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RESPIGANDO NO BRASIL

Trump vai deixar seu vinho mais caro? Como as tarifas de 200% sobre as bebidas europeias nos EUA podem impactar o mercado brasileiro

Mal estar entre os EUA e a União Europeia chega ao setor de bebidas; e o consumidor brasileiro pode ‘sentir no bolso’ essa guerra comercial

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Donald Trump em primeiro plano; ao fundo, garrafas de vinho. - Imagem: iStock.com/MarkHatfield/Official White House/Shealah Craighead - Montagem: Maria Eduarda Nogueira.

Donald Trump não quer perder nenhuma batalha dentro da guerra comercial que ele mesmo travou, desde que assumiu novamente a presidência. E isso está resultando em um “toma lá, dá cá” de grandes impactos no xadrez global — que deve respingar até aqui no Brasil

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Em resposta às tarifas sobre o aço e o alumínio, que entraram em vigor ontem (12), a União Europeia decidiu aplicar tarifas contrárias sobre produtos norte-americanos a partir do próximo mês. Entre eles, o uísque estadunidense e as motocicletas Harley Davidson.

Nesta quinta-feira (13), Trump anunciou a “revanche”: as bebidas europeias vão ter que arcar com impostos de 200% para chegarem aos consumidores americanos. 

Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que a UE era uma das autoridades tarifárias mais “hostis” e “abusivas” do mundo e que foi formada unicamente para tirar vantagem dos EUA. 

"Se esta tarifa não for removida imediatamente, os EUA em breve imporão uma tarifa de 200% sobre todos os vinhos, champanhes e produtos alcoólicos provenientes da França e de outros países representados pela UE. Isso será ótimo para as empresas de vinho e champanhe nos EUA”, completou.

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Bebidas alcoólicas europeias podem ficar mais caras no Brasil?

A dúvida que resta é: essa briga de cão e gato entre os Estados Unidos e a União Europeia pode “respingar” no Brasil e fazer os vinhos, conhaques, champanhes, uísques e demais bebidas alcoólicas ficarem mais caras por aqui? 

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O professor de relações internacionais da ESPM, Demetrius Pereira, explica que, com as bebidas europeias ficando mais caras, o consumidor americano pode comprar menos e causar, indiretamente, uma alteração nos preços internacionais também. 

Tudo se explica pela lei da oferta e demanda. 

“Se os europeus pararem de vender pro mercado americano, eles podem vender para outros países — entre eles, o Brasil. O que pode causar, na verdade, o efeito reverso e baratear as bebidas europeias aqui, já que, pela lei de oferta e procura, terá mais oferta do que procura, o que tende a baixar os preços.”

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Por ora, o Brasil foi afetado pelo “tarifaço” de Trump apenas através do aço e do alumínio. No entanto, caso o republicano decida mirar o setor de bebidas e alimentos brasileiro, é esperado que itens como café, açúcar, carne, soja e suco de laranja sejam impactados, explica Pereira.

Vale lembrar que o Brasil já teve um desentendimento comercial com os EUA em relação ao suco de laranja, quando o país resolveu subsidiar a produção na Flórida e acabou prejudicando as vendas brasileiras no mundo todo. 

O impacto nas empresas

Se Trump vai, de fato, seguir com os novos impostos ou não, ainda não se sabe. Isso porque o presidente tem usado essas ameaças de tarifas como uma tática de negociação, desde que voltou à Casa Branca. 

“Isso funcionou, em certa medida, com o México e com o Canadá. Mas, caso ele veja que não tem mais espaço para a negociação, realmente as tarifas tendem a entrar em vigor”, explica o professor da ESPM. 

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A União Europeia afirmou que continua aberta a negociações e que considera que tarifas mais altas não são do interesse de ninguém. 

A relação entre o bloco econômico e o país da América do Norte já está bem estremecida no campo geopolítico, com a aproximação entre EUA e Rússia e as questões de investimentos militares na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). 

Agora, esse mal estar tende a se estender pro campo econômico e comercial, na visão de Pereira. 

Ainda que nada esteja oficializado no momento, as ações das empresas de bebidas já começaram a demonstrar fragilidade diante das notícias. 

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Os papéis da LVMH, maior grupo de luxo do mundo e responsável pela Moet Hennessy, fecharam com queda de 1% na bolsa de Paris hoje. No acumulado do ano, a ação já desvalorizou 4,8%. 

A ação fabricante de destilados Remy Cointreau, renomada pelos conhaques, caiu 4,6% nesta quinta-feira e 23% desde o início do ano.

* Com informações do Money Times, da CNBC e do Estadão Conteúdo.

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