Analistas elegem Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) para investir em setembro; confira o ranking completo
Os especialistas seguem de olho nas movimentações dos mercados internacionais, com destaque para a disparada do preço do petróleo e do minério de ferro

O Ibovespa fechou o último mês perto da estabilidade, com leve queda de 0,3%, apesar do tombo de 6% registrado na primeira metade de agosto. A recuperação do principal índice da B3 contou com uma ajudinha do exterior: os investidores estrangeiros voltaram à bolsa brasileira em meio às expectativas de enfraquecimento do dólar.
Para setembro, os analistas seguem de olho nas movimentações dos mercados internacionais, especialmente por conta da manutenção dos preços elevados do petróleo na esteira do conflito entre EUA e Irã.
Ainda que o barril mais caro se traduza em pressão inflacionária, uma das empresas queridinhas dos analistas para investir em setembro pode lucrar com esse cenário. Com quatro indicações, a Petrobras (PETR4) entrou no ranking deste mês impulsionada pela alta do petróleo.
Já a segunda ação favorita das nove casas de análise e bancos consultados pelo Seu Dinheiro também ganha apoio das commodities. A Vale (VALE3) entrou no pódio diante da resiliência dos preços do minério de ferro no mercado global e da aposta da companhia nos metais de transição.
Confira o ranking completo de setembro completo:

*Entendendo a Ação do Mês: todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras e bancos do país para descobrir quais são as apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente compostas por até 10 ações, os analistas indicam seus três papéis favoritos. Com esse levantamento em mãos, selecionamos as ações que receberam pelo menos duas indicações.
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Petrobras na carteira de setembro
Só no último mês, a estatal registrou ganhos de 6,9% em meio à alta dos preços do petróleo, que tem se sustentado na casa dos US$ 90 por barril.
"Diante dos riscos geopolíticos, vemos um cenário de sustentação para os preços do petróleo, o que é positivo para os resultados da Petrobras", diz Ruy Hungria, analista da Empiricus Research.
A XP, que também recomendou a petroleira, enxerga que a companhia oferece uma das melhores relações de risco-retorno do mercado atual, mantendo retornos atrativos.
Mas não é só a commodity que fortalece a tese da petroleira. Os analistas destacam que a Petrobras possui ativos de altíssima qualidade, o que garante extração de petróleo de excelente valor comercial.
Segundo a Empiricus Research, a alta produtividade das bacias do pré-sal também é um ponto positivo, já que permite diluir os custos e torna a extração de petróleo altamente competitiva em termos globais.
Além disso, a maior parte dos investimentos (capex) da estatal está concentrada no segmento de Exploração e Produção (E&P). Na avaliação dos analistas, essa estratégia favorece a rentabilidade e a capacidade de distribuir dividendos de forma sustentável.
Vale lembrar que o pagamento de proventos foi uma prioridade reforçada pela Petrobras no Plano de Investimentos 2026-2030.
Segundo Hungria, além da performance operacional sólida, as ações da estatal negociam com um dividend yield (taxa de retorno de dividendos) de aproximadamente 10%, nível considerado bastante atrativo.
Porém, os analistas ressaltam que uma possível interferência política e mudanças na alocação de capital pode impactar a tese da Petrobras.
Vale na carteira de setembro
A concentração da Vale no fornecimento de minério de ferro para a China incomoda muito investidor, que questiona o ritmo da demanda pela commodity.
Isso porque o gigante asiático enfrenta uma persistente crise imobiliária e tenta se tornar menos dependente de construção civil e infraestrutura pesada, setores que mais consomem aço.
Apesar disso, os analistas enxergam que a dinâmica global do minério de ferro continua favorecendo a Vale. O Santander estima que os preços devem se manter acima de US$ 100 por tonelada em 2026.
Com isso, os analistas revisaram a projeção de preço médio para o ano de US$ 100 por tonelada para US$ 105 por tonelada. Segundo os especialistas, esse patamar é sustentado pela oferta global restrita devido à exaustão de minas e por uma demanda sólida.
Embora os riscos no setor imobiliário chinês persistam, eles avaliam que os efeitos são mitigados por fortes investimentos em infraestrutura e urbanização na China. Além disso, há um crescimento expressivo de demanda em novos mercados como Índia, Sudeste Asiático, Oriente Médio e Norte da África.
Além disso, a Vale se destaca por ser uma produtora de baixíssimo custo e por ofertar minério de alta qualidade. O Santander enxerga que a busca contínua por eficiência operacional nos últimos anos gerou maior previsibilidade de produção, menos paradas e diluição de custos.
O desempenho da mineradora na divisão de metais básicos também impulsiona a tese da companhia. No segundo trimestre de 2026, o segmento registrou um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações) de US$ 1,28 bilhão, superando as projeções internas dos analistas do banco de US$ 1,1 bilhão.
O Santander ressalta que essa frente de negócios vem ganhando relevância e deve continuar destravando valor para a empresa no longo prazo. Na visão do banco, esse fator ainda está pouco refletido no preço atual da ação.
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