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DOIS GIGANTES, DUAS APOSTAS

200 mil ou pé atrás? Os três elementos que decidirão os próximos meses da bolsa brasileira

Enquanto o Bank of America adotou um tom de cautela sobre o Ibovespa daqui para frente, o Scotiabank projeta voos maiores para o índice brasileiro

Montagem com um fundo de gráfico de ações e a bandeira do Brasil dentro de uma lupa, gestores, ações, fundos
Imagem: Montagem Seu Dinheiro/ Canva/ istock/ cabral_augusto83

A campanha eleitoral está pegando fogo e virou o novo termômetro da bolsa brasileira, dividindo os grandes bancos internacionais entre a cautela de curto prazo e o otimismo com a possível volta do investidor estrangeiro. 

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O Bank of America (BofA) resume o clima entre os investidores: o sentimento do investidor permanece cauteloso, embora os aspectos técnicos tenham melhorado marginalmente, já que a saída de recursos estrangeiros cessou nas últimas duas semanas e o caso de afrouxamento monetário está se fortalecendo. 

O banco destaca que quase R$ 6 bilhões entraram em fluxo estrangeiro na B3 nos últimos dez dias, revertendo parcialmente os R$ 20 bilhões que haviam saído nos três meses anteriores.  

Ainda assim, o BofA pondera que os fundos de ações brasileiras continuam registrando saídas — ou seja, a confiança melhorou, mas ainda não é geral. 

Diante desse cenário de incerteza — típico de ano eleitoral —, o BofA vê nas opções do Ibovespa uma forma interessante de se posicionar. 

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Segundo o banco, elas permitem tentar capturar ganhos com a volatilidade da eleição, mas com um risco limitado e conhecido de antemão, algo especialmente relevante quando ninguém sabe exatamente para qual lado o pêndulo político vai balançar nas próximas semanas. 

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Ibovespa: 200 mil pontos é possível  

Enquanto o BofA mede o clima com cautela, o Scotiabank aposta mais alto. Segundo Michel Frankfurt, head da corretora do banco no Brasil, o Ibovespa pode facilmente chegar aos 200 mil pontos com a volta do investidor estrangeiro — movimento que já começou a ganhar força no fim de agosto. 

O raciocínio de Frankfurt passa por um reposicionamento eleitoral: o mercado vinha apostando na continuidade do governo atual, mas as pesquisas recentes começaram a mostrar uma disputa mais equilibrada.  

“E o estrangeiro já começou a se posicionar para esse cenário. Obviamente é uma aposta”, diz o executivo. 

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Segundo ele, essa mudança de expectativa veio junto com um discurso mais moderado da oposição, com sinalização de nomes mais técnicos para o governo — o que reduz incertezas e ajuda o apetite por risco.  

Mas o head do Scotiabank lembra que o noticiário político pode virar de um dia para o outro, e cita o episódio das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) como exemplo de sobressalto que pegou o mercado de surpresa.  

Para ele, a campanha eleitoral deve trazer “choques de curto prazo”, com notícias boas e más alternando a direção dos preços. 

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Eleições 2026: Hora de comprar dólar e fugir da bolsa?

O verdadeiro motor por trás da bolsa 

Se a eleição é o assunto do momento, Frankfurt é categórico ao dizer que o que realmente move a bolsa no médio prazo são os juros.  

O Brasil opera com uma das taxas reais mais altas do mundo, o que pesa sobre empresas e investimentos — e, na visão dele, o próprio Banco Central já reconhece que essa conta precisa ser resolvida. 

A expectativa é que sinais melhores de inflação e um Produto Interno Bruto (PIB) mais fraco abram espaço para o início de um ciclo de corte de juros depois da eleição — independentemente de quem ganhar.  

A diferença estaria na velocidade: um governo com agenda fiscal mais market friendly (favorável ao mercado) permitiria quedas mais rápidas nos juros; a manutenção do cenário atual tenderia a um corte mais gradual. 

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Essa distinção também muda quem ganha com cada cenário, segundo Frankfurt. Na continuidade do governo atual, setores ligados à baixa renda tendem a se sair bem, e exportadoras podem se beneficiar de um câmbio mais alto. 

Com uma mudança no poder, os juros tendem a cair mais rápido, favorecendo empresas cíclicas domésticas, companhias mais endividadas e negócios ligados ao setor público. 

Sobre o cenário externo, Frankfurt vê a guerra como um fator de volatilidade que perdeu parte do “efeito surpresa” que tinha no início do conflito — quando o medo era de choques mais fortes, principalmente no preço do petróleo.  

Sem escaladas inesperadas, o impacto tende a ser mais administrável, com o mercado se acostumando a mudanças na logística e na oferta global. 

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*Com informações do Estadão Conteúdo

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