Amazon ‘mostra os dentes’ contra Mercado Livre (MELI34) em campo de batalha fora do Brasil — e Itaú BBA liga alerta
Com cortes de até 51% nas taxas logísticas e redução na mensalidade dos vendedores, a gigante norte-americana eleva a pressão sobre o Mercado Livre no México e reacende o temor de uma escalada na guerra do e-commerce na América Latina

Depois de pisar no acelerador no Brasil em um desafio claro ao Mercado Livre (MELI34), a Amazon (AMAZO34) agora amplia a ofensiva contra a plataforma argentina no México — e o Itaú BBA já ligou o alerta para essa nova trincheira da guerra no e-commerce.
A Amazon México anunciou um corte amplo nas taxas cobradas dos vendedores no país. A principal mudança foi uma redução de até 51% no valor cobrado no aparato logístico da plataforma (FBA) para produtos com preço abaixo de 299 pesos mexicanos, pouco mais de R$ 90.
Para produtos FBA da Amazon México com preço acima desse valor, a empresa eliminará a taxa de 3% sobre o processamento de parcelamento (FCF). A medida pode melhorar a conversão em itens de maior valor e reduzir o custo para oferecer pagamento parcelado.
Além disso, a gigante norte-americana diminuiu o custo de assinatura para os vendedores. A mensalidade do plano profissional caiu de 600 pesos para 75 pesos para lojistas com vendas mensais de até 26 mil pesos.
Na prática, esse é o valor fixo cobrado pelos marketplaces para dar acesso a ferramentas avançadas, relatórios e possibilidades de escalar o negócio.
A nova frente de combate entre Mercado Livre e Amazon
Segundo os analistas do Itaú BBA, o movimento reforça a disputa com concorrentes e adiciona pressão ao ambiente competitivo que já vinha preocupando os investidores.
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Em relatório, o time de análise afirma que as medidas seguem a estratégia adotada no Brasil, quando os marketplaces focaram em itens de menor valor — como na redução do mínimo para frete grátis — para elevar a frequência de compras e ganhar espaço em categorias do dia a dia.
Na visão do Itaú BBA, o México é um mercado em que a Amazon tem relevância estrutural maior e onde os sinais competitivos eram mais tranquilos. Mas agora a companhia passou a usar sua estrutura de preços para incentivar a entrada de vendedores e elevar a atividade na plataforma.
“Como a Shopee não atua no país, a disputa fica mais direta entre Amazon e Meli, e será importante acompanhar se esse movimento se transforma em uma escalada mais duradoura da concorrência”, diz o relatório.
O banco estima que o México represente cerca de 25% do volume geral de vendas (GMV) total de Comércio do Meli, e que itens abaixo de 299 pesos correspondam a aproximadamente 22% do GMV da companhia no país. A participação de mercado dos dois é semelhante.
Na avaliação do banco, a principal dúvida é se a iniciativa da Amazon é uma estratégia para ganhar competitividade frente à Meli por meio de menores take rates ou apenas um ajuste nas chamadas unit economics — ou seja, um recalibramento da rentabilidade por produto, considerando receitas e custos por unidade vendida.
Se for a segunda hipótese, o impacto competitivo tende a ser menos preocupante e com espaço mais limitado para movimentos adicionais de agressividade.
O avanço da Amazon no Brasil
Nos últimos meses, a Amazon tem mostrado os dentes aqui no Brasil, redesenhando as expectativas para o mercado como um todo.
“O movimento surpreende porque a Amazon sempre ficou entre os principais players, mas nunca buscou com tanto afinco o primeiro ou o segundo lugar. A leitura do mercado era de que a disputa seria entre o Mercado Livre e as plataformas asiáticas, como a Shopee”, afirma Roberto Wajnsztok, sócio-diretor da Gouvêa Consulting, ao Seu Dinheiro.
Por aqui, a empresa de Jeff Bezos perdeu espaço para a Shopee — que hoje ocupa o segundo lugar em volume de vendas no país. A norte-americana também atraiu os vendedores com cortes nas taxas, assim como no México.
O movimento agressivo evidencia a intenção da Amazon de construir fidelidade entre pequenas e médias empresas — um ataque direto às movimentações recentes de pares como o Mercado Livre e a Shopee, na visão do BTG Pactual.
Entenda mais detalhes da investida nesta reportagem do Seu Dinheiro.
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