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RENDA EXTRA NÃO VALE A PENA?

Cyrela (CYRE3) pode ativar ‘gatilho’ que pagaria até R$ 1,9 bilhão em dividendos extraordinários — mas o lucro não deve chegar ao bolso do acionista; por quê?

JP Morgan calcula que a venda de subsidiárias poderia gerar renda extra para os acionistas da Cyrela, mas a operação não seria tão benéfica; entenda

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1 de abril de 2026
15:15
Construtoras em alta na bolsa
Construção civil - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

A Cyrela (CYRE3) pode destravar dividendos bilionários de até R$ 1,88 bilhão, segundo estimativas do JP Morgan. Segundo o banco, embora o montante pareça bastante atrativo à primeira vista, todo esse valor não chegaria de fato ao bolso dos acionistas.

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Isso porque os proventos seriam gerados no caso da venda integral das participações da Cyrela na Cury (CURY3), Lavvi (LAVV3) e Plano&Plano (PLPL3). No entanto, o retorno total da operação seria limitado devido à redução no preço justo remanescente da construtora.

Ou seja, o ganho com os dividendos seria pontual e compensado posteriormente pela perda de valor dos ativos no balanço da Cyrela. Pelos cálculos do JP Morgan, o retorno total ao acionista seria de apenas 1%.

Na prática, a maior parte do lucro viria da venda das ações acima do valor contábil — um efeito não recorrente. No entanto, após a operação, a empresa ficaria menor e com menos capacidade de geração de resultados.

20% do lucro da Cyrela veio das três empresas

Somente em 2025, a Cury, Plano&Plano e Lavvi adicionaram cerca de R$ 395 milhões ao lucro líquido da Cyrela.

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A cifra representou aproximadamente 20% do total reportado, sendo R$ 170 milhões oriundos da Cury, R$ 123 milhões da Plano&Plano e R$ 102 milhões da Lavvi.

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Portato, sem essa contribuição das três empresas, o resultado da companhia seria afetado e, consequentemente, reduzido.

Venda da Cury é o cenário mais favorável, mas com ressalvas

O JP Morgan simulou seis cenários de desinvestimentos. O mais favorável envolve a venda total da fatia de cerca de 15% na Cury, com potencial de retorno de até 14%.

A explicação está na forte valorização de CURY3 desde a estreia na bolsa em 2020 — cerca de 257%, considerando a cotação desta quarta (1) — , o que ampliou a diferença entre o valor de mercado e o valor registrado no balanço da Cyrela.

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De acordo com o relatório, essa operação poderia gerar cerca de R$ 1,18 bilhão em dividendos extraordinários. No entanto, nem mesmo esse cenário alteraria a tese estrutural.

O estudo observa que, ao vender a participação total, a Cyrela renunciaria a algo importante: a Cury gera lucro recorrente todo ano.

O JP Morgan aponta que a manutenção dessas fatias ajuda a Cyrela a manter um Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) em torno de 18% a 19%.

Sem a participação da Cury, o ROE implícito cairia para 17,8%. No caso de todas as participações vendidas, o ROE seria de cerca de 16%. Portanto, embora os retornos da Cyrela não dependam exclusivamente da Cury, Lavvi e Plano&Plano, as três companhias ainda fazem "peso" nos resultados da empresa.

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Vale lembrar, porém, que a Cyrela já realizou movimentos nessa direção. No terceiro trimestre de 2025, a companhia reportou cerca de R$ 210 milhões em ganhos com a venda de ações da Cury.

Os cenários do relatório levaram em consideração algumas premissas, como a tributação de 15% sobre o lucro com as vendas das participações. Além disso, todas as simulações consideraram que a Cyrela conseguiria cancelar acordos de acionistas sem penalidades.

O acordo atual com as empresas estabelece que a Cyrela deve manter 15% em Lavvi, 14% em Cury e 14% em Plano&Plano.

Vale a pena investir em CYRE3?

Mesmo com o exercício, o JP Morgan mantém recomendação de compra para os pepéis CYRE3, com preço-alvo de R$ 37,50, o que implica potencial de valorização próximo de 30%.

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A expectativa do banco é de que a construtora continue se beneficiando da diversificação de negócios, atuando tanto na baixa renda como na média e na alta, além do crescimento das três investidas.

Além disso, os analistas destacam que as subsidiárias da Cyrela incluem ainda a CashMe, uma empresa focada em empréstimos com garantia imobiliária, que tem uma carteira que poderá valer cerca de R$ 2 bilhões — ainda pouco refletido no valuation.

*Com informações do Money Times

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