestimado pelos investidores.

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A revisão ocorre em um momento em que os analistas do banco avaliam que a rotação global de carteiras de ações de crescimento para papéis de valor pode favorecer o Brasil, frequentemente citado como um mercado de valor.

Nesse contexto, o banco buscou companhias onde distorções de percepção podem criar oportunidades ou riscos pouco refletidos nos preços das ações. Nomes grandes como Banco do Brasil (BBAS3), Suzano (SUZB3) e Lojas Renner (LREN3) aparecem em posições diferentes.

As teses foram organizadas em quatro grandes grupos, de acordo com o tipo de assimetria identificada pelos analistas:

  • empresas sub-representadas nas carteiras,
  • histórias de geração de caixa mal precificadas,
  • casos em que riscos relevantes estariam sendo minimizados, e
  • companhias pouco acompanhadas pelo mercado.

Empresas sub-representadas nas carteiras

Nesta categoria estão companhias com fundamentos sólidos, mas pouco presentes nas carteiras de ações dos investidores. Os analistas apontam a possibilidade de uma percepção errônea de valuations “cansados”, que teriam "passado do ponto".

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1 – Orizon Valorização de Resíduos (ORVR3)
O Santander acredita que a aquisição da Vital posicionou a Orizon como uma das principais consolidadoras do mercado privado de tratamento de resíduos. Além disso, eles destacam o possível crescimento da empresa em frentes como biometano, biogás e créditos de carbono.

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2 – Suzano (SUZB3)
Segundo o Santander, narrativas negativas em torno da celulose — especialmente ligadas à China — ainda pesam sobre o papel. O banco, porém, ressalta que a Suzano adotou medidas relevantes para mitigar esses riscos, como reajustes de preços. Além disso, restrições estruturais de oferta de madeira e preços abaixo do custo marginal tendem a pressionar produtores menos eficientes, o que pode favorecer a companhia. Para os analistas, o mercado trabalha com expectativas “excessivamente conservadoras” para a Suzano.

3 – Totvs (TOTS3)
Na visão do Santander, a Totvs combina crescimento de resultados, forte geração de caixa e eficiência no reinvestimento. O banco também destaca que a aprovação da aquisição da Linx pode destravar revisões positivas nas estimativas de médio e longo prazo.

Histórias de geração de caixa mal precificadas

Essa categoria reúne empresas cuja capacidade consistente de geração de caixa e disciplina de alocação de capital acabam ficando em segundo plano diante de movimentos táticos de curto prazo do mercado.

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1 – Lojas Renner (LREN3)
O Santander avalia que as expectativas em torno da Renner estão excessivamente baixas e não refletem sua forte geração de caixa, posição de caixa líquida e potencial de retorno ao acionista via dividendos e recompra de ações. O relatório destaca ainda que a varejista costuma ser uma das principais portas de entrada de investidores estrangeiros no Brasil.

2 – Marcopolo (POMO4)
A Marcopolo desponta como um ativo de alta qualidade, com forte geração de fluxo de caixa livre. Embora a ação tenha sido pressionada por movimentos de realização de lucros, o Santander vê melhora da demanda à frente, impulsionada por cortes de juros e pela expectativa de pagamento de dividendos em 2026.

Riscos subestimados

Nesta última categoria, múltiplos baixos ou um otimismo marginal dos investidores acabam mascarando fragilidades relevantes nos fundamentos.

1 – Banco do Brasil (BBAS3)
O Santander inclui o Banco do Brasil como um caso em que o valuation não reflete adequadamente os riscos. Segundo os analistas, o aumento da inadimplência no agronegócio, a maior necessidade de provisões e a crescente dependência de resultados financeiros pressionam a tese. O banco também destaca que a influência governamental limita a flexibilidade estratégica da instituição e reduz o potencial de reprecificação das ações.

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Empresas pouco acompanhadas

Aqui entram companhias menores ou com menor liquidez, que ainda carregam o estigma de problemas de execução no passado, apesar de avanços recentes nos fundamentos.

1 – Brava Energia (BRAV3)
A recente troca de CEO tende a melhorar a relação com acionistas, segundo o Santander. Os analistas esperam crescimento em 2026, sustentado por forte geração de caixa operacional, que pode abrir espaço para recompra de ações.

2 – Cogna (COGN3)
A Cogna é apontada como uma tese pós-reestruturação, com fundamentos mais consolidados a partir de 2026. O Santander destaca o ensino básico, especialmente nos primeiros anos da educação infantil, como principal motor de resultados nos próximos trimestres.

3 – IRB Brasil (IRBR3)
Segundo o banco, a governança do IRB evoluiu, a política de riscos tornou-se mais conservadora e a eliminação de prejuízos fiscais em 2025 pode abrir caminho para a retomada de dividendos em 2026.

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4 – Randon (RAPT4)
Apesar da baixa liquidez, o Santander destaca os fundamentos sólidos da Randon. Para os analistas, o mercado subestima a companhia ao desconsiderar o valor da subsidiária Fras-le, além do potencial de forte geração de caixa com cortes de custos e menores investimentos (Capex).

5 – Ser Educacional (SEER3)
A Ser Educacional é vista pelos analistas como uma história bem-sucedida de reestruturação, mesmo diante da baixa liquidez. O relatório aponta forte geração de caixa, bom histórico de pagamento de dividendos e valuation considerado atrativo.

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