De Zara a Shein, Brasil é um dos países mais caros para roupas; veja por que BTG prefere ações da Vivara (VIVA3) e da Track&Field (TFCO4) para ir às compras
Relatório com o Índice Zara do banco apresentou as expectativas para as varejistas de moda em 2026; marcas voltadas para as classes mais baixas devem continuar sofrendo com o baixo poder de compra da população

Brasil continua sendo um dos países mais caros para comprar roupa no mundo. É também um mercado difícil para empresas estrangeiras, com logística e base tarifária complexa, embora avanços tenham acontecido nesse cenário nos últimos anos, e com companhias locais bem estabelecidas.
Mas mesmo as varejistas brasileiras sofrem, com juros e inflação corroendo o poder de compra da população e alta concorrência das plataformas asiáticas.
No entanto, algumas ações de moda e vestuário podem se destacar neste ano, já que estão baratas na bolsa, diz o banco BTG Pactual, em relatório sobre o setor. "A recente onda de vendas tornou os valuations de todo o segmento de moda baratos", diz o banco.
Em média, o segmento é negociado a 8 vezes o preço da ação sobre o lucro estimado para 2026, já incorporando tendências de curto prazo mais pessimistas para o consumo no Brasil, principalmente no primeiro semestre
O relatório do banco apresentou as expectativas para Vivara, Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Guararapes, dona da Riachuelo (GUAR3), Vulcabras, dona de marcas como Olympikus, Mizuno e Under Armour (VULC3), SBF, que controla a varejista Centauro e a Fisia, distribuidora exclusiva da Nike no Brasil, e a Track&Field (TFCO4).
O banco tem preferência por ações voltadas às classes com maior poder aquisitivo: a rede de joalherias Vivara e a dona de lojas esportivas Track&Field.
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Com a recomendação, as ações da Vivara (VIVA3) figuram entre as maiores altas do Ibovespa, com salto de mais de 6%.
O BTG também revisou o preço-alvo para as ações. Entre os ajustes para baixo, o preço-alvo da Vivara foi cortado de R$ 38 para R$ 36, o das Lojas Renner de R$ 22 para R$ 20, e a C&A saltou de R$ 23 para R$ 19.
Já a expectativa para o valor da ação da Riachuelo foi elevada de R$ 13 para R$ 14, da Track&Field de R$ 18 para R$ 19, e da Vulcabras de R$ 20 para R$ 21. O preço-alvo para a SBF, dona da Centauro, se manteve estável em R$ 16.
Todas os papéis têm recomendação de compra.
Índice Zara e Shein
Mesmo depois de um ano em que o real se valorizou frente ao dólar, comprar uma blusinha na Zara continua caro para o brasileiro. Mais especificamente, 3% mais caro do que nos Estados Unidos.
No entanto, ao ajustar os valores para equiparar ao poder de compra da população, a diferença dobra, sendo 123% mais caro comprar por aqui considerando uma cesta de 12 itens semelhantes.
Ainda que a Zara seja mais cara por aqui, a Shein consegue ser mais barata, até que as marcas brasileiras. Usando uma cesta de oito produtos em 15 países, o estudo do BTG mostra que a Shein é 7% mais barata no Brasil do que nos EUA — embora custe o dobro ao adequar os preços pela paridade do poder de compra, tornando o Brasil um dos mercados globais mais caros para a Shein.
Comparando com as varejistas nacionais, a plataforma chinesa é 6% mais barata que a Riachuelo, com preços 10% menores que na Renner e 13% mais barata que a C&A. No entanto, nos últimos anos a diferença de preço entre a Shein e outros players locais diminuiu, o que significa que as nacionais estão om mais poder de barganha.
O Índice Zara, análise do BTG sobre o mercado de moda e o poder de compra em diferentes países, é divulgado desde 2014.
Luxo volta para os carrinhos de compras da alta renda
Se entre 2019 e 2023 houve uma demanda incansável por itens de luxo, de roupas a itens de couro, relógios e joias, o setor se deteriorou nos anos seguintes. Em 2025, entre 35% a 40% dos itens foram vendidos com desconto, segundo a consultoria Bain e a associação italiana Altagamma. Agora, as companhias devem ter um ano mais resiliente, com maior poder de precificação e menos dependentes de crédito.
E é por isso que o BTG tem preferência por papéis desse segmento, como Vivara (VIVA3) e Track & Field (TFCO4).
"As empresas mais expostas a famílias de alta renda devem apresentar um desempenho superior nos próximos trimestres, o que justifica nossa preferência por Vivara (que é negociada em um múltiplo de 9 vezes preço sobre lucro estimado para 2026) e Track&Field (negociada a 12 vezes preço sobre lucro)", diz o BTG em relatório.
A Vivara já é uma queridinha do BTG há alguns meses, destacada por sua inovação de produtos e expansão de margens. Neste ano, a ação deve ser impulsionada com a expansão da margem bruta, principalmente na divisão Life e nas categorias mais premium e uma recuperação de sua força de trabalho.
Entre os pontos de atenção, estão a produtividades das lojas, retenção de talentos e a possível canibalização entre as lojas Vivara e Life.
Já a Track&Field é elogiada por seu modelo de negócios leve em ativos, alinhamento com franqueados e forte fidelização através de seu ecossistema de bem-estar.
A rede se beneficia da força do mercado de bem-estar e atividades físicas. A companhia também aprimorou seu sortimento de produtos e simplificou a execução, com investimentos principalmente em reformas de lojas e na expansão do ecossistema. Um balanço patrimonial com dívida zero e forte geração de caixa é outro atrativo para a ação.
Dificuldades para as classes média e baixa
A vida não está fácil para as varejistas. Mesmo com a taxação de importações de itens até US$ 50, até 2024 isentos da cobrança, a maior parte das varejistas voltadas para as classes de média e baixa renda, o que inclui Renner, C&A e Guararapes, continua lidando com uma concorrência mais acirrada de plataformas cross-border, como as asiáticas.
Além da competição com as plataformas internacionais, as empresas também continuarão sofrendo com os juros altos, que aumentam o endividamento da população e reduzem o orçamento disponível para roupas novas.
Nos próximos três anos, as receitas de todo o setor devem cair 1,3%, o Ebtida deve encolher 2,7% e o lucro deve ser reduzido em 3,2% para todas as companhias abertas avaliadas pelo BTG.
Rapidez nos lançamentos será essencial
O clima deve continuar afetando as varejistas - no ano passado, Renner e C&A sofreram com um inverno mais rigoroso que o normal e um estoque inadequado para as temperaturas.
Com esse ambiente mais instável, irão se destacar as empresas que colocarem nas araras roupas mais assertivas. E, para isso, elas precisarão fazer pedidos menores aos fornecedores e usar inteligência artificial para otimizar as operações e melhorar a eficiência da cadeia.
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