Trump quer Coca-Cola com açúcar “de verdade” — e o Brasil pode acabar ajudando a adoçar o ícone americano
O refrigerante 100% americano pode acabar com um ingrediente made in Brazil

Donald Trump quer uma Coca-Cola “mais americana”. Na prática, isso significa substituir o xarope de milho de alta frutose, o adoçante preferido da indústria por ser mais barato e subsidiado, por açúcar de cana cultivado nos Estados Unidos.
- VEJA TAMBÉM: CHINA vs EUA: Começou uma nova GUERRA FRIA? O que está em jogo nessa disputa - assista o novo episódio do Touros e Ursos no Youtube
Mas a ideia, que parece simples quando dita em voz alta, bate de frente com um obstáculo que nenhum decreto presidencial resolve: os EUA não produzem cana-de-açúcar suficiente para abastecer o país inteiro.
Enquanto os EUA ainda discutem como aumentar a própria produção, o Brasil mantém a posição de maior exportador de açúcar do mundo, respondendo por cerca de 40% das vendas globais do produto, segundo dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
E, se o novo plano da Coca-Cola sair do papel, é daqui que pode vir a matéria-prima para o “refrigerante patriótico” de Trump.
Açúcar, política e marketing
A história começou ainda no início do ano, quando Trump anunciou em sua rede social, a Truth Social, que havia “convencido” a Coca-Cola a fabricar uma versão de sua bebida usando açúcar de cana produzido nos EUA.
A empresa confirmou o plano meses depois, prometendo lançar o novo produto ainda em 2025. Mas a ideia, que parecia doce, logo esbarrou na realidade: os EUA simplesmente não produzem cana-de-açúcar suficiente para adoçar o país inteiro.
Leia Também
Em entrevista à Bloomberg News, o diretor financeiro da Coca-Cola, John Murphy, admitiu que a empresa está limitada pelo fornecimento.
“Será uma implementação comedida. Há apenas uma quantidade limitada de açúcar de cana disponível nos Estados Unidos.”
Ou seja: o refrigerante “à moda Trump” vai sair do papel, mas aos poucos — e em pequenas doses.
Entre o açúcar e o vidro
Murphy explicou que há dois gargalos principais: a oferta limitada de açúcar e a produção de garrafas de vidro.
Sim, vidro. A Coca-Cola quer repetir o sucesso da “Coca Mexicana”, adoçada com cana e vendida em garrafas de vidro, símbolo nostálgico de “qualidade superior”.

“Se você observar o sucesso da Coca mexicana nos Estados Unidos, verá que é uma combinação do produto e da embalagem. Queremos oferecer essa mesma experiência, mas com açúcar americano”, disse Murphy à Bloomberg.
Só há um problema: a linha de produção para vidro é limitada. O processo é diferente do usado em latas e a demanda é crescente.
Resultado: a Coca vai fazer um lançamento em fases, começando por mercados regionais, e só depois, talvez em 2026, expandir a distribuição.
O dilema industrial americano
A ironia é saborosa: Trump pressiona por um produto 100% americano, mas o país não tem infraestrutura agrícola nem industrial para atendê-lo.
Os produtores de milho, que dominam a cadeia de adoçantes nos EUA, já reclamam dos planos. Trocar o xarope de milho por cana poderia reduzir a demanda interna e afetar um setor protegido por subsídios há décadas.
Enquanto isso, o Brasil observa de camarote. Isso porque, para que toda a produção norte-americana de Coca seja adoçada com açúcar de cana, seria necessário recorrer à importação. E é nesse cenário que o Brasil se beneficiaria.
Não seria a primeira vez que uma decisão política de Washington acabaria turbinando o agronegócio brasileiro.
E há razões para isso: o Brasil responde por cerca de 50% das exportações globais de açúcar, tem clima favorável, tecnologia agrícola consolidada e escala industrial.
Na B3, empresas como Raízen (RAIZ4) e São Martinho (SMTO3) já acompanham o movimento. Um aumento da demanda internacional pode pressionar o preço da commodity e refletir positivamente nas exportadoras brasileiras.
Em contrapartida, a sobretaxa de 50% ao açúcar brasileiro imposta por Trump é um entrave para que isso se concretize.
