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BONANÇA FICOU PRA TRÁS

A farra do Brasil acabou? Para o UBS, agora é hora de apertar os cintos na bolsa de valores; por que o cenário virou?

Banco suíço tirou as ações brasileiras da lista dos mercados emergentes favoritos e vê eleições, juros e risco fiscal como os principais obstáculos para novas altas

Candidatos às eleições presidenciais de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro
Imagem: Montagem Seu Dinheiro/Tânia Rêgo/Lula Marques/Agência Brasil

Depois de uma disparada de quase 40% em dólares em pouco mais de um ano, a bolsa de valores brasileira perdeu espaço entre as favoritas do UBS. O banco suíço rebaixou sua recomendação para as ações locais de "atrativa" para "neutra", avaliando que boa parte do potencial de valorização já ficou para trás e que o cenário para os próximos meses deve ser marcado por mais incertezas.

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Na visão do time de análise, o mercado começa a entrar no período mais delicado do ciclo pré-eleitoral.

Desde junho de 2025, a bolsa de valores brasileira acumula alta de cerca de 25% em moeda local e de 38% em dólares, movimento sustentado tanto pelo crescimento dos lucros das empresas quanto pela expansão dos múltiplos de negociação.

Agora, o UBS acredita que o investidor terá de conviver com um ambiente mais turbulento.

Os três motivos para cautela com a bolsa de valores brasileira, segundo o UBS

O banco aponta três motivos principais para adotar uma postura mais cautelosa com a bolsa de valores brasileira: o aumento das incertezas políticas às vésperas da eleição presidencial de outubro, a expectativa de um ciclo de cortes da Selic mais limitado do que se imaginava e a deterioração das preocupações fiscais.

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Segundo o relatório, a corrida eleitoral deve ganhar cada vez mais influência sobre os ativos brasileiros nos próximos meses. Historicamente, a volatilidade tende a aumentar conforme se aproxima o primeiro turno, e o mercado já começou a monitorar com mais atenção pesquisas eleitorais e possíveis mudanças na condução da política econômica.

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Além disso, o UBS avalia que o impulso vindo da queda dos juros perdeu força. Após o primeiro corte da Selic em março, as expectativas para a taxa básica voltaram a subir diante das preocupações com inflação e preços de energia. Hoje, o mercado projeta menos de 0,50 ponto percentual adicional de redução até outubro.

O banco também chama atenção para o risco fiscal. Na avaliação da instituição, medidas de estímulo em ano eleitoral podem ampliar as dúvidas sobre a trajetória da dívida pública, elevando o prêmio de risco dos ativos brasileiros e aumentando a vulnerabilidade do real em momentos de estresse global.

Mas não é de todo ruim

Apesar do rebaixamento, o UBS não vê um quadro negativo para as empresas listadas. O banco destaca que os fundamentos corporativos seguem relativamente sólidos, com lucros resilientes e valuations próximos das médias históricas.

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A instituição também mantém uma visão positiva sobre temas estruturais ligados ao Brasil, como a exposição a minerais críticos, terras raras, energia e infraestrutura. Além disso, ressalta que o mercado brasileiro continua oferecendo diversificação dentro do universo emergente por ter menor dependência de empresas de tecnologia do que as bolsas asiáticas.

Por ora, porém, o UBS entende que o cenário político e macroeconômico reduz o espaço para novas altas expressivas da bolsa no curto prazo. O banco afirma que poderá rever sua posição caso haja uma melhora das perspectivas para os juros ou uma sinalização eleitoral considerada mais favorável pelos investidores.

Entre os mercados emergentes preferidos da instituição estão China — especialmente o setor de tecnologia —, Coreia do Sul, Indonésia e Malásia.

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