Deixando R$ 100 mil na mesa: abrir mão da liquidez diária na renda fixa conservadora pode render até 40% a mais no longo prazo
Simulação do banco Inter com CDBs mostra quanto é possível ganhar a mais, no longo prazo, ao se optar por ativos sem liquidez imediata, ainda que de prazos curtos

Os investidores conservadores tendem a preferir manter a maior parte ou a totalidade das suas reservas em ativos de renda fixa pós-fixada (indexada à Selic ou ao CDI), de baixíssima volatilidade e com liquidez diária, isto é, que podem ser resgatados a qualquer momento.
Um bom exemplo desses investimentos são os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), emitidos por bancos e geralmente remunerados com base em um percentual do CDI.
De uns anos para cá se tornaram comuns, nos bancos e plataformas de investimento, os CDBs que pagam boas rentabilidades mesmo com liquidez diária — por exemplo, 100% do CDI.
Num país de juros elevados como o Brasil, um CDB de banco grande com essas características é um dos exemplos maiores de como é possível ganhar dinheiro sem fazer esforço e praticamente sem risco.
Como acontece com outros tipos de investimento, porém, o investidor consegue ganhar ainda mais se topar abrir mão da liquidez diária e adquirir CDBs de vencimentos mais longos, como um, dois ou três anos.
Trata-se de uma forma de turbinar o rendimento da parcela mais conservadora da sua carteira sem aumentar o risco de crédito ou a volatilidade — desconsiderando-se, é claro, a reserva de emergência, que deve ficar obrigatoriamente aplicada em investimentos conservadores de liquidez diária.
Leia Também
Muitos brasileiros, porém, ainda são apegados à liquidez imediata nas suas aplicações mais conservadoras. Mas uma análise feita pelo banco Inter demonstrou quanto dinheiro o investidor que não abre mão da liquidez de jeito nenhum está deixando na mesa.
Retorno poderia ser cerca de 40% maior no cenário atual
Em relatório recente, o analista do Inter Rafael Winalda resolveu calcular quanto o investidor de CDB de liquidez diária deixa de ganhar, no longo prazo, ao abrir mão de retornos anuais maiores (ainda que apenas 0,5% ou 1,0% mais altos) que ele poderia obter num CDB com liquidez apenas no vencimento.
Parece pouco, mas a simulação dele mostra que, em prazos como dez, 15 ou 20 anos, a diferença pode ser significativa.
Primeiro, Winalda simulou os retornos para ativos de renda fixa que remunerem 100%, 102% e 105% do CDI com liquidez diária e comparou-os com o desempenho de ativos sem liquidez diária com vencimentos superiores a dois anos e retornos adicionais de 1% e 2%, rentabilidades condizentes com o mercado atual.
Foi considerado um prazo de investimento de 20 anos (até 2045), mas sem que os ativos precisassem ter um vencimento tão longo. A premissa era apenas de que eles tivessem prazo superior a dois anos, sendo os recursos reinvestidos sempre que vencessem.
Para o CDI foi considerada uma taxa de 12,25% em 2025, 11,00% em 2026, 10,00% em 2027 e 9,00% de 2028 em diante.
Assim, levando-se em conta apenas um aporte inicial único e a rentabilidade bruta, isto é, sem desconto de imposto de renda, o retorno acumulado destes cinco diferentes ativos mostrou uma diferença de até cerca de 40%, diz Winalda.
Em outras palavras, num prazo de 20 anos e após múltiplos reinvestimentos, a diferença entre o retorno do CDB mais rentável dentre os títulos sem liquidez diária e o retorno do CDB menos rentável com liquidez diária chegou a cerca de 40%.
De fato, muita gente não tem estômago para a volatilidade de um investimento em ações nem quer ter a dor de cabeça de correr o risco de crédito de uma debênture, mas acaba priorizando a liquidez diária mesmo para a parcela da carteira destinada aos objetivos de médio e longo prazo.
Esses investidores acabam renovando o investimento por vários anos, deixando de ganhar um retorno maior em uma aplicação igualmente conservadora, porém sem a liquidez imediata da qual ele, de fato, vai acabar não precisando.
Deixando R$ 100 mil na mesa
Winalda ainda fez uma segunda simulação com os mesmos ativos, prazo e juros estimados, porém levando em conta outros dois fatores: aportes recorrentes de R$ 500 por mês e o desconto do imposto de renda sobre os rendimentos.
Os ativos de renda fixa não isentos de IR são tributados de acordo com uma tabela regressiva, em que as alíquotas diminuem de acordo com o prazo do investimento.
Assim, aplicações que vencem ou são resgatadas em menos de seis meses são tributadas em 22,5%, enquanto aquelas que vencem ou são resgatadas após dois anos são tributadas em apenas 15%.
Portanto, na sua segunda simulação, Winalda considerou, além dos aportes mensais, que os CDBs de liquidez diária teriam seus rendimentos tributados em 22,5% — uma vez que ativos com essa característica frequentemente têm vencimentos inferiores a seis meses — e que os CDBs sem liquidez diária e com prazos superiores a dois anos teriam seus rendimentos tributados em 15%.
