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MUDANÇA DE CULTURA

Saída de Warren Buffett e dança das cadeiras representam o fim da Berkshire Hathaway como a conhecemos?

Movimentações no alto escalão da empresa de investimentos do Oráculo de Omaha indicam que a companhia está deixando para trás sua cultura descentralizada e migrando para uma estrutura mais tradicional

Warren Buffet
O megainvestidor Warren Buffett. - Imagem: Shutterstock

A saída de Warren Buffett do cargo de CEO da Berkshire Hathaway abriu a porta para uma mudança mais profunda na cultura organizacional da companhia, segundo análise da CNBC assinada por Alex Crippen.

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Na semana passada, foi noticiado que Todd Combs, outrora um dos cotados para ser sucessor do Oráculo de Omaha, deixaria o comando da Geico, seguradora da Berkshire, para chefiar um fundo de investimento de US$ 10 bilhões no JP Morgan.

O executivo estava na Berkshire desde 2010 e já ocupava um assento no conselho do JP desde 2016, cadeira que ele deixará para assumir o novo cargo. Jamie Dimon, CEO do banco, disse que Combs é "um dos maiores investidores e líderes que eu já conheci."

Quem assume o cargo de CEO da Geico agora é Nancy Pierce, até então COO (Chief Operating Officer, ou chefe de operações) da seguradora, presente na empresa desde 1986.

No entanto, Combs também acumulava a função de gestor de portfólio na Berkshire, posição que permanece em aberto.

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Segundo a CNBC, a movimentação indica que a Berkshire Hathaway pode estar se movendo em direção a uma estrutura mais convencional, em oposição ao modelo mais descentralizado que tem caracterizado o "jeito Berkshire" até agora.

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Saída de Buffett da Berkshire exige mais transparência na gestão

Atualmente, Warren Buffett se prepara para passar o bastão de CEO para Greg Abel em 2026 e, a partir de então, passará a ocupar apenas o cargo de presidente do conselho da companhia.

Segundo Buffett, Abel será o responsável geral pela carteira de investimentos da Berkshire, mas ainda não há clareza sobre quanto dessa responsabilidade será delegada ao outro gestor de portfólio, Ted Weschler.

De acordo com a CNBC, outra possibilidade seria que a empresa contratasse um ou mais gestores de portfólio adicionais e que o próprio Buffett, na sua posição de presidente do conselho, ajudasse a assumir as funções de Combs na gestão.

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"A Berkshire tem tradicionalmente sido opaca sobre quem são os responsáveis pelas holdings de menor porte da sua carteira e não costuma expor os desempenhos históricos dos seus gestores de portfólio", diz a análise da CNBC.

Em um e-mail enviado para o Buffett Watch, newsletter da CNBC dedicada ao megainvestidor, Christopher Davis, gestor da Hudson Value Partners, disse que a Berkshire deveria ser mais transparente quanto aos papéis e responsabilidades de Greg Abel e Ted Weschler na gestão do portfólio da companhia.

"Nós amamos o 'jeito Berkshire', mas precisa haver algumas concessões ao fato de que agora se trata de uma companhia de trilhão de dólares passando pela sua primeira transição de liderança", disse o gestor.

Muitas mudanças à vista

Para a CNBC, diversos aspectos dessa transição estão distanciando a companhia do seu "jeito" descentralizado de ser.

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O futuro CEO, Greg Abel, já tem exercido uma supervisão maior sobre os negócios não ligados a seguros do que Buffett costumava exercer. Algumas dessas empresas inclusive receberam uma camada extra de liderança.

Adam Johnson, presidente do conselho e CEO da NetJets, foi nomeado para a recém-criada posição de Presidente dos Produtos de Consumo, Serviços e Negócios de Varejo da Berkshire Hathaway. Seu papel será apoiar os CEOs dos 32 negócios da área.

As demais subsidiárias não ligadas ao setor de seguros, como BNSF, Berkshire Hathaway Energy e Pilot, ainda continuarão respondendo diretamente a Abel.

A Berkshire também terá seu primeiro conselheiro geral: Michael O’Sullivan, que desempenhava este papel, na Snap Inc. desde 2017, após ter atuado por mais de 20 anos no escritório de advocacia Munger, Tolles & Olson. Até agora, a Berkshire sempre recorreu a firmas de advocacia terceirizadas para lidar com suas questões jurídicas.

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Outra mudança à vista, embora mais tradicional, é a aposentadoria do diretor financeiro (CFO), Marc Hamburg, que deixará o cargo em junho após 40 anos de empresa. Em seu lugar, assume o CFO da Berkshire Energy, Charles Chang.

Embora a saída de Buffett do comando da companhia e todas essas mudanças deixei o mercado apreensivo, as ações da Berkshire até que têm resistido bem.

Desde as máximas em maio, pouco antes do anúncio da aposentadoria de Buffett, os papéis caíram "apenas" 7%. Já na semana passada, com o anúncio da saída de Todd Combs, as ações recuaram somente cerca de 1%.

*Com informações da CNBC

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