Comprar a Berkshire Hathaway foi o maior erro de Warren Buffett; entenda o motivo
Mesmo após transformar a empresa em um conglomerado trilionário, o investidor diz que a compra inicial foi um erro estratégico

Às vésperas de sua última semana como CEO da Berkshire Hathaway, Warren Buffett aponta a compra da própria empresa como o maior erro de sua carreira.
O episódio, relembrado em uma entrevista concedida à CNBC, em 2010, ajuda a explicar uma das lições centrais da trajetória do investidor mais famoso do mundo — e, segundo ele próprio, um equívoco que custou centenas de bilhões de dólares.
Buffett assumiu o controle da Berkshire Hathaway em 1965, quando a empresa ainda era uma fabricante de tecidos em declínio.
Ao longo de seis décadas, transformou o negócio em um conglomerado avaliado em mais de US$ 1 trilhão, responsável por praticamente toda a sua fortuna estimada em US$ 151 bilhões.
Ainda assim, o investidor não hesita em chamar a aquisição de “a ação mais estúpida que já comprei”.
Segundo Buffett, tudo começou em 1962, quando ele comandava uma pequena sociedade de investimentos. A Berkshire parecia uma ação barata, sob a ótica do capital de giro, apesar de operar em um setor em decadência.
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A estratégia inicial era simples: comprar os papéis, esperar o fechamento de mais fábricas e vender as ações de volta à empresa com um pequeno lucro.
O plano com a Berkshire Hathaway começou a desandar....
Em 1964, Buffett negociou diretamente com o então presidente da companhia, Seabury Stanton. O investidor se comprometeu a vender suas ações por US$ 11,50, mas, quando a oferta formal chegou pelo correio, o preço era de US$ 11 e três oitavos.
A diferença de um oitavo de dólar foi suficiente para mudar o rumo da história. Irritado, Buffett decidiu comprar mais ações, assumir o controle da empresa e demitir o executivo.
Apesar do desfecho parecer, à primeira vista, uma história de sucesso, Buffett afirma que ali estava o verdadeiro erro. Ao assumir o controle da Berkshire, ele acabou comprometendo uma grande quantidade de capital em um negócio estruturalmente ruim.
A empresa têxtil tornou-se a base de todas as aquisições futuras, mas carregava consigo um “peso morto”, nas palavras do próprio investidor.
Em 1967, quando surgiu a oportunidade de comprar uma boa seguradora, Buffett reconhece que deveria ter feito a aquisição por meio de uma nova empresa, e não da Berkshire.
Isso porque o negócio têxtil continuava consumindo recursos sem gerar retorno. Durante cerca de 20 anos, ele insistiu em tentar salvar a operação, até finalmente desistir.
Na entrevista, Buffett afirma que, se o dinheiro investido no setor têxtil tivesse sido direcionado desde o início apenas para o negócio de seguros, a Berkshire valeria hoje cerca de duas vezes mais. À época, a companhia tinha um patrimônio líquido de cerca de US$ 20 milhões e passava anos sem gerar lucros relevantes.
A experiência moldou uma das máximas mais conhecidas do investidor. Em seu relatório anual, ele eternizou a lição: “Quando um gestor com reputação de brilhante encontra um negócio com reputação de má economia, é a reputação do negócio que permanece intacta”.
Segundo Buffett, o erro também marcou sua mudança de filosofia. Influenciado inicialmente por Benjamin Graham, ele buscava ativos baratos. Com o tempo, aprendeu que é melhor comprar um bom negócio a um preço justo do que um negócio ruim a um preço aparentemente vantajoso.
*Com informações da CNBC
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