Onde investir em setembro? Com eleições pegando fogo e uma onda de RJs, veja onde apostar na bolsa, renda fixa, FIIs e exterior
No programa Onde Investir deste mês, especialistas analisam as oportunidades para buscar renda extra em setembro e indicam ações, títulos de renda fixa, fundos imobiliários e ativos internacionais para atravessar a volatilidade dos mercados
O investidor entra em setembro diante de oportunidades em praticamente todas as classes de ativos — mas pouco espaço para escolhas descuidadas. Na bolsa, com as eleições podendo colocar fogo nos mercados, juros altos, desaceleração econômica à vista e risco fiscal, é preciso procurar por empresas com geração de caixa resiliente e dívida controlada.
Na renda fixa, a recomendação é equilibrar diferentes estratégias. O Tesouro Selic preserva a liquidez e aproveita os juros altos. Os prefixados permitem travar as taxas atuais e podem se valorizar com a queda dos juros futuros. Já os títulos ligados à inflação protegem o poder de compra. Os fundos de infraestrutura completam a carteira com crédito privado e diversificação.
Já nos fundos imobiliários, a prioridade é o crédito de qualidade. "Não considero prudente buscar retornos muito acima do CDI, que podem esconder carteiras mais arriscadas. Neste momento, é mais importante avaliar a qualidade do crédito e a capacidade de pagamento do que apenas o rendimento”, diz Caio Araújo, analista da Empiricus Research.
Fora do país, os juros elevados voltaram a tornar os títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) atraentes e reduzem a necessidade de assumir riscos excessivos na bolsa.
Ainda assim, há espaço para ações de tecnologia e inteligência artificial nos Estados Unidos e na Ásia, além de empresas europeias dos setores financeiro, de defesa, saúde, energia e infraestrutura. No mercado de criptomoedas, a indicação é uma posição pequena em bitcoin (BTC), que brilhou em agosto.
Abaixo, você confere as indicações sobre Onde Investir em setembro. Para conhecer as teses em detalhes, assista ao programa completo e acompanhe as análises dos especialistas.
Leia Também
Porto (PSSA3) e Petrobras (PETR3 e PETR4): as ações para buscar dividendos
Agosto foi marcado por fortes oscilações na bolsa brasileira. O Ibovespa chegou a cair mais de 6% em alguns dias, pressionado pelo risco fiscal, pelos rebaixamentos de recomendação feitos por bancos estrangeiros e pela aproximação das eleições. Depois, recuperou as perdas com a melhora do fluxo para mercados fora dos Estados Unidos.
Para Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, essa recuperação refletiu mais uma piora relativa da percepção sobre os Estados Unidos do que uma melhora dos fundamentos brasileiros. Por isso, a proximidade das eleições ainda pode trazer novos episódios de volatilidade.
A sequência de pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial também aumentou a aversão ao risco na bolsa, com Casas Bahia (BHIA3) e Braskem (BRKM5) caindo na boca do povo. As notícias podem provocar quedas mais intensas e ampliar a volatilidade, sobretudo entre empresas endividadas. O cenário fica ainda mais delicado com os juros elevados e a desaceleração da economia.
No entanto, Hungria ressalta que o problema não é generalizado. “Essas coisas não acontecem do nada. Algumas empresas já estavam com um nível de endividamento elevado, e um período prolongado de juros altos pode agravar a situação. Isso não significa que todas as companhias listadas terão as mesmas dificuldades”, afirma o analista.
O analista recomenda observar três características: geração de caixa, endividamento controlado e liderança de mercado. Empresas com esse perfil tendem a atravessar melhor uma economia mais fraca e ainda podem ganhar espaço sobre concorrentes mais vulneráveis.
Entre as escolhas para setembro está a Porto (PSSA3). A companhia, antes concentrada no seguro automotivo, ampliou sua atuação nos segmentos bancário, de saúde e de serviços. Segundo Hungria, a diversificação criou novas fontes de crescimento sem sacrificar a rentabilidade.
“É uma empresa muito diversificada, com rentabilidade elevada e uma gestão que olha para o longo prazo. Entendemos que isso tem muito valor para o acionista, e a Porto ainda paga dividendos interessantes”, diz.
A Petrobras (PETR4) também aparece entre as preferências para dividendos, mesmo sem contar com petróleo em níveis elevados por muito mais tempo.
“Não precisamos de um petróleo acima de US$ 100 para ganhar dinheiro com os dividendos da Petrobras. Mesmo usando uma premissa próxima de US$ 70, chegamos a um dividend yield de 10% a 11%, ainda entre os maiores da bolsa brasileira”, afirma Hungria.
Além dos proventos, a tese considera o aumento da produção, a produtividade do pré-sal, os custos competitivos e o desempenho do refino. Para o analista, a estatal reúne “bom momento operacional, valuation atrativo e dividendos altos”.
Como capturar renda extra?
Além de Porto e Petrobras, o programa cita a Axia Energia (AXIA3) entre as ações para setembro. O papel integra a estratégia de renda extra apresentada por Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, que distribui os recursos entre diferentes classes de ativos.
