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O banco vê catalisadores positivos que podem sustentar as ações brasileiras nos próximos meses, mesmo diante de desafios conjunturais e estruturais

Depois da montanha-russa que foi o primeiro semestre, a XP entrou na segunda metade de 2026 olhando menos para o passado e mais para duas perguntas que devem definir o rumo do Ibovespa daqui para frente: para onde vão os juros e qual será o impacto das eleições presidenciais sobre a percepção de risco do país.
As respostas levaram a corretora a reduzir sua projeção para o principal índice de ações da bolsa: de 205 mil para 200 mil pontos ao final do ano.
Ainda assim, o time comandado por Fernando Ferreira mantém uma visão positiva para as ações brasileiras, argumentando que os preços seguem atrativos e que o nível de pessimismo dos investidores atingiu um extremo que, historicamente, costuma anteceder recuperações de mercado.
Em outras palavras, a XP enxerga um segundo semestre mais difícil do que o primeiro, mas não necessariamente ruim para o Ibovespa.
O maior sinal de alerta vem dos indicadores macroeconômicos, mais especificamente, juros e inflação. A XP trabalha com quatro possíveis cenários para esses dois indicadores para avaliar o impacto nas ações brasileiras. São eles:
Esses cenários consideram as projeções e estimativas dos agentes financeiros para os indicadores no futuro. Neste momento, o modelo indica que o Brasil já entrou em um ambiente de projeções de inflação em alta, que provavelmente irá continuar nos próximos meses. Com isso, as projeções do mercado para a taxa de juros devem acompanhar e subir também, levando a um cenário de inflação alta combinada com juros em alta.
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A expectativa dos analistas é que essa transição aconteça entre agosto e setembro, caso as taxas de juros estimadas pelo mercado permaneçam próximas dos níveis atuais.
E essa mudança importa porque, historicamente, esse é o pior ambiente para as ações brasileiras.
Nos cálculos da XP, o Ibovespa apresentou retorno real anualizado médio de 11,2% em períodos de inflação e juros em queda. Já nos momentos de inflação alta e juros em alta, o retorno médio foi negativo em 17,5% ao ano.
Basicamente, juros elevados tornam os investimentos de renda fixa mais atraentes e encarecem o crédito para empresas e consumidores. Como consequência, parte das companhias tende a crescer menos e seus lucros ficam sob maior pressão.
Por isso, se esse cenário realmente se confirmar, os investidores devem se tornar mais seletivos em relação às ações do Ibovespa.
O segundo grande tema do semestre é a eleição presidencial.
Embora a votação aconteça apenas em outubro, a XP afirma que o chamado "ciclo eleitoral" já está sendo precificado pelos agentes financeiros, com impacto na volatilidade das ações e do dólar.
A grande questão, segundo o relatório, não é quem vencerá a disputa. Os investidores estão aguardando os planos que o futuro presidente tem para a política fiscal a partir de 2027.
A preocupação não é nova: a dívida pública brasileira está crescendo e, segundo projeções da própria XP, a dívida bruta pode chegar a 88,1% do PIB em 2027, contra 83,3% projetados para 2026.
Este seria um dos motivos que explica por que o mercado continua exigindo juros reais tão altos para financiar o governo — porque o risco-país cresce na mesma velocidade da dívida.
Na avaliação do banco, fica difícil imaginar uma valorização consistente e duradoura do Ibovespa e demais ações sem uma melhora crível das perspectivas fiscais do país.
Mas nem tudo é cenário de risco. Um dos argumentos construtivos em relação às ações brasileiras é o valuation. O Ibovespa negocia hoje a cerca de 8,3 vezes os lucros projetados das empresas, diz o relatório, um patamar abaixo de sua média histórica de 11 vezes.
Além disso, o índice de sentimento desenvolvido pela XP atingiu o nível zero em uma escala que vai de 0 a 100, indicando o maior grau possível de pessimismo dos investidores com a bolsa.
Historicamente, segundo o banco, níveis tão baixos de confiança costumam funcionar como um sinal contrário: quando a maioria dos investidores está excessivamente pessimista, aumenta a chance de recuperação dos ativos.
Ventos favoráveis também podem vir de fora, segundo os analistas.
Nos últimos meses, investidores internacionais concentraram recursos em empresas ligadas à inteligência artificial, especialmente nos Estados Unidos e em mercados asiáticos.
Esse movimento ajudou a reduzir o interesse por países como o Brasil e fez os estrangeiros resgatarem parte dos recursos que tinham alocado no começo do ano.
Agora, porém, a XP vê sinais de que esse entusiasmo pode estar perdendo força.
Caso ocorra uma rotação de capital para setores mais tradicionais ou para mercados considerados baratos, o Brasil de voltar a ser um dos candidatos naturais a receber parte desses recursos.
Apesar da redução na projeção principal para 200 mil pontos, a XP trabalha com três cenários para o fim do ano:
Considerando que o Ibovespa encerrou junho aos 172.024 pontos, o cenário-base implica um potencial de valorização de 16,2% nos próximos meses.
RESUMO DA SEMANA
FICOU PARA TRÁS?
FIM DO RALI?
Conteúdo Empiricus
Conteúdo SD Select
EM ROTA DE EXPANSÃO
INADIMPLÊNCIA NO AGRO
REPORTAGEM ESPECIAL
RENDA PASSIVA
MERCADOS
RECUPERAÇÃO ETERNA?
RESUMO SEMANAL
A TREND DA RECOMPRA
HORA DE COMPRAR?
VAIAS EM WALL STREET
TRIPLICANDO O PATRIMÔNIO
DE OLHO NA FARIA LIMA
PRESENÇA FORTE EM SP
ESTÃO BARATAS?