Mercado de capitais pode voltar a esquentar — e Itaú BBA indica esta ação para ganhar com a virada
Banco elevou o papel de neutro para compra e vê uma combinação de lucros, dividendos e recompras e possível retomada do mercado favorecendo a tese; veja qual é o papel

O mercado de capitais brasileiro pode estar prestes a vivenciar uma retomada — e, se esse movimento ganhar tração, o Itaú BBA aposta que a XP pode estar entre as empresas mais bem posicionadas para aproveitar a virada.
Foi essa leitura que levou o banco a elevar a recomendação para a ação de market perform, equivalente a neutra, para outperform (compra) e a aumentar o preço-alvo de US$ 19 para US$ 22 ao fim de 2027.
A nova cifra representa uma valorização potencial de 24,5% em relação ao último fechamento.
Os analistas já veem sinais de recuperação no mercado de capitais, espaço para uma maior movimentação dos investidores com a aproximação das eleições e a possibilidade de um achatamento da curva de juros — uma combinação que pode jogar a favor da companhia.
Mas a tese não depende de uma disparada da bolsa nem de uma melhora imediata do cenário.
Parte relevante da revisão dos analistas veio de uma frente importante para os resultados: custos menores e uma carga tributária mais favorável, que devem permitir à XP ampliar o lucro mesmo com receitas praticamente estáveis.
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Um dos pilares da tese do Itaú BBA para a XP está na recuperação da atividade nos mercados de capitais.
No mercado primário, de novas ofertas, as emissões aceleraram para R$ 78,9 bilhões em junho e R$ 67,9 bilhões em julho, depois de um abril e maio mais fracos. As debêntures também voltaram a ganhar força, chegando a R$ 33,1 bilhões em julho.
Mas a melhora não ficou restrita às emissões. Produtos que geram receitas para a XP, como os fundos imobiliários (FIIs), também apresentaram recuperação.
Os spreads permaneceram controlados desde junho, enquanto os fundos de renda fixa de grau de investimento voltaram a registrar captação líquida: R$ 5 bilhões em julho e quase R$ 14 bilhões em agosto até o momento, depois de quatro meses de resgates.
Nesse cenário, o Itaú BBA elevou sua projeção para a receita de Corporate & Issuer Services para R$ 3,2 bilhões em 2026, alta de 16% em relação ao ano anterior.
O mercado secundário também pode ajudar a completar essa recuperação.
O volume médio diário negociado (ADTV) da B3 caiu para R$ 22,6 bilhões em julho, e o giro relativo do investidor pessoa física ficou em 78% da média dos últimos 12 meses. Em agosto, porém, os volumes melhoraram e chegaram a uma média próxima de R$ 30 bilhões até o momento.
A XP captura aproximadamente 40% a 50% dos volumes do varejo, o que faz da atividade da B3 um indicador importante para suas receitas de ações e institucional.
E há um componente sazonal que chama a atenção do BBA. Em 2014, 2018 e 2022, o giro dos investidores de varejo acelerou fortemente entre setembro e outubro, na reta final dos respectivos anos eleitorais.
Se o padrão se repetir, a XP pode encontrar uma ajuda adicional justamente no fim de 2026. O banco estima cerca de R$ 200 milhões em receitas adicionais de ações e institucional no segundo semestre, em comparação com o primeiro.
XP pode crescer sem precisar de uma disparada das receitas
A possível retomada dos mercados de capitais ajuda a explicar a tese, mas não é o único motivo para o otimismo do BBA. Para os analistas, a XP pode entregar crescimento de resultados mesmo sem uma expansão relevante da receita.
O Itaú BBA manteve praticamente estável sua projeção de receita bruta para este ano e para 2027, com a maior contribuição de Corporate & Issuer Services e Institutional compensando uma redução de 5% na receita de renda fixa.
