O que você precisa saber sobre o discurso de Lula na ONU — e o que Trump disse também
O Seu Dinheiro separou os principais momentos dos discursos dos dois presidentes nesta terça-feira (22); confira os detalhes

Foram poucos segundos, mas bastaram para dar o que falar. Nos bastidores da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, cruzaram caminhos e trocaram um aperto de mãos rápido. Nas palavras do republicano: "excelente química" entre os dois.
Na tribuna, porém, cada um seguiu com seu próprio roteiro — Lula defendendo o Brasil como potência que resiste às tarifas e cobrando reformas na própria ONU, Trump reafirmando a doutrina dos EUA de força na América Latina e recusando qualquer freio à inteligência artificial (IA).
Como manda a tradição desde a fundação da ONU, é o Brasil quem abre os discursos da Assembleia Geral — um protocolo que se mantém firme há décadas e que, mais uma vez, colocou o país nos holofotes antes mesmo dos Estados Unidos subirem ao palco.
O Seu Dinheiro separou os principais momentos dos discursos de Lula e Trump nesta terça-feira (22) e você acompanha a partir de agora.
Lula: exportação, escala 6x1 e Pix
Na abertura, Lula fez questão de mostrar resiliência econômica. Disse que o Brasil vai bater recorde de exportações neste ano apesar do tarifaço imposto pelos EUA — as sobretaxas de 25% e 12,5% que atingem produtos brasileiros.
Para ele, o país voltou a crescer de modo sustentado" e já é o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto no mundo.
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O petista também usou o palco da ONU para reforçar pautas internas de olho na eleição do ano que vem.
Defendeu o fim da escala de trabalho 6x1 — hoje em tramitação no Senado como PEC — como forma de garantir dois dias de descanso semanais, argumentando que a mudança alivia principalmente a sobrecarga das mulheres.
Foi na mesma linha que criticou a indústria das apostas online, as chamadas bets, dizendo que elas "transformam o vício em lucro" e que "o Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio" — um tema que ganhou força na pauta doméstica nos últimos meses.
Lula também denunciou a pressão de multinacionais para privatizar o Pix, chamando o sistema de "infraestrutura de pagamentos pública e gratuita" e indicando que ele não pretende ceder.
Esse foi um recado direto em momento em que o meio de pagamento mais usado pelo brasileiro segue no centro do debate sobre regulação financeira — e também está na mira de Trump.
O presidente brasileiro ainda cobrou regulamentação de big techs e IA, citando um "punhado de tecno-oligarcas" que, segundo ele, quer "ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência" — um contraponto direto ao que Trump diria horas depois.
O petista criticou também o imobilismo do Conselho de Segurança da ONU, classificando o momento como o mais crítico da história da entidade.
Ele voltou a defender os minerais críticos e terras raras brasileiros como ativo estratégico para os próximos anos, condicionando o acesso à transferência de tecnologia para o país.
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Trump: Venezuela, petróleo e a IA
Do outro lado, Trump usou boa parte do discurso para reforçar a postura de força na América Latina.
Citou a prisão de Nicolás Maduro em janeiro como exemplo do uso do poder norte-americano — inclusive militar — para defender interesses na região, resumindo a lógica com a frase: "os espólios pertencem aos vitoriosos".
Também comentou o acordo para exploração de petróleo na Venezuela e mencionou negociações com Cuba, além de chamar cartéis mexicanos de "Estado Islâmico da América Latina".
No campo da tecnologia, Trump foi direto ao ponto que mais interessa a quem acompanha o setor: disse que os EUA não vão limitar o crescimento da inteligência artificial e classificou os alertas sobre riscos da IA como uma farsa.
Chegou a sugerir que o termo inteligência artificial deveria virar superinteligência: “artificial me parece falso, não gosto", disse.
Reforçou ainda que, enquanto for presidente, não haverá impostos globais.
Em energia, tema sensível para quem acompanha o mercado de commodities, Trump afirmou que o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico está no maior nível desde o início da guerra e repetiu que um acordo com o Irã deve sair só depois das eleições de meio de mandato nos EUA.
O republicano disse que EUA e Venezuela juntos detêm mais de 60% do petróleo do mundo e que a Marinha norte-americana escoltou mais de 1 bilhão de barris para fora do Estreito de Ormuz recentemente.
Sobre a guerra na Ucrânia, foi suscinto: disse apenas que o conflito será "resolvido antes do que se imagina". E encerrou defendendo que aliados deixem o Tribunal Penal Internacional, que classificou de "anti-americano".
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