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Payroll forte reacende temores sobre juros, enquanto ameaças do Irã ampliam o clima de cautela global

O clima de cautela que já predominava nos mercados após o payroll nos Estados Unidos ganhou intensidade ao longo da tarde desta sexta-feira (5). Investidores passaram a monitorar uma escalada das tensões geopolíticas após declarações mais duras de autoridades do Irã sobre o conflito no Oriente Médio.
Em entrevista à CNN, Mohsen Rezaei, um conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que Teerã poderá ampliar o conflito caso não haja um acordo que ponha fim ao que chamou de "bloqueio" imposto pelos norte-americanos.
"Trump deve deixar seus interesses de lado ou os EUA sofrerão muitas perdas. Sem acordo, vamos expandir a guerra para o Oceano Índico e atacar outras bases dos EUA", disse Rezaei.
A combinação entre juros potencialmente mais altos nos Estados Unidos e o aumento das incertezas geopolíticas ampliou a aversão ao risco nos mercados globais.
O reflexo apareceu no VIX, índice conhecido como o "termômetro do medo" de Wall Street, que disparou mais de 20% na tarde desta sexta-feira (5).
Confira os principais índices de Nova York no fechamento:
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Na Europa, as bolsas encerraram a sessão majoritariamente no vermelho. Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,07%. Enquanto isso, em Frankfurt, o DAX caiu 0,69% e, em Paris, o CAC 40 perdeu 0,32% pontos.
No Brasil, o Ibovespa também encontrou dificuldades para sustentar os 170 mil pontos na volta do feriado de Corpus Christi.
Em um pregão de liquidez reduzida e agenda econômica mais esvaziada, o principal índice da bolsa brasileira ampliou as perdas ao longo da sessão e fechou em queda de 0,77%, aos 169.019,12 pontos.
Apesar do avanço dos bancos, a queda de duas gigantes brasileiras das commodities pesou sobre a bolsa.
Hoje, Vale (VALE3) caiu 3,78%, acompanhada pela Petrobras, que recuou sob o peso do petróleo no exterior. As ações ordinárias PETR3 fechou em baixa de 0,52% e as preferenciais PETR4, em queda de 0,87%.
Do lado da commodity, o petróleo do tipo Brent, referência no mercado global, recuou 2,04%, a US$ 93,09 o barril, enquanto o WTI, usado no mercado norte-americano, baixou 2,69%, aos US$ 90,54.
Mais cedo, o mercado de trabalho forte demais pressionou Wall Street. Segundo o relatório payroll, a economia dos Estados Unidos criou 172 mil vagas de emprego em maio, muito acima das 85 mil esperadas pelos economistas.
O indicador reacendeu um temor que tem guiado os mercados em 2026: o de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) precise manter os juros elevados por mais tempo — ou até voltar a apertar a política monetária.
O relatório chega em um momento particularmente sensível para os mercados, às vésperas da primeira reunião de política monetária sob o comando de Kevin Warsh, novo presidente do Fed.
O banco central dos EUA ainda convive com uma inflação acima da meta, pressionada, entre outros fatores, pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre energia e cadeias produtivas.
A reação negativa dos mercados após o dado forte de emprego desencadeou críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em publicação em sua plataforma de mídia social, a Truth Social, o republicano criticou o comportamento dos investidores e argumentou que um relatório robusto de emprego deveria impulsionar, e não derrubar, as bolsas.
"Com um relatório de empregos ótimo, como o que acabou de ser anunciado, as ações deveriam ir para cima, não para baixo. É assim que foi pelos últimos 200 anos. Crescimento não significa inflação! De que outra forma pode um país obter SUCESSO???", escreveu o republicano.
O ajuste de expectativas para os juros nos EUA atingiu principalmente as empresas de crescimento, mais sensíveis ao aumento das taxas de desconto utilizadas pelos investidores.
A Nvidia, companhia mais valiosa do mundo em valor de mercado, recuou 6,20%. Intel, Micron, AMD e Broadcom registraram perdas de 11,28%, 13%, 10,86% e 7,92%, respectivamente.
*Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo.
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