“A gente combina prefixados, títulos indexados à inflação e fundos de infraestrutura de maneira equilibrada, para não exacerbar o risco da carteira. Nas ações, usamos um ETF para diluir a exposição e alguns nomes mais premium da bolsa, como Axia, dentro de um setor mais previsível”, afirma Spiess.
Nesse desenho, a ex-estatal ocupa a parcela de ações escolhidas individualmente. A tese se apoia na previsibilidade do setor elétrico, que tende a sofrer menos com as oscilações da atividade econômica. Segundo Spiess, essa característica aumenta a visibilidade sobre a geração de caixa e os proventos da companhia.
O analista também vê potencial para retornos atrativos no longo prazo. Na parcela de infraestrutura, o fundo citado é o Sparta Infra (JURO11), que investe em títulos de dívida emitidos para financiar projetos do setor. O ativo entrou na carteira no mês anterior, com foco na qualidade da carteira e o desconto do JURO11 em relação aos ativos mantidos pelo fundo.
FIIs: crédito high grade e Kinea Hedge Fund (KNHF11)
Nos fundos imobiliários, o CDI elevado tem dois efeitos. Ele aumenta a receita dos FIIs de papel com ativos pós-fixados, mas também encarece as dívidas que dão lastro a esses papéis. Depois de um período prolongado de juros altos, devedores com margens apertadas encontram mais dificuldade para honrar os pagamentos.
Por isso, Araújo recomenda uma postura conservadora nos fundos indexados ao CDI, com preferência por carteiras high grade, formadas por devedores mais sólidos e garantias de melhor qualidade. Nos FIIs ligados à inflação, há mais espaço para posições táticas em fundos descontados.
“Engana-se quem acha que nenhum fundo de crédito tem eventos de crédito. Todos têm renegociações ou inadimplências pontuais. A questão é a magnitude dos impactos. Se o fundo está concentrado em um segmento mais sensível, a tendência é que o impacto seja maior”, afirma o analista.
O especialista alerta que retornos muito acima do CDI podem esconder riscos difíceis de sustentar. Fundos negociados com prêmios de CDI mais quatro, cinco ou até oito pontos percentuais provavelmente carregam operações mais frágeis.
Para setembro, a novidade da carteira é o Kinea Hedge Fund (KNHF11), FII multiestratégia que investe em crédito imobiliário, imóveis, cotas de outros fundos e ações. Essa diversificação permite capturar tanto os rendimentos da carteira quanto uma eventual recuperação das cotas do mercado imobiliário.
Segundo Araújo, o fundo chegou a negociar por aproximadamente 86% a 87% do valor patrimonial, abaixo da média histórica, e oferece dividend yield de dois dígitos. “Ele consegue capturar diferentes cenários e chegou a um patamar de desconto interessante. Para nós, faz sentido colocar o KNHF11 no portfólio neste momento”, destaca Araújo.
Treasuries, Europa e ações de IA na Ásia: onde investir no exterior
No exterior, a recomendação é aproveitar os juros elevados da renda fixa global e reduzir a concentração nos Estados Unidos sem abandonar os ativos norte-americanos. Os títulos do Tesouro dos EUA, especialmente os Treasuries de 10 e 30 anos, voltaram a oferecer retornos relevantes. Também há oportunidades em títulos soberanos da Alemanha e do Japão.
Para Marcelo Santucci, diretor de investimentos e responsável global pela área de soluções de portfólio do BTG Pactual, o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) passou a dar menos indicações sobre seus próximos passos e a exigir que o mercado interprete os dados de atividade e inflação.
“O Fed sintetizou a postura da seguinte maneira: 'parem de olhar o árbitro e olhem a bola’. Ele quer que o próprio mercado leia os dados e tome suas decisões. Isso traz mais volatilidade e mais incerteza”, afirma Santucci.
O lado positivo é que o investidor voltou a receber uma remuneração relevante sem precisar recorrer ao crédito privado mais arriscado ou concentrar toda a carteira em ações.
“Agora você é pago para emprestar dinheiro para o governo. Não precisa correr tanto risco de crédito, porque o título soberano está trazendo um retorno interessante — e não apenas nos Estados Unidos”, diz Santucci.
Na bolsa, a recomendação é priorizar empresas dominantes, com geração de caixa e crescimento de lucros. As grandes companhias norte-americanas de tecnologia continuam no radar, mas o mercado deve cobrar cada vez mais retorno sobre os investimentos bilionários em inteligência artificial.
Também há espaço para diversificar geograficamente. Na Europa, Santucci cita empresas dos setores financeiro, de defesa, saúde, energia e infraestrutura. Na Ásia, as oportunidades estão principalmente na cadeia de semicondutores e IA de Coreia do Sul e Taiwan, além do crescimento do Sudeste Asiático.
“É um rebalanceamento, não uma ordem para vender dólar e comprar outra coisa. Hoje é possível suavizar a concentração nos Estados Unidos e encontrar renda fixa atrativa em outras moedas e empresas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial fora do mercado norte-americano”, afirma.
