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MERCADOS

Ibovespa faz a festa, recupera os 174 mil pontos e o dólar escorrega — mas não abra o champanhe ainda 

No câmbio, o dólar chegou a ser cotado a R$ 5,21, mas perdeu força na reta final da semana; confira o resumo dos mercados nos últimos cinco dias

Placa indica alta no Ibovespa
Placa indica alta no Ibovespa - Imagem: Shutterstock

Enquanto o Tio Sam preparava os fogos de artifício e a churrasqueira para o feriado de 4 de julho, a bolsa brasileira aproveitava para fazer a sua própria festa. Com os mercados norte-americanos fechados na sexta-feira (3) e a liquidez reduzida por aqui, o Ibovespa engatou a segunda alta semanal consecutiva e voltou ao maior patamar desde o início de junho. 

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Sabe aquela velha máxima do mercado financeiro de que "notícia ruim é notícia boa"? Foi exatamente isso que deu o tom da semana. 

A produção industrial brasileira de maio veio mais fraca do que a encomenda. No mundo real, isso preocupa. Mas a leitura do mercado é de que com a economia dando sinais de desaceleração, o Banco Central ganha o álibi para presentear os investidores com um corte de, pelo menos, 0,25 ponto percentual (pp) na taxa Selic já em agosto. 

Com a perspectiva de juros menores no horizonte (o que alivia as dívidas das empresas e impulsiona lucros), o apetite ao risco voltou com tudo. O raciocínio é simples: as ações estão baratas e, se a Selic cair, a renda variável volta a brilhar. 

Essa tese poderá ser confirmada — ou não — na próxima semana, quando o índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) de junho será divulgado. A expectativa para é de uma alta de 0,29%, segundo o Bradesco.  

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De acordo com o time de analistas do banco, o índice deve mostrar um alívio na margem puxado pelo grupo de alimentos. 

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Ibovespa na semana 

A semana do Ibovespa começou praticamente no zero a zero, já que a segunda-feira (29) foi marcada pelo jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, o que reduziu muito o volume de negociações.

Apesar da alta de mais de 1% de Bradesco e Santander, a queda do setor de mineração e siderurgia e a perda de fôlego da Petrobras levaram o índice a fechar em leve baixa.  

Com giro financeiro de R$ 13,92 bilhões, o Ibovespa fechou a primeira sessão da semana em queda de 0,05%, aos 173.205,35 pontos. 

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A terça-feira (30) marcou o fechamento de junho e do segundo trimestre. O índice acabou fechando o dia em baixa de 0,68%, aos 172.024,12 pontos. Sem a retomada do capital estrangeiro e em meio às incertezas sobre a extensão do ciclo de cortes da Selic, o Ibovespa acumulou queda de 8,24% entre abril e junho.  

O índice começou julho e o segundo semestre com queda de 0,20%, aos 171.688,61 pontos, diante da falta de gatilhos internos que justificassem um movimento mais firme. 

Na quinta-feira (2), o Ibovespa subiu 0,64%, aos 172.787,62 pontos, com a leitura de que os Estados Unidos podem não precisar subir juros em 2026, após payroll mostrar criação de empregos menor do que a esperada

Após abrir de lado na sexta-feira (3), o índice chegou a beliscar os 174.664,35 pontos na máxima e encerrou o dia aos 174.070,27 pontos, uma alta de 0,74%. A sessão foi marcada pela ausência de liquidez devido ao feriado que manteve as bolsas norte-americanas fechadas. 

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Com isso, o saldo é de alta de 0,45% na semana, o que levou os ganhos do ano para 8,03%. 

Para a próxima semana, os especialistas estão pessimistas com o Ibovespa, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa: 57,14% projetam queda (na semana anterior, eram 50%); 28,57% apostam que vai ficar no zero a zero e a 14,29% acham que a festa vai continuar. 

Dólar desce do salto 

O dólar começou a semana com alta de 0,13%, cotado a R$ 5,1743. O real tropeçou apesar do sinal predominante de baixa da moeda norte-americana no exterior, em um ajuste após a valorização nas últimas semanas, na esteira da expectativa de alta de juros nos EUA. 

Na terça-feira (30), a moeda norte-americana inverteu a direção e fechou em queda de 0,22%, a R$ 5,1630, mas acabou terminando junho com valorização de 2,38% frente ao real.  

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O dólar exibiu forte alta no mercado local no primeiro pregão de julho e voltou a fechar acima do nível de R$ 5,20. Apesar de fala mais amena do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, a moeda norte-americana voltou a se fortalecer globalmente.  

A divisa fechou a quarta-feira (1) em alta de 0,92%, a R$ 5,2103 — o maior valor de fechamento desde 30 de março (R$ 5,2478). 

Na dia seguinte, a moeda norte-americana perdeu um pouco da força, mas ainda assim fechou a R$ 5,2083 (0,04%).  

Mas o dólar acima de R$ 5,20 não durou muito. Na sexta (3), a moeda norte-americana fechou em queda de 0,76%, cotada a R$ 5,1689. 

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Dois fatores derrubaram a divisa: as mesmas apostas de corte na Selic que animaram a bolsa deram força para o real respirar. Lá fora, a criação de vagas de emprego nos EUA veio abaixo do esperado.  

Com o mercado de trabalho norte-americano esfriando, crescem as chances de o Federal Reserve pegar mais leve na política monetária.  

O índice DXY, que mede a força do dólar contra outras moedas globais, fechou a semana com perda de 0,50%. 

Com a queda de sexta, o dólar praticamente zerou a alta da semana (+0,03%). Em julho, a moeda norte-americana sobe discretos 0,11%, dando uma trégua após o salto de 2,38% em junho. 

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