O que mudou foi a expectativa para as margens. Os custos de comissão dos assessores financeiros independentes (IFAs) continuam abaixo das premissas anteriores, enquanto as despesas administrativas e gerais também devem ficar menores.
O resultado é uma equação em que a XP consegue ampliar o lucro sem depender exclusivamente de um crescimento acelerado da receita.
O banco projeta crescimento de 11% no lucro por ação (EPS) da XP em 2026 e de 7,7% no lucro líquido, seguido por uma alta adicional de 7,4% no resultado em 2027.
Mesmo sem assumir uma melhora significativa das condições de mercado, o BBA estima um retorno com dividendos (dividend yield) e recompras equivalente a 11,4% da capitalização de mercado em 2026 e 8,4% em 2027.
Valuation dá margem para a XP esperar a retomada
É justamente essa combinação de eficiência, retorno ao acionista e possibilidade de recuperação do mercado que levou o BBA a enxergar uma assimetria mais favorável na ação.
A XP negocia hoje a 8,3 vezes o lucro estimado para 2026 e 7,7 vezes para 2027, abaixo da média de 10,6 vezes observada desde 2023.
Ao mesmo tempo, o banco estima um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 23,1% em 2026 e um retorno aos acionistas equivalente a 11,4% da capitalização de mercado neste ano, entre dividendos e recompras.
Somando esse retorno ao crescimento de 11% projetado para o lucro por ação, o BBA chega a um retorno total na casa de 20%, mesmo com os múltiplos permanecendo onde estão.
Para 2027, a estimativa de retorno total fica na faixa de meados dos dois dígitos, em razão de um payout menor de proventos.
"O valuation atual e as distribuições esperadas aos acionistas fornecem suporte potencial ao retorno enquanto os investidores aguardam uma possível melhora nas condições de mercado", afirma o Itaú BBA.
Rali da bolsa brasileira pode ser a peça que falta para a XP
Entre as diferentes linhas de negócio da XP, as ações de varejo continuam sendo uma das de maior sensibilidade ao comportamento do mercado.
O Itaú BBA estima R$ 4,8 bilhões em receitas dessa atividade em 2026, o equivalente a cerca de 23% da receita bruta e 30% das receitas de varejo.
Como a remuneração está ligada à negociação e à estruturação de produtos, e não ao volume de ativos, o desempenho da B3 tem impacto direto nessa linha.
Por enquanto, os números ainda mostram um mercado mais fraco. Contudo, o histórico eleitoral oferece uma possível pista sobre o que pode acontecer daqui para frente. Em eleições anteriores, a alocação dos investidores aumentou justamente na reta final da campanha.
Por isso, dado o nível atual de atividade, o Itaú BBA vê os riscos para essa linha de receita inclinados para o lado positivo a partir do 4T26. As receitas institucionais também tenderiam a acompanhar esse movimento.
É nesse ponto que a tese para a XP ganha força. A companhia não precisa de uma disparada da bolsa para entregar retorno, graças à combinação de eficiência, distribuição de capital e valuation relativamente baixo. Mas, se o mercado de capitais ganhar tração, sua exposição ao movimento é particularmente direta.
Para o Itaú BBA, esse é um cenário em que empresas de mercados de capitais podem se beneficiar mais do que os bancos. Uma eventual melhora na trajetória dos juros tende a achatar a curva e abrir espaço para uma reprecificação dos múltiplos, enquanto os bancos ainda ficariam mais expostos aos efeitos de uma eventual desaceleração econômica.
"Os investidores estão buscando cada vez mais empresas com menor risco de queda nos lucros em um ambiente de PIB mais fraco, seja por fatores naturais ou por ajuste fiscal, e que se beneficiariam de forma desproporcional de um eventual ajuste na trajetória das taxas de juros", avaliam os analistas.
É essa combinação — o que a XP já entrega hoje e o que pode ganhar se o mercado virar a favor — que sustenta a visão mais otimista do BBA para a ação.
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