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Caixa recorde indica que Buffett não aproveitou a queda do mercado de ações no primeiro trimestre para aplicar o dinheiro em novas oportunidades
A Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, divulgou os resultados do primeiro trimestre neste sábado (3), antes da reunião anual com acionistas em Omaha, Nebraska, em um evento muito aguardado por investidores do mundo todo.
Os lucros operacionais foram de US$ 9,64 bilhões no primeiro trimestre de 2025, uma queda de 14% na comparação anual, ante US$ 11,22 bilhões nos três primeiros meses de 2024.
O conglomerado, que detém uma vasta gama de negócios de seguros, transporte, energia, varejo e outros, alertou que as tarifas dos EUA contra os demais países podem afetar ainda mais seus lucros.
A receita diminuiu levemente para US$ 89,73 bilhões.
Em termos de lucro por ação, o lucro operacional foi de US$ 4,47, abaixo dos US$ 5,20 por ação classe B no mesmo período do ano anterior. Isso se compara a uma estimativa de US$ 4,89 por ação classe B do UBS e a uma estimativa geral de consenso de quatro analistas de US$ 4,72 por ação, segundo a FactSet.
Por outro lado, o caixa da Berkshire atingiu um novo recorde, de US$ 347,7 bilhões, ante US$ 334,2 bilhões no final de 2024, demonstrando que Buffett não aproveitou a queda do mercado de ações no primeiro trimestre para aplicar o dinheiro em novas oportunidades.
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Na verdade, a Berkshire vendeu ações pelo 10º trimestre consecutivo. O relatório trimestral mostrou que Buffett vendeu US$ 4,7 bilhões em ações nos três meses até 31 de março, mais do que os US$ 3,2 bilhões que comprou, de acordo com dados do Financial Times.
As cinco principais ações da carteira de Buffett são American Express, Apple, Bank of America, Coca-Cola e Chevron. Juntas, elas representavam 69% do investimento da companhia em 31 de março, fatia ligeiramente menor que a vista em dezembro de 2024 (71%).
Na sessão de perguntas e respostas, o megainvestidor afirmou que a Berkshire encontrará oportunidades para aplicar seus níveis recordes de caixa provavelmente nos próximos cinco anos.
"É muito improvável que isso aconteça amanhã", disse Buffett em resposta a uma pergunta sobre o motivo da reserva de caixa da Berkshire. "Não é improvável que aconteça em cinco anos."
Grande parte da queda foi impulsionada por uma queda de 48,6% no lucro com subscrição de seguros, de acordo com informações da rede norte-americana CNBC.
O valor foi de US$ 1,34 bilhão no primeiro trimestre, abaixo dos US$ 2,60 bilhões do ano anterior. A Berkshire afirmou que os incêndios florestais no sul da Califórnia resultaram em um prejuízo de US$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre.
Os resultados da Berkshire também foram afetados pela desvalorização do dólar no primeiro trimestre.
A empresa informou ter sofrido um prejuízo aproximado de US$ 713 milhões relacionado ao câmbio. No mesmo período do ano passado, a empresa se beneficiou de um ganho de US$ 597 milhões com o câmbio.
A Berkshire afirmou que as tarifas do presidente Donald Trump e outros riscos geopolíticos criaram um ambiente de incerteza para o conglomerado, mas a empresa disse não ser capaz de prever qualquer impacto potencial das taxas neste momento.
“Nossos resultados operacionais periódicos podem ser afetados em períodos futuros por impactos de eventos macroeconômicos e geopolíticos em andamento, bem como por mudanças em fatores ou eventos específicos do setor ou da empresa”, afirmou a Berkshire, em seu balanço.
“O ritmo das mudanças nesses eventos, incluindo políticas e tarifas comerciais internacionais, acelerou em 2025. Permanece considerável incerteza quanto ao resultado final desses eventos.”
“Atualmente, não podemos prever com segurança o impacto potencial em nossos negócios, seja por meio de mudanças nos custos dos produtos, custos e eficiência da cadeia de suprimentos, ou pela demanda dos clientes por nossos produtos e serviços”, afirmou a empresa.
* Com informações do Estadão Conteúdo
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