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O ROTEIRO DO CHOQUE

Recessão à vista? Fitch diz o que acontece com a economia mundial se a inteligência artificial virar a vilã dos mercados

Entenda o teste de estresse da agência de classificação de risco, que analisa os impactos de uma queda de 35% nas bolsas

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Imagem: Canva / Montagem: Bruna Martins

No cinema de ficção científica — de clássicos como O Exterminador do Futuro —, o enredo é conhecido: uma tecnologia revolucionária criada para alavancar o futuro entra em pane e desencadeia um efeito dominó catastrófico. No mercado financeiro, a Fitch Ratings resolveu escrever seu próprio roteiro, simulando o que aconteceria se o entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA) sofresse uma reviravolta. 

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Em um cenário hipotético divulgado nesta quarta-feira (9), a agência de classificação de risco detalhou como uma forte correção nas bolsas norte-americanas ligada ao setor de IA levaria a maior economia do mundo à recessão e provocaria uma severa desaceleração global. 

A agência ressalta que uma queda acentuada das ações nos EUA não faz parte de seu cenário-base, mas funciona como um importante alerta e risco de baixa para as projeções econômicas globais. 

Tombo nas bolsas e perda de confiança 

Elaborada com o modelo econômico global da Oxford Economics, a simulação desenha um enredo em que a derrocada das ações atua como o grande gatilho da crise. 

Nesse cenário, ações nos EUA cairiam cerca de 35% em seis meses e as bolsas de outras regiões acompanhariam a queda, recuando 15%. O movimento viria acompanhado por um choque adicional de confiança sobre os investimentos nos EUA. 

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Com o baque nos mercados e a retração dos investimentos privados, a atividade econômica norte-americana entraria em terreno negativo.  

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Na simulação, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA encolheria 0,6% em 2027, os gastos privados de capital teriam uma queda superior a 6% e, na comparação anual, a atividade econômica norte-americana chegaria a recuar 1,5% no segundo trimestre do próximo ano. 

Efeito dominó da inteligência artificial

Como em todo filme de catástrofe, os estragos ultrapassariam rapidamente as fronteiras dos EUA — o choque atingiria em cheio o restante do planeta. 

O crescimento global ficaria abaixo de 1% em 2027, patamar compatível com a estagnação econômica. 

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 Além disso, a China e a zona do euro sofreriam perdas de 0,8 ponto porcentual no crescimento, enquanto Canadá e México, por estarem mais expostos ao comércio com os EUA, sentiam os golpes mais duros, com impactos superiores a 2% do PIB. 

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O contra-ataque e o risco do plot twist 

Diante de uma demanda drasticamente mais fraca, a inflação cederia, abrindo espaço para que o Federal Reserve (Fed) entrasse em cena para tentar socorrer a economia dos EUA.  

No modelo, o banco central norte-americano cortaria os juros em 325 pontos-base, o que colocaria a taxa bem próxima de zero. Desde o começo do ano, a taxa está sendo mantida na faixa entre 3,50% e 3,75%, com o mercado apostando em aumento a partir deste mês.   

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Contudo, a Fitch alerta para uma possível reviravolta no roteiro: caso ocorra um aperto adicional das condições financeiras, os danos seriam ainda maiores.  

Se os cortes de juros promovidos pelo Fed fossem neutralizados — com os spreads de países emergentes e os yields dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasurys) subindo 100 pontos-base —, o impacto adicional seria de -0,5% no PIB norte-americano ao longo de quatro trimestres e de -0,2% no PIB mundial. 

Ficção x realidade 

Apesar do tom alarmante da simulação de uma crise provocada pela inteligência artificial e pela queda dos investimentos, a Fitch reitera que o roteiro principal para a economia mundial segue sendo outro.  

A análise serve como um teste de estresse para mapear até onde a onda de choque do setor de tecnologia nos EUA e dos investimentos poderia ir caso as expectativas do mercado sofram um descarrilamento repentino. 

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