Bolsa americana aguenta juros mais altos; UBS GWM diz onde investir nesse cenário
O banco suíço projeta que o S&P 500 deve ver lucros crescerem 25% em 2026 e 14% em 2027 mesmo com a perspectiva de aperto monetário nos EUA daqui até o final do ano

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve elevar os juros pela primeira vez em três anos, mas o UBS Global Wealth Management (UBS GWM) diz que a alta da bolsa norte-americana tem fôlego para suportar o aperto monetário.
O banco suíço projeta que o S&P 500 deve ver lucros crescerem 25% em 2026 e 14% em 2027, enquanto as empresas da zona do euro devem registrar avanço de 15% em cada um dos dois anos.
O Fed anuncia nesta quarta-feira (16) a decisão sobre os juros, atualmente na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. Dados compilados pelo CME mostram que 92,5% dos investidores acreditam em um aumento de 0,25 ponto percentual (pp) da taxa por lá.
Inflação mais quente, mas sem alarde
O pano de fundo é um dado de inflação mais forte do que o esperado nos EUA: o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% em agosto, considerando o núcleo, acima da previsão de 0,2%, puxado principalmente por serviços.
Com isso, o mercado passou a precificar mais de 90% de chance de o Fed subir os juros agora. O UBS GWM espera esse aumento neste encontro e outro em dezembro.
Ainda assim, os estrategistas do banco fazem questão de separar os dados: os itens que mais pressionaram a inflação nos EUA foram categorias voláteis, como passagens aéreas e hotéis, enquanto componentes mais persistentes, como aluguéis, vieram "relativamente benignos".
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Na leitura do UBS GWM, isso mostra que o progresso rumo à meta de 2% do Fed está sendo desigual e mais lento do que o esperado, mas não indica uma inflação se espalhando pela economia norte-americana.
Por que a bolsa resiste
O argumento central do UBS GWM é que a economia dos EUA tem músculo para absorver juros moderadamente mais altos.
O payroll, como é chamado o principal relatório de emprego, de agosto veio bem acima do esperado — 162 mil vagas contra previsão de 55 mil — e o desemprego seguiu em 4,1% nos EUA.
Combinado a esses dados, fatores que tornam o Fed mais hawkish (favorável ao aperto monetário) — emprego forte, atividade econômica sólida e investimento em inteligência artificial (IA) — são os mesmos que sustentam receitas e lucros das empresas.
Segundo o relatório, dois aumentos de juros seriam administráveis dado esse cenário robusto.
- Leia também: A IA vai dominar a humanidade: Sam Altman e Elon Musk se juntam ao rival da Anthropic em novo alerta
Bolsa: lucros mais fortes (e não só nas big techs)
Um ponto que o UBS GWM destaca é a disseminação do crescimento de lucros para além das gigantes de tecnologia: a mediana das empresas do S&P 500 está crescendo cerca de 14%, impulsionada por manufatura, atividade em mercado de capitais e consumo resiliente.
Isso, somado a lucros mais fortes, reduziu os valuations em relação aos lucros — as ações ficaram relativamente mais baratas frente ao que entregam, tornando o mercado menos vulnerável a uma correção causada só por juros mais altos.
O que o UBS recomenda ao investidor
O banco mantém uma visão positiva para as ações e recomenda que o investidor combine uma alocação principal diversificada em ações com exposição direcionada a temas de inovação transformacional e oportunidades cíclicas.
Além disso, o banco defende a redução da dependência excessiva de ações individuais ou de um grupo estreito de empresas de tecnologia.
O UBS GWM também segue priorizando três frentes — inteligência artificial, energia e recursos naturais, e longevidade (setores ligados ao envelhecimento populacional) — com recomendação de exposição ampla entre setores e regiões.
Na prática, a mensagem é que a IA continua sendo um vento favorável estrutural, mas o investidor não deve apostar todas as fichas nela.
O UBS GWM elevou a projeção de capex (investimentos) em IA para US$ 1,2 trilhão em 2027, o que representaria uma alta de 33% frente a 2026, e diz favorecer chips, redes, energia e infraestrutura de nuvem, mas dentro de uma carteira diversificada, e não concentrada.
Para quem investe em fundos ou ETFs com exposição a ações norte-americanas, o recado do UBS GWM é de cautela otimista: os juros devem continuar subindo nos EUA no curto prazo, o que tende a gerar volatilidade, mas os fundamentos de lucro — tanto das gigantes de tecnologia quanto das empresas medianas do índice — seguem sólidos o suficiente para sustentar a bolsa.
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