Bitcoin (BTC): “vale uma pitadinha” na carteira
No mercado de criptomoedas, Valter Rebelo, analista da Empiricus Research, recomenda uma pequena posição em bitcoin. A alta recente foi impulsionada pela busca por ativos escassos, pelo retorno do investidor institucional e pela forte captação dos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos.
Para o curto prazo, Rebelo avalia que o movimento pode continuar por efeito de momento — a tendência de uma alta recente persistir por algum tempo. Isso não elimina a volatilidade nem permite prever o preço da criptomoeda em horizontes longos.
“É como empurrar um carro ladeira abaixo: a inércia carrega o movimento. Existe um lado macro, um lado técnico e um lado ligado à psicologia das pessoas. A resposta curta é que acho provável que essa alta continue persistindo”, afirma.
Ainda assim, a posição deve ser pequena. O bitcoin entra como fonte de diversificação e exposição a uma tecnologia diferente, não como o núcleo da carteira.
“Vale uma pitadinha na carteira de quem não conhece profundamente esse mercado. Uma posição pequena pode trazer benefício de diversificação no longo prazo e melhorar o retorno por unidade de risco”, diz Rebelo.
CRISE CONTINUA
Citi está mais pessimista com Natura (NATU3) e rebaixa ação para venda. Por que a faxina na casa não convence o banco?
2 de setembro de 2026 - 12:45ENTREVISTA EXCLUSIVA
Multimercados em crise? CEO da Bradesco Asset vê ‘seleção natural’ e diz que uma nova onda de consolidação vem aí
1 de setembro de 2026 - 12:46FIM DA NEGOCIAÇÃO CONTÍNUA
B3 tira ação da Ambipar (AMBP3) das negociações regulares da bolsa por atraso; entenda
1 de setembro de 2026 - 10:15FRED KRUEGER ESTÁ DE VOLTA?
Kinea alerta para ‘pesadelo’ fiscal no Brasil e revela onde está buscando proteção antes das eleições
1 de setembro de 2026 - 7:08BALANÇO DO MÊS
Só deu ouro em agosto: metal precioso e ‘ouro digital’ entregaram até 25% de retorno no mês, deixando a renda fixa comendo poeira
31 de agosto de 2026 - 18:45BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
Mercado aposta que nada vai melhorar no Brasil. É justamente por isso que gestores estão comprando renda fixa
31 de agosto de 2026 - 17:45RETOMADA À VISTA?
Mercado de capitais pode voltar a esquentar — e Itaú BBA indica esta ação para ganhar com a virada
31 de agosto de 2026 - 16:42RADAR DE FIIS
TRX dá mais um passo atrás e desiste de aquisição de cinco imóveis da Cyrela (CYRE3), incluindo prédio alugado pelo Nubank
31 de agosto de 2026 - 10:04TOUROS E URSOS #285
Nem bolsa, nem dólar: este é o ativo “à prova de balas” para atravessar as eleições 2026, segundo gestor do ASA
30 de agosto de 2026 - 11:03GRINGO COMPRA, BRASILEIRO FOGE
Ibovespa voltou com tudo? Bolsa brasileira atrai R$ 3,2 bilhões na semana e desbanca S&P 500, México e Coreia do Sul
28 de agosto de 2026 - 19:20TOUROS E URSOS #285
Lula ainda não ganhou e eleição segue em 50/50, diz CIO do ASA; veja como investir sem apostar em um candidato
28 de agosto de 2026 - 14:23FII
TRXF11 desiste de compra de imóveis de quase R$ 1 bilhão, incluindo ‘prédio do gramado’ na Faria Lima; cotistas comemoram
27 de agosto de 2026 - 19:40NA CONTRAMÃO?
UBS BB ignora debandada estrangeira na bolsa e vê salto de 17% para B3 (B3SA3); entenda a tese por trás da recomendação
27 de agosto de 2026 - 18:00FUGA DA INDÚSTRIA
TAG Investimentos: o que levou a gestora de R$ 18 bilhões a desistir totalmente dos fundos multimercados?
27 de agosto de 2026 - 17:01PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições 2026: com disputa acirrada entre Lula e Flávio, é hora de fugir da bolsa e comprar dólar?
27 de agosto de 2026 - 15:31APÓS CAPTAÇÃO BILIONÁRIA
BTLG11 desembolsa R$ 375 milhões por galpão logístico em São Paulo e vê espaço para elevar aluguel; confira os detalhes da operação
27 de agosto de 2026 - 10:18ENTREVISTA EXCLUSIVA
EXES11 quer crescer: de olho na liquidez, FII faz oferta de cotas inusitada e sem diluição de cotistas
27 de agosto de 2026 - 10:04GANHANDO PESO
VISC11 quer mais caixa e menos alavancagem: entenda por que o FII de shoppings buscou uma ‘gordurinha extra’
27 de agosto de 2026 - 6:03NA FRENTE DE PETR4 E VALE3