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APENAS O PRIMEIRO PASSO

Fed deve começar a cortar os juros nesta semana; o que vem depois e como isso impacta a Selic

Investidores começam a recalcular a rota do afrouxamento monetário tanto aqui como nos EUA, com chances de que o corte desta quarta-feira (17) seja o primeiro de uma série

Imagem mostra Jerome Powell como grande estrela do mercado financeiro
Imagem: Shutterstock, com intervenções de Andrei Morais

O mercado dá como certo o corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) nesta quarta-feira (17) — a maior probabilidade é de uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.), o que coloca a taxa entre 4,00% e 4,25% ao ano. Por isso, os investidores já se preparam para o que pode vir pela frente. 

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Desde a última reunião do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) em julho, surgiu um cenário mais precário para o mercado de trabalho norte-americano, enquanto a perspectiva de inflação permaneceu praticamente inalterada. Como resultado, 95% dos traders apostam no corte de 0,25 p.p. dos juros agora, enquanto 5% acreditam em uma abordagem mais agressiva, de redução de 0,50 p.p. 

E são as projeções — além, claro, das pistas que Jerome Powell, presidente do Fed, pode dar na coletiva após a decisão — que devem indicar o caminho que o banco central norte-americano pode seguir daqui para frente. Trimestralmente, o Fomc — comitê de política monetária do Fed — divulga projeções econômicas para os EUA, e é com base nelas que o mercado traça o rumo dos juros por lá. 

“Esperamos que o Fomc retome a redução da taxa de juros agora, com um corte de 0,25 p.p. O resumo de projeções econômicas atualizado provavelmente sinalizará que uma flexibilização adicional seguirá o corte de setembro, com a taxa provavelmente encerrando 2025 e 2026 abaixo do projetado anteriormente”, diz a economista-sênior do Wells Fargo, Sarah House. 

A ferramenta FedWatch, do CME Group, mostra que a aposta majoritária do mercado é de um corte acumulado de 0,75 p.p. dos juros nos EUA até o final do ano — além de setembro, o Fomc ainda tem reuniões marcadas para 28 e 29 de outubro e 9 e 10 de dezembro. 

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“Nossa projeção para a taxa básica de juros é de três cortes de 0,25 p.p. nas três reuniões restantes do ano, seguidos por dois cortes de 0,25 p.p. em março e junho de 2026, antes de uma manutenção prolongada da taxa em 3,00% a 3,25%”, afirma House. 

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Na mesma linha, o ING prevê três cortes de 0,25 p.p. nos juros neste ano, com reduções adicionais de 0,50 p.p. nas duas reuniões do início de 2026. 

“Para o próximo ano, suspeitamos que o balanço de riscos esteja inclinado em favor de o Fed mover a política monetária para abaixo do neutro, ou seja, cortar os juros mais do que prevemos, em vez de implementar menos cortes. Isso se deve, em grande parte, ao fato de o mercado imobiliário parecer cada vez mais vulnerável a uma possível correção”, disse o economista-chefe internacional do ING, James Knightley. 

A trajetória dos juros nos EUA

Os juros nos EUA vêm sendo mantidos na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano desde dezembro do ano passado — muito em função da inflação, que segue acima da meta de 2% do Fed há pelo menos quatro anos. 

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Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca e a guerra comercial que ele começou a travar desde então, o banco central norte-americano adotou uma posição de “ver para crer” com relação aos efeitos da taxação sobre a economia dos EUA. 

Essa abordagem vem gerando embates públicos entre o republicano, ferrenho defensor de juros baixos, e Jerome Powell — além de ofensivas, Trump ameaçou o chefe do Fed de demissão algumas vezes.

Mas a reunião de julho, a última realizada pelo Fomc, chamou atenção. Embora a taxa referencial tenha sido mantida, dois membros do comitê votaram naquela ocasião pelo corte de 0,25 p.p. nos juros: Michelle Bowman e Christopher Waller. 

Além de ter sido a primeira vez desde 1993 que dois integrantes do Fomc divergiram do voto da maioria em uma mesma reunião, a dissidência também ganhou os holofotes porque Waller está entre os possíveis candidatos a substituir Powell, um sinal na direção do afrouxamento monetário. O mandato de Powell no Fed acaba em maio de 2026. 

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Com o mercado de trabalho em terreno mais instável, mais membros do Fomc parecem dispostos a se juntar a Waller e Bowman no apoio à redução dos juros, mesmo com a inflação permanecendo acima da meta. 

Em agosto, no discurso em Jackson Hole, Powell abriu caminho para um corte na taxa em setembro, afirmando que os riscos de queda para o emprego estavam aumentando e que essa mudança no equilíbrio de riscos para os mandatos do comitê “pode ​​justificar um ajuste na postura da política monetária”.

Ainda assim, nem todos no Fomc parecem totalmente convencidos de que seja apropriado começar a cortar os juros agora. O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que ainda está indeciso sobre seu apoio aos afrouxamento monetário e observou a necessidade de analisar também o lado da inflação no mandato do banco central norte-americano. 

A Selic com a queda de juros nos EUA

A queda dos juros nos EUA também pode mudar as regras do jogo aqui no Brasil. Nesta quarta-feira (17) o Comitê de Política Monetária (Copom) também decide a taxa por aqui, e a expectativa é de que a Selic siga no patamar de 15% ao ano. O que vem por aí é o que chama atenção. 

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De acordo com o analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, o início do ciclo de cortes nos EUA amplia o diferencial de taxas em relação ao Brasil. Esse movimento tende a sustentar o fortalecimento do real frente ao dólar, o que favorece a dinâmica inflacionária e abre espaço para cortes na Selic já em dezembro.

Para o time de economistas do C6 Bank, o Copom deve manter os juros estáveis em 15% até o fim de 2025. “No entanto, considerando o recente alívio nas expectativas de inflação e a possibilidade de cortes de juros no exterior, acreditamos que pode haver espaço para flexibilização da Selic no primeiro trimestre do ano que vem”, dizem. 

A expectativa do banco é de que o ciclo de cortes da Selic comece em março, com a taxa de juros terminando 2026 em 13%.

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