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TOUROS E URSOS #285

Lula ainda não ganhou e eleição segue em 50/50, diz CIO do ASA; veja como investir sem apostar em um candidato

Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, fala no podcast Touros e Ursos sobre os principais cenários para os mercados brasileiros diante da disputa eleitoral

A corrida presidencial de 2026 está longe de ter um resultado definido e quem tentar montar a carteira apostando em um vencedor para a eleição pode acabar cometendo um dos maiores erros de investimento.

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Essa é a avaliação de Rogério Freitas, diretor de investimentos do ASA. Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, do Seu Dinheiro, o executivo afirmou que o mercado parece atribuir uma probabilidade excessiva à continuidade do atual governo, enquanto ele enxerga uma disputa muito mais equilibrada.

"A minha visão é que o mercado está mais para 60% de chances de reeleição agora. Mas, na minha cabeça, as probabilidades estão mais para 50/50 do que o mercado está precificando", disse.

Segundo Freitas, a partir de julho o cenário eleitoral passou a ter mais influência sobre os preços dos ativos brasileiros do que o ambiente internacional. Com isso, bolsa, dólar e juros devem continuar reagindo às pesquisas e aos acontecimentos da campanha nos próximos meses.

Para o investidor pessoa física, porém, a recomendação não é tentar prever o resultado das urnas.

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"Quando a gente entende que não tem como prever o futuro, a gente tem mais humildade. O nosso processo é probabilístico. Se o cenário é 50/50, você tem 50% de chances de a bolsa cair muito e 50% de chances de subir muito", afirmou.

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Não tente adivinhar quem vai ganhar a eleição

Na visão do diretor do ASA, o cenário atual é particularmente difícil porque os dois principais desfechos eleitorais podem provocar movimentos muito diferentes nos mercados.

"A bolsa é o melhor ativo se a gente tiver mudança de política fiscal. Ela vai subir muito. Todavia, a bolsa é o pior ativo se a gente tiver continuidade da política fiscal", disse.

Por isso, ele defende que investidores evitem transformar a carteira em uma aposta eleitoral.

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Freitas lembrou que mesmo profissionais do mercado raramente conseguem prever corretamente eventos políticos e ressaltou que o maior erro costuma ser alterar a estratégia em função do noticiário de curto prazo.

Na visão do diretor, o maior erro que um investidor pode cometer num ano eleitoral é transformar a carteira numa aposta sobre quem vai ganhar a disputa presidencial.

Para sustentar esse argumento, ele citou um estudo clássico de Gary Brinson com grandes fundos universitários americanos. A conclusão, segundo o gestor, foi que os resultados de longo prazo dependem muito mais da disciplina para manter uma estratégia de investimentos do que da capacidade de escolher as ações certas ou acertar o timing do mercado.

"90% da performance foi de seguir uma política de investimento adequada para você e manter ela por longo prazo", disse.

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O investimento preferido do ASA para atravessar a incerteza

Se a bolsa depende fortemente do resultado eleitoral, qual seria o ativo capaz de navegar relativamente bem em qualquer cenário?

Para Freitas, a resposta está na renda fixa indexada à inflação.

O diretor recomendou os títulos públicos e privados atrelados ao IPCA, especialmente os de prazo intermediário: "2030, 2032 é o prazo que a gente gosta".

Segundo ele, o investidor consegue combinar proteção inflacionária com taxas reais (juros acima da inflação) historicamente elevadas.

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Caso haja melhora da percepção fiscal e queda nas projeções de juros futuros, esses papéis podem gerar ganhos adicionais com a valorização de preço pela queda das taxas.

"Esses papéis que estão pagando IPCA + 8% hoje, se você carregar, vão te dar proteção com a correção da inflação e uma remuneração real muito importante neste cenário de alívio fiscal", disse.

No cenário oposto, de reeleição do governo atual, Freitas diz que as projeções de juros futuros podem aumentar e elevar o juro real dos títulos para IPCA + 10%. Neste caso, os preços dos papéis cairiam, mas o investidor mantém a proteção contra inflação.

"Ele bate o CDI nos dois cenários", disse, em referência à rentabilidade atrelada aos juros mais tradicional da renda fixa.

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Touros e Ursos da semana

No encerramento do episódio, o tradicional quadro Touros e Ursos trouxe os destaques da semana.

No lado dos Ursos (destaques negativos), a Braskem (BRKM5) foi escolhida após entrar com pedido de recuperação extrajudicial. A petroquímica busca renegociar uma dívida próxima de US$ 11 bilhões após anos de dificuldades operacionais e financeiras.

Outro urso foi o Lulinha, filho do presidente Lula, que está envolvido em investigações sobre tráfico de influência e é um fator de pressão adicional para a campanha petista em um momento decisivo da disputa eleitoral.

Nos Touros (destaques positivos), o Bitcoin (BTC) apareceu após forte recuperação recente. A criptomoeda avançou cerca de 25% em poucos dias, impulsionada por expectativas de queda dos juros longos nos Estados Unidos e maior apetite global por risco.

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Por fim, a Cosan (CSAN3) ganhou destaque com o avanço das negociações para a venda de parte da sua participação na Rumo. A operação pode ajudar a reduzir o endividamento da holding e aliviar suas despesas financeiras.

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