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MÁQUINA DE GUERRA

Máquina de guerra flutuante: conheça o porta-aviões enviado pelos EUA à costa da Venezuela e que ameaça a estabilidade regional

Movido por reatores nucleares e equipado com tecnologia inédita, o colosso de US$ 13 bilhões foi enviado ao Mar do Caribe em meio à escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela

Travessia do USS Gerald R. Ford pelo Estreito de Gibraltar no início de outubro, junto de navios espanhóis e marroquinos • Facebook/USS Gerald R. Ford - CVN 78
Travessia do USS Gerald R. Ford pelo Estreito de Gibraltar no início de outubro, junto de navios espanhóis e marroquinos • Facebook/USS Gerald R. Ford - CVN 78

Com 337 metros de comprimento, 40 metros de altura e 100 mil toneladas de deslocamento, o USS Gerald R. Ford (CVN-78) é mais do que um navio: é a materialização do poder militar dos Estados Unidos.

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Movido por dois reatores nucleares A1B, o porta-aviões pode operar por longos períodos sem necessidade de reabastecimento de combustível fóssil, garantindo autonomia praticamente ilimitada em alto-mar.

Sua velocidade chega a cerca de 56 km/h e a tripulação (incluindo marinheiros, pilotos e pessoal de apoio aéreo) oscila entre 4.500 e 5.000 pessoas.

O convés de voo tem 78 metros de largura e foi projetado para acomodar até 90 aeronaves, segundo a Naval Technology. Entre elas estão:

  • Caças F/A-18 Super Hornet
  • Caças furtivos F-35C Lightning II
  • Aviões E-2D Advanced Hawkeye
  • Helicópteros MH-60R/S Sea Hawk
  • Drones de vigilância e ataque

Projetado para substituir a antiga classe Nimitz, o Gerald R. Ford inaugurou, em 2017, uma nova geração de superporta-aviões americanos. É o primeiro de uma série planejada de quatro unidades e custou cerca de US$ 13 bilhões, o que faz dele o projeto militar mais caro já construído pela indústria naval dos EUA.

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Uma usina de guerra flutuante

O Gerald R. Ford é uma cidade autossuficiente: possui sistemas de energia elétrica avançados, centros de comando automatizados e radares multifuncionais capazes de rastrear centenas de alvos simultaneamente. 

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O sistema de lançamento eletromagnético (EMALS) substitui as antigas catapultas a vapor, permitindo que caças decolem em sequência a intervalos menores e com menor desgaste estrutural.

Além disso, o navio conta com o Evolved Sea Sparrow Missile, míssil superfície-ar de médio alcance usado para interceptar aeronaves e drones inimigos, e com o Rolling Airframe Missile (RAM), sistema de defesa antiaérea de curto alcance.

Essas tecnologias tornam o Gerald R. Ford capaz de operar em zonas de guerra sem apoio direto em terra, projetando poder aéreo em um raio de milhares de quilômetros.

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Navio da classe Gerald R. Ford atracando na Estação Naval de Norfolk, na Virgínia, em janeiro de 2024 • Facebook/USS Gerald R. Ford

Desde sua entrada em serviço, em 2017, o Gerald R. Ford tem sido o símbolo da estratégia de projeção global dos EUA. Diferentemente das gerações anteriores, ele foi desenhado para operar em ambientes de “guerra multidomínio”, integrando dados de satélites, aeronaves e submarinos em tempo real.

Segundo a Marinha americana, um único grupo de ataque centrado no Gerald R. Ford é capaz de “controlar o mar, o ar e o espaço cibernético em uma área equivalente à Europa Ocidental”. 

Por que o gigante está indo para o Caribe

O Gerald R. Ford e seu grupo de ataque, que inclui os destróieres USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston S. Churchill, foram enviados para o mar do Caribe sob o argumento de reforçar as operações contra o narcotráfico.

O Pentágono afirma que o objetivo é “degradar e desmantelar cartéis de drogas latino-americanos”.

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No entanto, especialistas em relações internacionais apontam que o deslocamento do maior porta-aviões do planeta para uma zona tão sensível vai além do combate ao tráfico.

O professor Vitelio Brustolin, da UFF e pesquisador de Harvard, disse ao g1 que o envio do porta-aviões representa um recado militar direto ao governo de Nicolás Maduro. Segundo ele, “o Gerald Ford amplia a capacidade de realizar ataques de longo alcance e dominar as defesas aéreas da Venezuela”.

A escalada de tensões com a Venezuela

Desde agosto, o governo Trump vem tratando cartéis sul-americanos como organizações terroristas e autorizando operações secretas da CIA contra alvos associados ao chavismo.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro respondeu denunciando a presença de agentes americanos em seu território e fez um apelo público: “No crazy war, please. A Venezuela quer paz.”

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Um relatório recente da ONU sobre drogas mostra que o fentanil responsável pela crise de overdose nos EUA vem principalmente do México, não da Venezuela, o que alimenta suspeitas de que a operação tenha motivações políticas e energéticas.

O porta-aviões USS Gerald R. Ford durante missão programada em Oslo, na Noruega, em apoio às Forças Navais dos EUA na Europa e África em setembro de 2025 • Facebook/USS Gerald R. Ford

Afinal, a Venezuela abriga as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 300 bilhões de barris.

No dia 26, na cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur, Malásia, Lula e Trump se reuniram de forma bilateral e avaliaram os rumos da relação Brasil-EUA. Durante o encontro, a crise venezuelana também foi levantada por Lula, que disse ter solicitado a Trump que levasse em conta o papel do Brasil como maior país da América do Sul e interlocutor regional no caso da Venezuela.

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