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Tratado reduz tarifas sobre têxteis, carros e uísque, e deve servir de trunfo nas negociações com os Estados Unidos
O que têm em comum um sari indiano, um copo de uísque escocês e um hatch britânico? A partir de agora, todos devem circular com mais facilidade (e menos imposto) entre Índia e Reino Unido.
Os dois países assinaram nesta quinta-feira (24) um acordo de livre comércio considerado histórico, com potencial de aumentar o volume de trocas bilaterais em mais de US$ 34 bilhões por ano até 2040 (cerca de 25,5 bilhões de libras), segundo estimativas do governo britânico.
O pacto derruba tarifas sobre produtos como bebidas alcoólicas, têxteis, veículos e máquinas industriais, além de prever facilidades migratórias e incentivos regulatórios para serviços.
O avanço nas negociações veio depois de três anos de impasses e foi acelerado após a recente onda de tarifas protecionistas lideradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Diante das incertezas globais, Londres e Nova Délhi decidiram fechar uma frente comum.
Para o Reino Unido, o acordo pode impulsionar o PIB em até 4,8 bilhões de libras por ano e reforçar sua estratégia de acordos pós-Brexit.
Já para a Índia, além de ampliar exportações de setores-chave como têxtil, joias e agronegócio, o tratado serve como modelo para negociações com outros países desenvolvidos, incluindo os EUA.
Entre os pontos de destaque do acordo está a redução gradual das alíquotas para bebidas alcoólicas. O imposto sobre o uísque escocês, por exemplo, cairá de 150% para 75% de imediato e chegará a 40% em dez anos.
Já os carros britânicos, que enfrentavam tarifas de até 110%, terão alíquota reduzida a 10% no mesmo período, dentro de um sistema de cotas.
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De acordo com projeções do governo britânico, a média tarifária das exportações do Reino Unido para a Índia deve cair de 15% para 3%.
Do lado indiano, 99% dos produtos terão isenção ou redução de tarifas no mercado britânico.
É importante enfatizar que o tratado ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos dois países, o que pode levar alguns meses.
Enquanto isso, a Índia corre contra o tempo para fechar um acordo semelhante com os Estados Unidos antes da entrada em vigor das novas tarifas americanas, previstas para 1 de agosto.
Com o novo pacto, Índia e Reino Unido não apenas aproximam economias de R$ 3 trilhões cada, mas também ganham fôlego político e comercial num mundo cada vez mais fragmentado.
*Com informações da CNBC
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