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Após o tombo do Banco Master, investidores ainda encontram CDBs turbinados — mas especialistas alertam para o risco por trás das taxas “boas demais”
Durante muito tempo, os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do Banco Master foram os queridinhos dos investidores. A oferta de 120% do CDI era boa demais para ser ignorada, e a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) parecia suficiente para segurar as pontas do possível risco de uma taxa tão alta.
Não era. Esse caldo entornou — saiba o que rolou aqui —, o Banco Master está por um fio de sofrer intervenção do Banco Central e os investidores estão “órfãos” de CDBs de alta rentabilidade.
Afinal, acabaram os retornos de 120% do CDI? Em quais CDBs investir agora?
Esses retornos muito acima da média do mercado não acabaram: continuam por aí nas plataformas de corretoras.
Em uma busca rápida por grandes plataformas, como XP Investimentos e BTG Pactual, é possível encontrar CDBs do Digimais oferecendo até 114% do CDI ou do Banco Pleno, com taxas de 115% do CDI.
Segundo especialistas consultados pelo Seu Dinheiro, rentabilidades altas atreladas aos juros, porém consistentes, costumam se concentrar em faixas de 100% a 105% do CDI. Ou seja, mais do que isso já indica um risco aumentado da instituição financeira.
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Segundo levantamento da Quantum Finance, em outubro, os CDBs de maiores taxas ficaram exatamente nesse intervalo.
Para vencimento em seis meses, os CDBs mais rentáveis foram do BTG Pactual e da XP, com taxa de 102,2%. Nos títulos de um ano, Agibank e Banco Mercantil ofereceram 105,5% do CDI.
Taxas muito acima disso são um indicativo de que há algo de errado com o emissor, segundo os especialistas.
“Para um banco pagar muito acima de 110% do CDI, ele precisa muito de dinheiro e está disposto a pagar caro por esse recurso. Isso sinaliza maior risco de crédito, o que o mercado percebe como maior risco de calote”, diz o planejador financeiro Jeff Patzlaff.
Essa combinação dos sonhos de liquidez + alto retorno + pouco risco não existe no mercado financeiro.
O estrategista de investimentos da Bloxs, Gabriel Santos, afirma que, se a taxa parece “boa demais”, ela não deve ser avaliada de forma isolada. A pergunta correta é: “qual risco eu estou assumindo para receber esse prêmio?”
As taxas de 114% e 115% do CDI oferecidas pelos bancos Digimais e Pleno correspondem à descrição de risco dos especialistas.
O Digimais é considerado "o banco da Igreja Universal", porque pertence ao líder da instituição religiosa, Edir Macedo. A instituição tem avaliação de risco de crédito BBB pela Fitch e pela Moody's Local, considerada um bom risco de crédito.
Porém, no começo deste ano, Maurício Quadrado, dono do Bluebank e ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tentou comprar o Digimais. Entretanto, o Banco Central não aprovou a transação e o negócio subiu no telhado.
O Banco Pleno, por sua vez, era conhecido há poucos meses como Voiter — uma das subsidiárias do Banco Master. A instituição foi vendida para outro sócio de Vorcaro, Augusto Lima.
Embora não sejam CDBs do Banco Master em si, todos estão relacionados à instituição de alguma forma. O novo Banco Master, no final das contas, ainda é o Banco Master.
Patzlaff afirma que, atualmente, um CDB que paga 100% do CDI é um excelente retorno. Afinal, 100% do CDI equivale a 14,90% de rentabilidade ao ano. Taxas muito acima disso, o planejador financeiro considera um risco desnecessário para o investidor — a não ser que se tenha perfil para isso e se esteja disposto a esse risco.
Entretanto, neste momento, as oportunidades não estão apenas nos títulos atrelados ao CDI. CDBs com taxas prefixadas e atreladas ao IPCA também são boas opções, segundo os analistas.
Santos afirma que, com projeções de inflação ao redor de 5% para os próximos dois anos, CDBs IPCA + 8% tendem a entregar retornos em torno de 12% a 13% ao ano, “o que é competitivo para o prazo”.
Prefixados com valores similares também se encaixam na análise.
Segundo o levantamento da Quantum sobre as emissões de outubro, o chinês Haitong emitiu uma série de CDBs atrelados ao IPCA com as maiores taxas para essa indexação. Veja:
Retornos de CDBs indexados à inflação
| Prazo (meses) | Taxa mínima | Taxa média | Taxa máxima | Emissor da maior taxa |
|---|---|---|---|---|
| 12 | 8,60% | 8,96% | 9,34% | Haitong Banco de Investimento do Brasil |
| 24 | 7,72% | 8,13% | 8,80% | Haitong Banco de Investimento do Brasil |
| 36 | 7,22% | 7,88% | 8,40% | Haitong Banco de Investimento do Brasil |
O Haitong é um banco chinês com subsidiária no Brasil. A S&P Global atribuiu o rating BB+ para a unidade brasileira em março deste ano. Segundo Santos, trata-se de um emissor confiável, porém “não é um banco de risco baixo”.
Por ter uma controladora maior, a instituição tem a quem recorrer em caso de problemas financeiros, o que dá alguma garantia, mas não é livre de riscos.
Investimentos indexados ao IPCA costumam ser indicados para prazos longos, acima de cinco anos. O analista da CFA Society Brazil Harrison Gonçalves afirma que, para esse prazo, títulos que pagam acima de IPCA + 6,5% são boas opções.
“Historicamente, pós-fixados que pagam uma porcentagem do CDI entregam 4,5% a 5% de retorno acima de inflação. Com correção do IPCA e prêmios acima de 6,5%, o investimento fica mais interessante”, diz Gonçalves.
O mesmo vale para os CDBs prefixados. As emissões com maiores taxas em outubro ficaram na faixa de 14,6% a 13,8% — maiores do que as estimativas de rentabilidade anual do IPCA e superiores aos pós-fixados em CDI.
O Banco Central deve cortar os juros básicos a partir de 2026, um movimento que vai diminuir o retorno de pós-fixados que acompanham a Selic e o CDI. Conforme os juros caem, os retornos desses títulos vão cair também.
A estimativa do mercado é de uma Selic em 12,25% ao fim de 2026 — algo em torno de 12,15% de rentabilidade para taxas de 100% do CDI.
Retornos de CDBs prefixados
| Prazo (meses) | Taxa mínima | Taxa média | Taxa máxima | Emissor da maior taxa |
|---|---|---|---|---|
| 6 | 14,20% | 14,40% | 14,63% | Banco ABC Brasil |
| 12 | 13,52% | 13,90% | 14,75% | Sinosserra Financeira |
| 24 | 12,89% | 13,11% | 13,35% | Banco ABC Brasil |
| 36 | 13,02% | 13,34% | 13,80% | Sinosserra Financeira |
Patzlaff prefere prefixados aos atrelados ao IPCA em prazos de até três anos.
O planejador financeiro afirma que, em cenários de queda dos juros e de inflação (como se estima para 2026 até o momento), essa indexação é mais eficiente para travar retornos superiores.
“Os prefixados são bons para cenários em que os juros vão cair e dá para esperar até o vencimento do título, travando uma taxa boa hoje. Como a projeção é de queda da Selic para 12,25% ao ano, esses CDBs são interessantes. As taxas prefixadas entre 13% e 14% refletem essa expectativa futura de queda de juros. Não são tão boas para o presente de 15%, mas serão se o investidor for paciente”, diz o planejador.
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