Ibovespa dispara e tem melhor desempenho do mundo em dólar — enquanto Merval, da Argentina, fica na lanterna global
Os dólares dos gringos estavam marcados para as bolsas emergentes, mas nem todos os países conseguiram aproveitar a onda

O Ibovespa em 2026 está num ritmo que nenhuma outra bolsa atingiu. Em dólares, o índice brasileiro de ações registra alta de 17,72%, mesmo diante da queda dos últimos dias por causa da guerra no Irã. Esse desempenho coloca a bolsa do Brasil no número um global, com folga em relação aos pares mundiais.
Os dados são da consultoria Elos Ayta e consideram o desempenho em dólar de 21 dos principais índices globais, até 18 de março de 2026.
O desempenho do Ibovespa consolida o Brasil como um dos destinos mais atrativos para o investidor estrangeiro — especialmente em um início de ano em que os grandes fundos globais buscam mercados fora dos EUA para investir.
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Em janeiro e fevereiro, a entrada de capital estrangeiro fez o Ibovespa renovar a pontuação recorde sucessivamente, chegando a níveis acima de 200 mil pontos. Um desempenho que só foi possível com a entrada do dinheiro gringo, visto que os investidores locais estão fora da bolsa.
O Brasil, no entanto, não foi o único destino dos dólares globais. O movimento de saída de capital dos Estados Unidos também encontrou outros mercados emergentes.

Emergentes brilham, menos a Argentina
A fotografia da América Latina é quase homogênea — com uma grande exceção.
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Quase todas as bolsas da região operam no campo positivo em 2026, em dólares. A bolsa do Peru sobe 14,22%, registrando o segundo melhor desempenho entre os 21 índices analisados.
Colômbia e México também tiveram bons desempenhos neste começo de ano. O Chile subiu pouco, mas ainda conseguiu manter seu desempenho no azul.
A exceção que grita alto é a Argentina. O S&P Merval, principal índice da bolsa do país vizinho, despencou 7,95% em dólar, isolando os hermanos na lanterna global neste início de ano.
- Brasil: +17,72%
- Peru: +14,22%
- Colômbia: +5,88%
- México: +4,21%
- Chile: +1,87%
- Argentina: -7,95%
EUA no vermelho, mas Europa e Ásia tentam
Fora da América Latina, fica claro a saída de dólares dos mercados desenvolvidos, principalmente dos EUA. Os três principais índices recuam em dólares:
- S&P 500: -3,23%
- Dow Jones: -3,82%
- Nasdaq: -4,69%
Na Europa, o quadro é heterogêneo.
A maior parte das bolsas está no terreno negativo, como Alemanha (-6,24%), França (-4,45%) e Itália (-2,74%).
Mas algumas exceções importantes destoam da tendência: Reino Unido (+2,38%), Holanda (+2,70%) e Portugal (+8,00%) garantem retornos positivos relevantes e mostram que a região não se move de forma uniforme.
O desempenho da Ásia também se divide. O destaque é o Japão, com uma expressiva alta de 7,67% em dólar.
Na direção oposta, os índices chineses seguem em um ritmo mais fraco, com variações moderadas ou negativas. O Hang Seng subiu 3,46% no ano, enquanto o SSE Xangai caiu 1,32%.
A guerra deixou o mercado de ações mais volátil. Não está claro se a tendência dos mercados emergentes irá se manter neste cenário. Mas, por enquanto, o Brasil e o Ibovespa estão na dianteira — graças aos gringos.
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