Contexto de mercado
Enquanto Trump fala de açúcar, o negócio da Coca-Cola continua a girar em outra direção:
- As vendas de Coca Zero cresceram 14% globalmente no terceiro trimestre;
- A empresa vem expandindo marcas de bebidas mais saudáveis, como Smartwater e BodyArmor;
- As ações da Coca-Cola (KO) subiram mais de 3% após o balanço divulgado nesta terça (21), impulsionadas pelo desempenho do portfólio sem açúcar.
Ou seja: a Coca pode até seguir o jogo de Trump, mas seu foco real é outro: capturar o consumidor que quer beber sem culpa.
FOI SEM QUERER
O ‘insuportável’ William Shockley, Prêmio Nobel que perdeu seus principais pesquisadores e criou o Vale do Silício por acidente
7 de setembro de 2026 - 7:14Conteúdo BTG Pactual
Dólar ou Selic: mesmo com juros em dois dígitos, títulos atrelados ao CDI ‘apanharam’ dos investimentos ‘gringos’; entenda
5 de setembro de 2026 - 11:00NOVA ROTA, MESMO DESTINO
A nova ameaça de Trump após o dado de emprego para forçar a queda de juros nos EUA
4 de setembro de 2026 - 12:26VALE FICAR DE OLHO
O cartão de crédito de Paris estourou: como a França virou a dor de cabeça dos mercados e o sinal de uma crise na Europa
2 de setembro de 2026 - 18:01CÂMBIO
O trade mais manjado e lucrativo da década está mudando de endereço — e o investidor brasileiro leva vantagem sem fazer esforço
2 de setembro de 2026 - 14:01BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
A receita de um dos maiores economistas do mundo para investir com juros altos, guerras e intervenções
31 de agosto de 2026 - 13:50O FIM DO SPOILER
De Wyoming para o seu bolso: o que Kevin Warsh disse no evento mais exclusivo do mundo que mudou os rumos do dólar e da bolsa
28 de agosto de 2026 - 13:04BARRADO DO BAILE
Nem os US$ 250 bilhões de Jeff Bezos garantem ao dono da Amazon um lugar no ‘clube dos bilionários’
27 de agosto de 2026 - 16:32DESFECHO
Bilionário na cadeia: como o colapso da Evergrande fez o ex-homem mais rico da China ser condenado à prisão perpétua
20 de agosto de 2026 - 8:28SEM GABARITO
Super Quarta com os dias contados? Nova proposta do presidente do Fed pode deixar investidor ainda mais no escuro
19 de agosto de 2026 - 16:38OPORTUNIDADE OU CILADA
Renda fixa nos EUA: vale a pena comprar Treasury com a disparada dos juros?
19 de agosto de 2026 - 15:33TOUROS E URSOS #283
O gringo está de saída do Ibovespa (de novo): confira o que afasta o estrangeiro do Brasil
14 de agosto de 2026 - 14:40BRASÍLIA X TIO SAM
A lei de reciprocidade vai incendiar a bolsa? Spoiler: o risco Brasil dá mais medo
14 de agosto de 2026 - 13:31ENTREVISTA EXCLUSIVA
Só lembra da Europa nas férias? Este economista alemão diz por que o seu patrimônio também deveria viajar para lá
14 de agosto de 2026 - 6:10POLÊMICA
Por dentro do superiate de US$ 300 milhões de Mark Zuckerberg, que teria violado a mais preciosa lei do mar
13 de agosto de 2026 - 18:36UMA CIDADE, DUAS VIDAS
Essa cidade já foi considerada a mais bonita do mundo e hoje cumpre a ‘profecia’ de se tornar uma das maiores metrópoles do planeta
13 de agosto de 2026 - 16:16SEM PREVISÃO
Primeiro a Venezuela, depois a Colômbia: por que não conseguimos saber quando um terremoto vai acontecer?
10 de agosto de 2026 - 17:34ENCRUZILHADA
O freio e o acelerador da IA: como não errar a mão na hora de investir
9 de agosto de 2026 - 17:01NOVO VÍRUS
Modelo de IA cria genoma inédito capaz de eliminar superbactérias
7 de agosto de 2026 - 15:51TEMPLO INCOMUM