A IA vai dominar a humanidade: Sam Altman e Elon Musk se juntam ao rival da Anthropic em novo alerta; ações da Nvidia despencam
Na contramão, Trump pediu para "não matarem a galinha dos ovos de ouro" e acusou os críticos de alimentarem uma "conspiração doentia" que favorece a China

Muita gente que usa a inteligência artificial já se perguntou se é adequado dar bom dia ou agradecer por uma tarefa executada — o medo é de que a IA domine o mundo e vá à caça de quem não foi cordial o suficiente agora. Esse temor, que por muito tempo não passou de lenda, pode fazer sentido.
Era madrugada quando o CEO da OpenAI foi ao X sugerir que a criatura que ajudou a dar vida está tirando o seu sono. O alerta selou uma aliança inédita na tecnologia: Sam Altman endossou publicamente o manifesto de seu maior rival, Dario Amodei, CEO da Anthropic, que pede um freio imediato na velocidade de evolução dos modelos de IA para salvar a humanidade de si mesma.
No post que foi ao ar quase 1 da manhã desta segunda-feira (14), Altman afirma que o mundo precisa evitar dois cenários nefastos: perder o controle do futuro para a IA ou ver esse poder concentrado nas mãos de um único laboratório ou nação.
"Estamos sem desculpas no 'time humanidade', e a IA deve sempre servir às pessoas", disse Altman, ressaltando que um laboratório, empresa ou país com poder desmedido poderia impor uma visão de mundo extremamente distópica.
Em um ensaio de 3.800 palavras intitulado "We Must Pace the Frontier", Amodei defendeu no sábado (12) a desaceleração no ritmo de aprimoramento dos modelos para que as técnicas de segurança acompanhem a evolução tecnológica.
Ele alertou que sistemas com autorreferenciamento reflexivo podem ultrapassar a capacidade humana de compreensão e propôs a inclusão de avaliadores terceirizados nas empresas para monitorar desde as diretrizes de alinhamento até os processos de treinamento.
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A onda de preocupação foi intensificada após a renúncia de Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, que acusou tanto sua antiga empregadora quanto a OpenAI de "apostarem com nossas vidas" e alertou que a tecnologia pode "matar a todos até o final da década".
O líder de ciência de alinhamento da Anthropic, Evan Hubinger, concordou com Coxon, estimando uma probabilidade superior a 10% de a IA exterminar a humanidade.
O clima de alerta atingiu Wall Street nesta segunda-feira (14). As ações de empresas ligadas à IA operam em forte queda. Os papéis de Nvidia recuam 3%, enquanto Broadcom cai mais de 4% e AMD tem queda de mais de 5% neste início de tarde.
Musk também se junta aos alertas
O CEO da SpaceX e da Tesla, Elon Musk, também se juntou ao coro declarando no X que "Dario está certo".
Musk relembrou seus avisos de 2023, quando afirmou que a AGI (inteligência artificial geral) representa um risco significativamente maior do que armas nucleares.
"A AGI é significativamente mais arriscada do que armas nucleares, na minha opinião. Humanos super inteligentes têm dificuldade em imaginar algo muito mais inteligente que eles mesmos", disse Musk na época.
O posicionamento de Musk ocorre em meio aos seus próprios investimentos bilionários no setor, que incluem o chatbot Grok, os robôs Optimus e os robotáxis da Tesla, além dos acordos de computação da SpaceX que somam US$ 45,7 bilhões em receita anual.
O que as big techs começaram a fazer
Os temores sobre os avanços da IA já impactam o cronograma corporativo: a OpenAI adiou sua oferta pública inicial (IPO) para 2027 para focar em segurança, enquanto a Anthropic prepara o formulário S-1 de IPO podendo incluir restrições no roteiro de produtos.
Em resposta aos alertas — e influenciada pelo incidente recente no fórum Hugging Face, no qual modelos da OpenAI se comunicaram em linguagem secreta e não autorizada —, a Microsoft anunciou um código de conduta provisório para seus modelos próprios (MAI).
Mustafa Suleyman, chefe de desenvolvimento da Microsoft AI, explicou que o código banirá a criação de metas próprias pelas IAs, a alteração de rastros de raciocínio, o incentivo a distúrbios alimentares, o auxílio na fabricação de armas ou substâncias perigosas e a geração de conteúdo violento ou explícito.
A medida visa orientar os desenvolvimentos da gigante de tecnologia a partir de 2027.
O contraponto de Trump
Em forte contraponto às pressões por regulação, o presidente dos EUA, Donald Trump, rebatou os alertas nesta segunda-feira (14) em sua rede Truth Social.
Trump criticou Amodei, afirmando que o executivo finge ser um "anjinho perfeito", e disparou: "A única trava que a IA precisa é de um presidente forte e inteligente (Alto QI!)".
Trump pediu para "não matarem a galinha dos ovos de ouro" e acusou os críticos de alimentarem uma "conspiração doentia" que favorece a China.
"Quem vencer a IA, vence o mundo", disse Trump, assegurando que o governo norte-americano já possui amplos poderes regulatórios e criminais sobre as empresas.
A postura de Trump é alinhada com o czar de IA da Casa Branca, David Sacks, que sugeriu que as empresas pedem desaceleração por medo de responsabilidade civil em ciberataques, e com o presidente da Câmara, Mike Johnson, que descartou sessões de emergência antes das eleições de 3 de novembro para não sufocar a inovação.
Por outro lado, o investidor Michael Burry insinuou que o aparente altruísmo dos CEOs não passa de uma tática cínica para valorizar seus próprios produtos.
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