O resultado ficou assim:
| Ativo | Valor acumulado |
| CDB 100% do CDI com liquidez diária | R$ 291.702,57 |
| CDB 102% do CDI com liquidez diária | R$ 297.209,64 |
| CDB 105% do CDI com liquidez diária | R$ 305.705,92 |
| CDB sem liquidez diária com prêmio de 1% | R$ 354.620,00 |
| CDB sem liquidez diária com prêmio de 2% | R$ 393.987,77 |
Repare que a diferença entre o CDB sem liquidez diária mais rentável e o CDB com liquidez diária menos rentável chegou a mais de R$ 100 mil em 20 anos (2045).
Em outras palavras, quem ficou por 20 anos fazendo aportes recorrentes em CDBs curtinhos de liquidez diária e que rendem 100% do CDI poderia ter recebido cerca de 35% a mais se tivesse optado por um CDB mais longo e com liquidez apenas no vencimento.
Winalda conclui sua análise dizendo que "cada 1% ao ano importa, e muito, no longo prazo", uma demonstração do poder dos juros compostos no patrimônio do investidor.
- Leia também: Quanto rende investir R$ 1.000 por mês? Como usar o poder dos juros compostos a seu favor
RENDA FIXA
Tesouro Direto: o mercado queimou a largada? Confira a tese defensiva do Safra para os títulos públicos
8 de outubro de 2026 - 18:15RENDA FIXA
Tesouro Direto: Tesouro IPCA+ 8% não existe mais, e quem comprou já lucra até 25%; veja quanto os títulos pagam agora
7 de outubro de 2026 - 18:23CARTEIRA RECOMENDADA
Ainda tem renda fixa pagando IPCA+ 8% por aí: veja a escolha dos bancões para títulos isentos e Tesouro Direto
7 de outubro de 2026 - 16:02VISÃO DO GESTOR
A eleição já mudou a forma de investir? Gestora de fortunas aumenta aposta em Tesouro IPCA+, prefixados e ações
6 de outubro de 2026 - 18:29CRÉDITO PRIVADO
A correção das debêntures incentivadas acabou? Sparta vê risco de nova onda de resgates
6 de outubro de 2026 - 15:58RENDA FIXA
Tesouro Direto: preços disparam e taxas caem após primeiro turno, com ‘otimismo Flávio’; veja quanto o Tesouro IPCA+ oferece agora
5 de outubro de 2026 - 15:49RENDA FIXA
Nove em cada dez debêntures passaram a pagar mais: entenda quem perde e quem ganha com isso
2 de outubro de 2026 - 18:00SD ENTREVISTA
O ESG saiu da moda? Para a Régia Capital, ele ficou ainda mais fundamental na análise de crédito
2 de outubro de 2026 - 6:00VISÃO DO GESTOR
As LCIs e LCAs realmente ajudam a economia? Gestora diz que renúncia de R$ 50 bilhões beneficia mais os bancões do que as empresas
1 de outubro de 2026 - 13:31TAG SUMMIT
Os FIDCs chegaram ao investidor comum: mercado de R$ 1 trilhão quer disputar espaço na carteira de renda fixa
29 de setembro de 2026 - 17:32CRÉDITO PRIVADO
Investidores abandonam fundos de crédito novamente; saídas já chegam a R$ 121 bilhões em 12 meses
28 de setembro de 2026 - 13:58Conteúdo Empiricus
Onde buscar oportunidades para ‘travar’ ganhos muito acima da inflação com a Selic a 13,75%?
27 de setembro de 2026 - 10:00Conteúdo Empiricus
Alerta na renda fixa: entenda como títulos com retornos de até IPCA + 11% ao ano correm o risco de ‘sumirem das prateleiras’ em breve
26 de setembro de 2026 - 9:00Conteúdo Empiricus
Perdeu o Tesouro IPCA+ 8%? Saiba que na renda fixa ‘premium’ ainda é possível buscar retornos reais de até 10,38% ao ano; veja os títulos
25 de setembro de 2026 - 11:00RENDA FIXA
Cadê as LCIs e LCAs que pagavam de 95% a 100% do CDI? Títulos isentos estão sumindo das prateleiras e oferecendo taxas menores
24 de setembro de 2026 - 6:02ESTRATÉGIA NA RENDA FIXA
É hora de comprar títulos prefixados no Tesouro Direto, diz XP; investimento deve bater o CDI nos próximos anos
23 de setembro de 2026 - 17:20PAGUE MENOS IMPOSTO
Reserva de emergência na bolsa de valores? Conheça os ETFs de renda fixa
23 de setembro de 2026 - 13:32CRÉDITO PRIVADO
3 títulos de renda fixa isentos de imposto de renda para comprar com a Selic em queda, segundo a Empiricus
22 de setembro de 2026 - 18:45DÚVIDA SOBRE ALÍQUOTA
Polêmica sobre imposto de renda de ETFs de renda fixa volta ao radar após XP suspender negociação de seis fundos de crédito
22 de setembro de 2026 - 8:38RENDA FIXA