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ECONOMIA

Brasil na encruzilhada: Itaú endurece projeções e vê cenário pior para a economia local e internacional

Estimativas de juros, inflação e câmbio foram todas revisadas para cima, mesmo com a perspectiva de alívio nos preços de petróleo

Imagem gerada por inteligência artificial mostra o mapa do Brasil com a bandeira nacional sobreposta, em meio a gráficos financeiros, simbolizando a economia do país
Imagem: Sora / ChatGPT

Revisamos nossas projeções: dólar mais caro, juros maiores e inflação mais alta — não só no Brasil, no mundo. Este é o novo cenário traçado pela equipe de análise macroeconômica do Itaú.

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Em relatório, o banco afirma que, apesar do acordo que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, ainda há dúvidas sobre a viabilidade de um cessar-fogo mais duradouro.

Isso significa que os preços do petróleo devem seguir voláteis, além da dificuldade de recomposição dos estoques da commodity e seus derivados após os ataques a refinarias importantes da região do Golfo.

“Esperamos o petróleo em US$ 80/barril em 2026 e US$ 75/barril em 2027, com diminuição gradual do prêmio de risco geopolítico”, diz o relatório.

Entretanto, os impactos deste panorama serão duradouros.

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Estados Unidos pressionados

Nos Estados Unidos, a inflação tem se mostrado pior que o esperado pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

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O núcleo do PCE, indicador preferido para acompanhamento das autoridades monetárias do país, está em um ritmo médio mensal de 0,34% de janeiro a maio, bem acima do necessário para a convergência à meta de 2% (0,17%).

O Itaú destaca que o país vive sucessivos choques inflacionários: tarifas de importação, aumento dos custos dos insumos relacionados a inteligência artificial e alta dos preços de energia.

A resposta deve ser o aumento de juros: duas altas este ano, em setembro e outubro. Se acontecer, a faixa das taxas norte-americanas deve subir do atual 3,50% e 3,75% ao ano para 4% e 4,25% até o fim de 2026.

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Juros mais altos nos EUA significa dólar valorizado.

Somente a expectativa dessa alta já repercutiu na moeda norte-americana nas últimas semanas. “Assim, revisamos para cima nossa projeção para o índice DXY neste ano, de 98,2 para 102,2 pontos”, diz o relatório.

  • O DXY é o índice que mede a moeda norte-americana na comparação com uma cesta de moedas fortes e serve como termômetro para a força do dólar.

Europa adiantada

Enquanto os EUA cogitam aumentar os juros, a Europa se antecipou e já fez seu primeiro ajuste em junho. A taxa de depósitos, usada como referência pelo BCE, subiu de 2% para 2,25%.

Porém, o alívio mais imediato nos preços de energia com a notícia da reabertura de Ormuz “retira a urgência de mais uma alta”. Esse aumento ainda vai acontecer, mas não mais em julho, como o Itaú esperava anteriormente.

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O próximo ajuste nas taxas da zona do euro é esperado para setembro, pelo Itaú.

“Nossa expectativa é que o BCE [Banco Central Europeu] leve a taxa de juros em 2026 para 2,50%, o topo das estimativas de juro neutro, com essas altas sendo logo revertidas em 2027”, diz o relatório.

Impacto no Brasil

Na inflação

A inflação deve fechar o ano com alta de 5,4%, segundo o Itaú.

Se confirmado, será o maior nível desde 2022, quando fechou em 5,78%, repercutindo a quebra na cadeia de fornecimento global durante a pandemia. Em 2023, 2024 e 2025, o índice de preços oficial (IPCA) se manteve abaixo de 5%.

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Entretanto, o banco pondera que não está olhando apenas para os preços do petróleo ao projetar este número.

“Deixamos de incorporar altas adicionais de gasolina, à medida que o recuo recente do petróleo reduz a pressão por novos reajustes. Em contrapartida, elevamos a projeção de inflação de alimentos, incorporando um possível efeito do El Niño sobre os preços de cereais” diz o relatório.

No câmbio

Outro possível impacto na inflação pode vir do câmbio. De uma projeção de R$ 5,15 para o ano, os analistas subiram a estimativa para R$ 5,30.

“A revisão reflete principalmente a mudança do cenário externo, com a expectativa de juros mais elevados nos Estados Unidos e de uma trajetória de fortalecimento do dólar”, diz o relatório.

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Embora o diferencial de juros ainda ofereça algum suporte para o real no curto prazo (14,25% no Brasil e 3,50% nos EUA), o possível aumento das taxas pelo Fed, a volatilidade eleitoral no segundo semestre e a queda no preço do petróleo (que diminui o fluxo de entrada de dólares no Brasil nas vendas) apontam para uma depreciação da moeda brasileira.

Nos juros

Para a equipe de análise do Itaú, o Banco Central adotou uma postura mais cautelosa na última reunião de política monetária. A comunicação não sinalizou um novo corte nos juros, mas também não indicou a manutenção da taxa.

O banco revisou a Selic ao final do ano em 14%, frente a estimativa anterior de 13,75%.

A expectativa por um último ajuste de 0,25 ponto percentual (p.p.) em agosto tem como base a avaliação de que a comunicação apontou para um balanço de risco altista para a inflação.

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Tanto que, o relatório deixa em aberto a possibilidade deste corte nem acontecer: “reconhecemos que, diante de um cenário com expectativas desancoradas e atividade acelerando, o risco é de que esse último corte não se concretize.”

Para além da inflação, outras pressões que reforçam a necessidade dos juros altos, segundo o Itaú, são o mercado de trabalho consistentemente nas mínimas históricas, atividade aquecida pelos benefícios do governo e a virada de cenário do mercado externo.

“Esperamos manutenção da taxa de juros em território contracionista por um período prolongado e retomada da flexibilização em 2027”, diz o Itaú.

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