Os juros caíram nos EUA: as janelas de oportunidade que se abrem para o investidor brasileiro
Entenda por que a decisão do Fed desta quarta-feira (10) — que colocou a taxa na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano — importa, e como montar uma carteira de olho nos juros norte-americanos

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) encerra 2025 dando sequência ao ciclo de afrouxamento monetário iniciado em setembro: cortou os juros nesta quarta-feira (10) em 0,25 ponto percentual (pp). Com isso, a taxa referencial nos EUA passou para a faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano — e isso abre uma nova janela de oportunidades para os investimentos.
Só que mais do que a redução dos juros em si, que era amplamente esperada, o sinal enviado pelo comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) é fundamental. As projeções trimestrais divulgadas com a decisão indicaram que a taxa deve cair mais uma vez no ano que vem, a mesma estimativa divulgada em setembro.
Esse ritmo importa porque pode ajudar a determinar a velocidade com que o dólar, por exemplo, se enfraquece, ou o fluxo de capitais que migra para países emergentes como o Brasil — consequentemente, o preço dos ativos reage a essa movimentação.
Vale lembrar que, por aqui, a Selic está em 15% ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia no início da noite de hoje uma nova decisão, e a tendência é de manutenção no patamar atual. O mercado, no entanto, enxerga uma janela para os juros começarem a cair no Brasil já a partir de janeiro do ano que vem.
Os juros do Fed caíram: onde investir?
O corte do Fed tende a abrir as portas para que outras economias emergentes comecem os próprios ciclos de afrouxamento monetário. Além disso, a redução da taxa por lá ajuda o real a se fortalecer, e aumenta a atratividade da bolsa brasileira — cada vez que juros caem nos EUA, os gringos passam a buscar alternativas em mercados que oferecem retornos maiores.
Com esse cenário em mente, o Goldman Sachs recomenda que os investidores busquem empresas que combinem resiliência, potencial de crescimento e exposição a setores estratégicos.
Leia Também
Quem tem medo da IA? Ações de Amazon e Intel derretem após balanços do 3T26; entenda o que decepcionou
Adeus, Super Quarta? Warsh muda calendário do Fed e prepara mais novidades para 2027
São dois os grupos de companhias que reúnem essas características: as cíclicas domésticas e as defensivas sensíveis aos juros, de acordo com o banco.
O primeiro grupo é formando por empresas como Localiza (RENT3), Cyrela (CYRE3), BTG Pactual (BPAC11), Nubank (ROXO34) e Smart Fit (SMFT3), de acordo com o Goldman.
A lógica é simples: com juros menores, o crédito fica mais barato, com isso há espaço para a compra de mais veículos, os custos da construção ficam mais baratos, e assim por diante.
O segundo grupo, formado pelas defensivas sensíveis aos juros, incluem empresas com demanda mais estável e que se tornam mais eficientes quando o custo dos empréstimos cai.
Nesse time, segundo o Goldman, estão empresas como Axia Energia (AXIA3, a antiga Eletrobras), Equatorial (EQTL3), Copel (CPLE3), Sabesp (SBSP3), Multiplan (MULT3) Rede D’Or (RDOR3).
Os analistas ouvidos pelo Seu Dinheiro também chamam atenção para o setor de tecnologia e inteligência artificial (IA), que tendem a se beneficiar com juros menores nos EUA, e defendem uma alocação em títulos do Tesouro norte-americano mais longos, cujos juros não devem ceder muito, ainda trazendo bons retornos para as carteiras.
Vale lembrar, porém, que nenhum investimento está livre de risco, ainda que os juros estejam menores nos EUA. Entre os perigos no cenário doméstico, os analistas chamam atenção para as eleições de 2026 no Brasil — que andou derrubando a bolsa por aqui recentemente — e para a questão fiscal.
Do lado externo, a desaceleração da China e questões geopolíticas latentes podem pesar sobre ativos mais arriscados, com empresas ligadas às commodities e exportações na linha de frente das perdas.
Previdência privada ainda vale a pena? IOF e queda na captação preocupam
O que deve acontecer daqui para frente com os juros nos EUA
A cada três meses, o comitê de política monetária do Fed (Fomc, na sigla em inglês) divulga, junto com a decisão dos juros, as projeções para a economia e para a taxa referencial.
A última vez que o comitê havia apresentado as estimativas foi em setembro. No encontro desta quarta-feira (10), os investidores confirmaram o que já havia sido sinalizado há três meses: um corte em 2026.
É importante notar, no entanto, que as previsões do Fomc não estão escritas em pedra — elas apenas indicam o caminho que o banco central norte-americano tende a seguir se as condições econômicas e monetárias seguirem inalteradas.
Por isso, a coletiva que seguiu a decisão foi fundamental para entender o que pode acontecer com os juros — e, consequentemente, com seus investimentos — daqui para frente.
