A última do ano: Fed atende chamado do mercado e corta juros em 0,25 pp; a projeção para 2026 é de uma redução
No comunicado, o BC norte-americano indica que a incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada nos EUA e que os riscos negativos para o emprego aumentaram nos últimos meses

O Federal Reserve (Fed) cortou nesta quarta-feira (10) os juros em 0,25 ponto percentual (p.p.), colocando a taxa na faixa entre 3,50% a 3,75% ao ano. A decisão era amplamente esperada pelo mercado. Para 2026, o banco central norte-americano prevê apenas uma redução.
Os diretores do Fed optaram por seguir o plano de flexibilização da política monetária iniciada em setembro, após cinco reuniões seguidas de manutenção, apesar das incertezas em relação às condições da economia norte-americana.
Antes da divulgação da decisão, 89% das apostas indicavam um movimento de afrouxamento de 0,25 p.p. pela autoridade monetária, segundo o CME FedWatch Tool.
O comunicado do Fed sobre os juros
Em comunicado, o Fed destacou que os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica tem se expandido em ritmo moderado. Já o ganho de empregos desacelerou este ano, e a taxa de desemprego subiu levemente até setembro. A inflação subiu desde o início do ano e continua um pouco elevada, acima da meta de 2%.
“A incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato e julga que os riscos negativos para o emprego aumentaram nos últimos meses”, alerta.
Decisão sem consenso... de novo
A decisão não foi unânime — e essa não é a primeira vez que isso acontece.
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No bloco que votou em favor do corte de juros estão: Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Susan Collins, Lisa Cook, Philip Jefferson, Alberto Musalem e Christopher Waller.
Votaram contra a decisão: Stephen Miran, que preferia reduzir os juros em 0,50 ponto percentual; e Austan Goolsbee e Jeffrey Schmid, que votaram pela manutenção.
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E não foi só a votação que não teve consenso. O gráfico de pontos do Fed mostra projeções de juros divididas em 2026: quatro dirigentes estimam juros entre 3,50% e 3,75% — ou seja, sem cortes no próximo ano —, quatro dirigentes veem taxas entre 3,25% e 3,50%, e outros quatro projetam juros entre 3% e 3,25%.
Três membros ainda preveem uma alta de 0,25 ponto percentual no fim de 2026, levando a taxa para 3,75% a 4%. Já dois dirigentes trabalham com juros mais baixos, entre 2,75% e 3% no próximo ano.
A média, no entanto, mostra que os juros encerrarão 2026 em 3,4%, o que significa um corte apenas no ano que vem, mantendo a mesma estimativa da última atualização, feita em setembro. Para 2027, a média indica juros em 3,1%, outra indicação de mais um corte no ano.
Além dos juros, as projeções
Junto com a decisão dos juros, o comitês de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) também divulga projeções econômicas trimestrais.
Na última atualização do ano, o Fomc revisou para baixo a estimativa de inflação medida pelo índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês). Em 2025 passou de 3% para 2,9%. Em 2026, de 2,6% para 2,4%.
Na atividade econômica, a mediana das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA em 2025 subiu de 1,6% para 1,7%, enquanto, para 2026, avançou de 1,8% para 2,3%.
Já a mediana das estimativas para a taxa de desemprego permaneceu estável: 4,5% em 2025 e 4,4% em 2026.
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