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TOUROS E URSOS #272

Por que os juros são tão altos no Brasil? Economista avalia os principais motivos que sustentam a Selic em dois dígitos

No Touros e Ursos desta semana, Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, comenta um dos temas mais importantes da economia brasileira

O Brasil é conhecido por ter uma das maiores taxas de juros do mundo, mas entender o porquê disso não é tão simples.

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De um lado, economistas apontam o desequilíbrio fiscal como o principal culpado da Selic em dois dígitos. Do outro, os especialistas considerados “heterodoxos” dizem que a pressão do mercado financeiro sustenta os juros nas alturas.

No podcast Touros e Ursos, Jeferson Bittencourt, economista-chefe do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional, afirmou: o juro alto não é o vilão inicial, mas um sintoma de uma série de problemas que o país carrega.

Segundo o economista, não é que os juros no Brasil “estão” altos. A verdade é que os juros no Brasil “são” altos — as vezes um pouco mais, um pouco menos, mas sustentadamente altos desde sempre.

Um problema ecumênico

Segundo Bittencourt, os problemas que resultam neste cenário de juros em dois dígitos são "ecumênicos", ou seja, estão espalhados por diversos setores da nossa sociedade e economia.

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O economista cita a concentração bancária no Brasil. Mesmo com o avanço das fintechs nos últimos anos, historicamente, todo o serviço bancário do país está concentrado em grandes bancos. Isso desequilibra a balança e dá mais poder decisório para essas instituições em relação aos juros.

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Outro exemplo vem de um setor menos óbvio: o Judiciário. Segundo Bittencourt, a Justiça brasileira tende a favorecer o devedor em última instância, o que obriga o credor (quem emprestou o dinheiro) a cobrar um prêmio de risco (juros) maior nas operações de crédito.

Em outras palavras: para compensar o risco de possivelmente perder na Justiça, o banco (e qualquer outra instituição financeira) cobra mais caro de todo mundo, inclusive de quem paga em dia.

Além desses dois exemplos, o economista fala sobre a escassez de dinheiro disponível para crédito e a famigerada dívida pública. Ouça no episódio completo.

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Momento de cautela com os juros

O Brasil tem suas próprias questões, claro, mas o cenário lá fora também não tem ajudado. Bittencourt afirma que os conflitos internacionais e a alta dos juros em países como os Estados Unidos forçam o Brasil a ser mais prudente e manter a Selic alta.

Antes da guerra no Irã, a expectativa era que a Selic caísse de forma mais acelerada, mas agora o Banco Central deve seguir um caminho de "cortes a conta-gotas", reduzindo apenas 0,25 ponto percentual por reunião.

A ideia é não baixar os juros rápido demais e correr o risco de ver a inflação disparar novamente.

No fim das contas, para que o Brasil tenha juros baixos de verdade e de forma duradoura, Bittencourt acredita que o país precisa enfrentar reformas difíceis, como os gastos obrigatórios com previdência e salários.

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Sem isso, o Banco Central fica "sem espaço" para grandes manobras. O economista defende que a sociedade precisa pressionar por esse debate, pois, organicamente, os políticos evitam tocar em temas que podem tirar votos no curto prazo.

Touros e Ursos

Para encerrar o episódio, o programa traz o quadro Touros e Ursos, que usa os símbolos clássicos do mercado: o Touro como referência de alta e o Urso, de baixa.

Nesta semana, os ursos (destaques negativos) foram a empresa de moda Azzas 2154, devido a uma briga pública de poder entre seus sócios e o investidor estrangeiro, que tem retirado dinheiro da bolsa brasileira para buscar lucros nos Estados Unidos.

Já no lado dos touros (destaques positivos), brilharam as empresas de energia Taesa e Energisa, após um bom negócio entre elas, e o Spotify, que lançou uma ferramenta para facilitar a compra de ingressos de shows para fãs.

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Confira o episódio completo do Touros e Ursos

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