Ao encarar os jornalistas, Jerome Powell, presidente do Fed, disse que não espera que a principal expectativa de alguém no Fomc seja um aumento dos juros daqui para frente.
“Não acho que um aumento de juros seja o cenário base de ninguém neste momento”, disse ele. "Não estou ouvindo isso", acrescentou.
Os agentes de mercado estavam preocupados que Powell adotasse um tom mais agressivo na coletiva desta quarta-feira (10), dando um indicativo de que este poderia ser o último corte do Fed em um futuro próximo.
Powell, no entanto, também não foi dovish (favorável ao afrouxamento monetário). Segundo ele, o Fed está em modo de espera enquanto decide sobre as futuras políticas monetárias.
“Vamos avaliar cuidadosamente os dados que estão por vir e, além disso, gostaria de observar que, tendo reduzido os juros em 0,75 pp desde setembro e 1,75 pp desde setembro de 2024, a taxa agora está dentro de uma ampla faixa de estimativas de seu valor neutro. Estamos bem-posicionados para esperar e ver como a economia evolui”, disse.
É importante lembrar que o mandato de Powell acaba em maio de 2026, e o presidente norte-americano, Donald Trump, vem dando sinais de que vai indicar algum nome mais inclinado a uma política monetária mais frouxa.
A ELEIÇÃO E O SEU BOLSO
EUA entre a espada e a espada: como guerras, inflação e eleições de meio de mandato pressionam Trump e mexem com a sua carteira
19 de outubro de 2026 - 7:14MAIS PERTO DO QUE PARECE?
De Marte para a sua carteira: o que muda se Elon Musk juntar Tesla e SpaceX
15 de outubro de 2026 - 19:45PERFIL
Avó piloto, formado pela Ferrari e agora na Fórmula 1: quem é Rafael Câmara, anunciado pela Haas para 2027
15 de outubro de 2026 - 13:39QUEM VÊ CLOSE, NÃO VÊ CORRE
Como a Apple deixou a desconfiança para trás e alcançou (de novo) a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado
14 de outubro de 2026 - 17:16PENALIDADE BILIONÁRIA
US$ 1,2 bilhão na conta: multa vira dor de cabeça no balanço deste gigante dos EUA; ações sentem o baque
14 de outubro de 2026 - 14:06RETORNO INCERTO?
Cassino da inteligência artificial? O alerta do presidente da Broadcom que fez tremer as ações de chips
13 de outubro de 2026 - 17:32HUB PARA CASA
E agora, Elon Musk? O lançamento da Apple que faz a ação subir para a terceira maior alta em Nova York
13 de outubro de 2026 - 13:31EM XEQUE
iPhone com os dias contados? Como a Starlink de Elon Musk pode acabar com o império da Apple
12 de outubro de 2026 - 18:45VENCEDORES DA TEMPORADA
Empresas do S&P 500 devem lucrar 31% mais no 3T26 — e esses dois setores devem largar na frente
12 de outubro de 2026 - 16:31BIBLIOTECA BÁSICA
A regra milenar de ‘A Arte da Guerra’ que Warren Buffett usa para evitar derrotas na bolsa
12 de outubro de 2026 - 11:57UM RISCO NEM TÃO ADMINISTRADO ASSIM
O Nobel de Economia que alertou para o risco e viu seu fundo perder 44% em um mês
10 de outubro de 2026 - 7:48A ÚLTIMA PERNADA
S&P 500 pode dar um sprint final até dezembro — mas investidor não deve ignorar uma pedra no caminho
9 de outubro de 2026 - 18:31PEGADINHA NORUEGUESA?
“Achei que fosse brincadeira”: quem é Navi Pillay, a vencedora do Nobel da Paz de 2026
9 de outubro de 2026 - 8:35OUSADIA PREMIADA
Canadense Anne Carson dá sopro de poesia ao Prêmio Nobel de Literatura
8 de outubro de 2026 - 8:49É SÓ O COMEÇO
O melhor está por vir para a TSMC após alta de 55% no ano. Entenda o que a Nvidia e Elon Musk têm a ver com o futuro das ações
7 de outubro de 2026 - 17:05SHERLOCKS DOS AMINOÁCIDOS
Mistério sobre a origem da vida: Nobel de Química premia dupla que resolveu enigma de mais de um século
7 de outubro de 2026 - 10:17ICECUBE
Telescópio instalado na Antártida ajuda a desvendar segredos do universo e rende Nobel a cientista belga
6 de outubro de 2026 - 8:38CONHECENDO MELHOR O CÉREBRO
Nobel de Medicina 2026: o que é a optogenética, técnica premiada que pode ajudar a tratar a cegueira
5 de outubro de 2026 - 13:39PASSADO, PRESENTE, FUTURO
Quem leva o Nobel de Economia em 2026? Índice aponta possíveis nomes ligados à inteligência artificial e Big Data
3 de outubro de 2026 - 7:14NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO